|Segunda-feira, 23 abril 2018

Dona Deolinda, a poetisa do Cerrado

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A professora Deolinda Aparecida Cândido, de 75 anos, nasceu em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, mas escolheu Vila Bela da Santíssima Trindade, a 562 quilômetros de Cuiabá, como lar. Para chegar à casa de Dona Deolinda, como é conhecida entre os moradores, acrescentam-se mais alguns quilômetros no caminho. Ela vive na Gleba Guaporé, um vilarejo às margens do rio que leva o mesmo nome e aos pés da Serra de Ricardo Franco, no extremo Oeste do Estado. Lá, dá aulas de Língua Portuguesa para crianças e adolescentes. “Leciono porque gosto”, diz.

No mês passado, Deolinda foi escalada pela equipe do governador para recitar um poema durante as comemorações do aniversário de 265 anos da cidade. No fim da apresentação, procurou Pedro Taques. “O governador é um homem bom”, disse. “Fui dizer a ele que precisamos de casas para professores na nossa comunidade. Eu mesma moro numa casa cedida por um amigo, sempre que ele precisa da casa a gente tem que sair procurando outra”, contou. “Na escola o pátio é grande, dá para fazer uma moradia para os professores revezarem”.

Dona Deolinda é mais do que uma professora. Desde a juventude, escreve poesia à caneta em cadernos escolares. Inspirada no canto dos pássaros, na exuberante natureza mato-grossense e na rica cultura dos quilombolas, ela hoje planeja publicar uma coletânea de 25 poemas.

O problema é que falta dinheiro. “Espero ajuda para ver se consigo publicar o livro”, disse. “Sonho em fazer isso aqui, em Vila Bela”. Neste domingo, o LIVRE publica, em vídeo, uma amostra da poesia de Dona Deolinda. Confira.

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