“Dois bandidos”: conselheiro afastado acusa Janot e Pedro Taques de conluio

Antonio Joaquim convocou uma entrevista coletiva para tentar “salvar sua honra”

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Afastado do Tribunal de Contas do Estado (TCE) desde de setembro de 2017, o conselheiro Antonio Joaquim convocou uma entrevista coletiva nesta segunda-feira (9) para acusar o ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e o ex-governador Pedro Taques de terem se unido em uma “tramoia sórdida e covarde” para impedi-lo de disputar o governo de Mato Grosso nas eleições do ano seguinte.

“Desde o início, eu tive a certeza que estou sendo punido por ter decidido pleitear uma candidatura ao governo do Estado. Esse é o verdadeiro crime que eu cometi”, afirmou pontuando ser vítima de uma “farsa executada por dois bandidos”.

Antonio Joaquim foi alvo da Operação Malebolge, deflagrada com base na delação do ex-governador Silval Barbosa. Além dele, outros quatro conselheiros foram acusados de receber propina para julgar, em favor do governo Silval, processos que tramitavam no TCE.

Até hoje, o Ministério Público Federal não apresentou uma denúncia contra os cinco. Apesar disso, Antonio Joaquim, José Carlos Novelli, Sérgio Ricardo, Waldir Teis e Valter Albano seguem longe das funções diante do argumento de que poderiam interferir nas investigações.

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“Para mim, bastou a citação do senhor Silval Barbosa. Para outros, que tiveram até a divulgação de vídeos constrangedores ou mesmo indícios muito fortes de corrupção, não houve nada, pelo menos até agora”, ele criticou.

O “conluio” de Taques e Janot

Aos jornalistas, Antonio Joaquim disse que não entraria no mérito das declarações de Silval Barbosa. Acusou, Janot, no entanto, de tratá-lo de uma forma diferenciada de outros citados pelo ex-governador, incluindo o próprio Pedro Taques.

O conselheiro afastado lembrou que Taques – que foi colega de Janot quando procurador da República, antes de seu primeiro mandato – também foi citado na delação de Silval e, não apenas na dele.

Tempos depois, já sem seu governo, o tucano foi incriminado pelos empresários Giovani Guizardi e Allan Malouf, réus confessos de outro esquema de corrupção – revelado com a Operação Rêmora.

Janot, todavia, teria “engavetado” as acusações contra Taques naquele momento. Declarações que só foram levadas a diante quando Raquel Dodge assumiu a Procuradoria Geral da República.

“Para mim, a pena antecipada, para o amigo Taques, o silêncio”, disse o conselheiro, acusando o ex-procurador de cometer o crime de prevaricação.

Aposentadoria

Taques, por sua vez, teria agido contra Antonio Joaquim – na avaliação do próprio conselheiro afastado – ao negar-lhe a aposentadoria do cargo. E teria feito isso, justamente, para impedi-lo de ir à diante com seu plano – então já anunciado – de ser candidato a governador.

Na época, Antonio Joaquim já estava afastado da função, mas conseguiu autorização da presidência do TCE para se aposentar, o que lhe permitiria ser candidato. O processo, no entanto, foi barrado nas mãos do ex-governador.

Taques alegou o fato de o conselheiro estar sendo investigado e fez uma “consulta” ao Supremo Tribunal Federal (STF) para saber se poderia ou não conceder a aposentadoria.

Antonio Joaquim destacou que, mais ou menos na mesma época, o então governador não teve postura semelhante ao conceder aposentadoria ao ex-deputado estadual (hoje já falecido) Jota Barreto.

Também citado na delação de Silval, “numa situação, talvez mais complicada, porque dele há vídeos”, pontuou o conselheiro, Jota Barreto era fiscal da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz).

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