Um projeto da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), com apoio da Fapemat, está transformando o saber tradicional das comunidades ribeirinhas e indígenas em soluções de ponta para a saúde. O foco é o óleo de jacaré-do-Pantanal (Caiman yacare), usado há gerações como cicatrizante e anti-inflamatório, e que agora ganha atenção científica para virar remédios, cosméticos e até nutracêuticos (suplementos com ação terapêutica).
Do rio ao laboratório 👨🔬
O óleo, historicamente aplicado em feridas, contusões e até lesões ósseas, vem sendo estudado por uma equipe multidisciplinar liderada pelo Dr. Fabricio Rios-Santos (UFMT) e pelo Dr. Leandro Nogueira Pressinotti (Unemat). A dupla une especialidades em farmacologia, imunologia e biologia celular para traduzir um uso empírico milenar em resultados comprovados.
“É um exemplo claro de como a ciência pode se beneficiar da biodiversidade brasileira de forma ética e sustentável”, explica Rios-Santos.
A química por trás do jacaré 🐊
Pesquisas apontam que o óleo é rico em ácidos graxos essenciais: ômega-9, ômega-6 e ômega-7. Essa combinação promove regeneração celular, fortalece a barreira natural da pele e reduz inflamações. Estudos também indicam proteção contra o estresse oxidativo, além de potencial para ajudar no tratamento de acne, queimaduras, síndrome metabólica e até depressão.
Potencial além da medicina 🧴
Com uma concentração de 19% de ácido palmitoleico, superior a óleos famosos como o de abacate e rosa mosqueta, o óleo de jacaré-do-Pantanal desponta como ingrediente premium na indústria cosmética. “É um exemplo de como a biodiversidade tropical pode colocar Mato Grosso na vanguarda da biotecnologia ambiental”, reforça Pressinotti.
Apoio e futuro da pesquisa🔬
O projeto conta também com apoio do CNPq, por meio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Áreas Úmidas (INAU). A expectativa é que, nos próximos anos, produtos derivados do óleo possam chegar ao mercado, aliando ciência de ponta, tradição cultural e valorização do Pantanal.
Colaborou Assessoria





