Disléxicos poderão ter uma hora a mais em concursos e provas

O projeto de lei foi apresentado na Câmara de Vereadores em outubro e prevê a garantia de igualdade para os candidatos disléxicos

Pai era substituído por “bai”. O mesmo acontecia com outras palavras, que, hoje em dia, Eryka Souza não consegue nem lembrar. Entretanto, as pronunciações erradas e as dificuldades de aprendizagem fizeram ela ser motivo de piada na infância. Não apenas pelos colegas de classe, mas até pelo irmão mais velho. A dislexia só foi descoberta com 34 anos e ao mesmo tempo que foi um momento de pavor, também foi um passo para uma nova forma de ver a vida.

Os sintomas do transtorno apareceram quando criança. Constantemente, trocava palavras e por isto até frequentou alguns fonólogos, mas a distância da sua casa até o médico e a questão financeira fizeram com que logo abandonasse.

Como não havia informações sobre o transtorno, Eryka passou acreditar que o problema era com ela. E associado aos apelidos, os quais costumava receber – “lenta e burra” – resolveu se isolar: “Eu não existia para poder sobreviver numa sala de aula”.

Dados da Associação Brasileira de Dislexia (ABD) apontam que a falta de informação dos educadores e pais ainda é um dos problemas mais graves enfrentados pelos disléxicos – cerca de 15% da população do Brasil.

Eryka ainda tinha que se dedicar muito mais do que qualquer outra criança para poder tirar as médias da escola. Por isto, acabou tendo uma visão negativa sobre os estudos. E, apesar de ter entrado numa faculdade quando acabou o ensino médio, a trancou com a desculpa de estar grávida: “Hoje eu vejo que era mais uma desculpa para mim”.

A descoberta da dislexia aconteceu quando o filho, aos sete anos, começou a ter as mesmas atitudes que ela. Temendo a saúde do filho, Vinicius, ela resolveu ir em uma psicóloga, a qual diagnosticou os dois com dislexia.

Ela ficou cerca de cinco anos para se acostumar com a ideia. Evitava falar sobre o assunto com qualquer um. Mas, com o decorrer do tempo e idas a terapias, percebeu que o problema não era ela. Por isto, resolveu voltar a estudar e optou pelo curso de psicologia, pois sempre gostou de ouvir e conhecer os problemas dos outros.

Atualmente, aos 43 anos, ela acha importante falar sobre o transtorno. Assim como em medidas para garantir a inclusão.

Direitos

Em Cuiabá, um Projeto de Lei foi discutido no dia 15 de outubro. Além do tempo adicional, o projeto prevê a disléxicos acesso a um ledor e transcritor na realização de provas e concursos no município.

Para se tornar lei ocorrerá duas votações na Câmara Municipal. Se aprovado, o texto irá até o prefeito, Emanuel Pinheiro, que terá um prazo de 15 dias para o sancionar ou não.

Atualmente, pessoas com dislexia já têm acesso a atendimento especializado em provas no Departamento Estadual de Trânsito (DETRAN) de Mato Grosso. O projeto de lei foi sancionado em 2017.

Além disso, disléxicos podem ter atendimento especializado em concursos e vestibulares realizados no Estado de Mato Grosso. A lei foi aprovada em 2017.

No mesmo ano também foi instituído a semana de identificação e apoio aos alunos diagnosticados com Dislexia no estado de Mato Grosso.

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