Dinheiro na casa de Arcanjo era lícito e de recebimento de terceiros, diz advogado

Advogado negou que valor seja pagamento de empréstimos realizados pelo ex-comendador

Foto: Divulgação/PJC

Dos cerca de R$ 201 mil recolhidos, em espécie, da casa do ex-comendador de Mato Grosso, João Arcanjo Ribeiro, no âmbito da Operação Mantus, na manhã de quarta-feira (29), R$ 160 mil pertenciam ao ex-bicheiro. De acordo com Zaid Arbid, advogado de João Arcanjo, o valor teria origem lícita e teria sido recebido pelo empresário por serviços prestados a terceiros.

Questionado pela imprensa, Zaid negou que o recebimento seja referente a empréstimos. Antes de ser preso, em 2003, Arcanjo era proprietário de factorings que faziam transações, inclusive, com políticos. Foi esse motivo, aliás, que o relacionou à Operação Arca de Noé, deflagrada em 2002 pela Polícia Federal, para combater crimes de lavagem de dinheiro em Mato Grosso, e que resultou em sua prisão e condenação.

“É um recebimento que ele tem junto a terceiros. Está na declaração do imposto de renda dele. Ele não opera com nada, não mexe com factoring, não mexe com jogo do bicho, ele tem receitas. Ele tem exploração de shopping, dinheiro de locação, dinheiro que ainda entra para ele e ele não pode deixar no banco”, explicou.

De acordo com o advogado, por determinação judicial, João Arcanjo Ribeiro não pode manter conta bancária e, portanto, não pode ter um cartão de crédito ou talões de cheque. Dessa forma, o ex-comendador guardava todos os valores recebidos em sua casa. “Como que vai arcar com suas despesas? Você tem que ter o dinheiro em espécie, e isso não é crime se ele tiver declarado”, alegou Zaid.

Do restante do valor encontrado, cerca de R$ 41 mil pertenciam ao genro de Arcanjo, o também empresário Giovanni Zem Rodrigues.

O homem administrava a empresa Granito Muito Mais, localizada no prédio de Arcanjo, onde funciona um estacionamento, na Avenida do CPA. No entanto, a origem do dinheiro não foi informada pelo advogado, uma vez que seu cliente seria Arcanjo. “Eu não falo por Giovani”, o advogado se limitou a responder.

Conforme informou a Polícia Civil, outra quantia em espécie, que também seria de Giovanni, foi encontrada na tarde de quarta-feira. O valor estava em uma mochila, dentro do carro do empresário, localizado no estacionamento do aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande. Isso porque o genro de Arcanjo embarcou rumo à Guarulhos (SP) na madrugada de quarta-feira. Ele foi preso ao aterrissar.

Remessa para o exterior

As investigações, movidas pela Polícia Civil, ainda revelaram que homens de Arcanjo faziam remessa de valores para sua ex-mulher, Silvia Chirata Arcanjo Ribeiro, e seu filho, João Arcanjo Ribeiro Júnior, que moram no Uruguai.

Análise em um celular apreendido durante as investigações conseguiu identificar comprovantes de transferências financeiras realizadas via uma casa de câmbio localizada no bairro Goiabeiras, em Cuiabá.

Conforme os dados, os acusados de integrar a organização criminosa teriam enviado cerca de R$ 500 para o Uruguai. O valor, porém, teria sido remetido de forma lícita, com o devido recolhimento de impostos. Entretanto, para os delegados da Polícia Civil, o montante é resultante dos valores arrecadados com a jogatina ilegal em Mato Grosso.

À exemplo, a investigação apontou que, entre 2014 e 2018, três dos acusados enviaram R$ 42.594,42 para Silvia Chirata, e R$ 65.642,97 para João Arcanjo, respectivamente. Na época, o ex-comendador ainda estava preso.

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