Desvio na Educação: delator se diz indignado com valor de propina

Na 7ª Vara Criminal de Cuiabá, a manhã foi de novos depoimentos sobre as fraudes da Operação Rêmora

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

“Nós, empresários, fomos vítimas de processo de extorsão montado dentro da Seduc”. O depoimento é do empresário Luiz Fernando da Costa Rondon, proprietário da Luma Construtora, que afirmou à Justiça ter ficado indignado com o valor cobrado como propina pela organização criminosa instalada na Secretaria de Estado de Educação (Seduc).

Rondon é delator premiado e prestou depoimento na manhã desta sexta-feira (9) à juíza Ana Cristina Silva Mendes, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá. Ele detalhou como o esquema começou, na gestão Pedro Taques (PSDB), afirmou que pagou pessoalmente uma parcela da propina e que, quando parou, sofreu retaliações.

Segundo o delator, em 2015, ele não recebeu o pagamento esperado por uma obra que executou em uma escola. Por conta disso, procurou a Seduc para resolver o caso. Lá, foi orientado pelo ex-servidor e réu Fábio Frigeri a procurar o empresário Giovani Guizardi, apontado como operador do esquema.

Guizardi marcou um encontro com o delator em sua empresa, no edifício Avant. Rondon teria ido acompanhado de seu sogro. Com um tablet na mão, Guizardi passou um recado: “para trabalhar na Seduc, tinha que pagar taxa de 5%”, relatou Rondon.

Rondon afirmou que Guizardi sabia todos os detalhes de sua obra e que ficou indignado com a extorsão. Quando perguntou se o secretário Permínio sabia do esquema, recebeu um “sinal positivo” como resposta.

De acordo com o empresário, depois desse encontro, ele não conseguiu contato com Permínio. Por isso, voltou a procurar Fábio Frigeri, que confirmou o esquema e a ciência do então secretário.

Rondon afirmou que Guizardi foi incisivo ao cobrar a propina de 5% sobre os valores contratados. Contudo, o delator se reuniu com outros empresários e viu que ninguém concordou em fazer o pagamento.

Em um novo encontro com o operador, Rondon tentou negociar. Guizardi disse que teria abaixar o valor e que não tinha autonomia para decidir. No fim, a propina foi reduzida para 3% do valor da obra.

Ainda segundo Rondon, um pagamento de R$ 4,8 mil chegou a ser feito por ele, pessoalmente à Guizardi, depois que recebeu da Seduc. Após isso, ele decidiu que não iria mais pagar as porcentagens.

O delator também revelou que, um tempo depois, um edital “viciado” foi publicado pela Seduc. Tratava-se de uma obra de R$ 8 milhões.

A construção seria de interesse de Guizardi, que é dono da construtora Dínamo, mas também atraiu Rondon, por isso, ele impugnou a licitação.

De acordo com Rondon, como represália, ele teve atrasos no pagamento de suas obras que já estavam em andamento.

Rêmora

O caso foi descoberto com a Operação Rêmora, deflagrada em 2016 pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco).

Com três fases, as investigações resultaram na prisão de empresários, servidores e até do ex-secretário da Pasta, Permínio Pinto. Ao final, pelo menos cinco acordos de colaboração premiada foram realizados.

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