Desigualdades sociais impactam diagnóstico precoce do câncer de mama no país

Entre as brasileiras com nível superior de ensino, 80% fizeram mamografia nos últimos dois anos. Entre as sem instrução esse percentual cai para cerca de 50%

Foto: Assessoria

Entre as brasileiras de 50 a 69 anos, passa de 80% o percentual das que fizeram mamografia nos últimos dois anos. Os dados, no entanto, são apenas daquelas que têm nível superior de ensino.

Entre as mulheres sem instrução ou com nível fundamental incompleto, esse percentual cai para cerca de 50% e chega a menos de 30%, se consideradas só as que vivem na Região Norte do país.

Os dados são de 2013 – ano em que foi realizada a última pesquisa – e foram apresentados pela chefe da Divisão de Pesquisa Populacional do Instituto Nacional de Câncer (Inca), Liz Almeida.

A estimativa do instituto é que, em 2019, cerca de 60 mil novos casos de câncer de mama sejam registrados no Brasil.

“Em cada região precisamos dar uma atenção diferenciada a questões como grau de informação, qual é a possibilidade de acessar os exames preventivos e o tratamento. Temos que olhar de forma desigual para uma situação de desigualdade e tratar essa situação de forma desigual”, explicou a pesquisadora.

Mesmo entre as capitais há grande desigualdade na busca pela mamografia. Dados de 2018 da pesquisa Vigitel, do Ministério da Saúde, mostram que em Boa Vista, Rio Branco, Fortaleza e Macapá, menos de 70% das mulheres de 50 a 69 anos fizeram mamografia nos últimos dois anos.

Já em Salvador, esse percentual chega a 86%. Também superam os 80% Curitiba, Porto Velho, Palmas, São Paulo Porto Alegre e Vitória.

Diagnóstico

Quando diagnosticado em seu estágio inicial, o câncer de mama pode ter mais de 90% de chances de cura, além de permitir tratamentos menos agressivos e maior possibilidade de preservação da mama.

No ano 2000, 17,3% dos casos eram diagnosticados nos estágios iniciais. Em 2015, o percentual subiu para 27,6%.

Apesar dos avanços, permanece um cenário desigual. Enquanto as regiões Sul e Sudeste diagnosticam cerca de 30% dos casos em estágio inicial, no Nordeste somente 12,7% dos casos são descobertos precocemente.

Prevenção

Dois terços dos casos são diagnosticados em mulheres com mais de 50 anos. Por isso, o Ministério da Saúde recomenda que as que tem entre 50 e 69 anos realizem a mamografia uma vez a cada dois anos.

Já um terço dos casos ocorre em mulheres mais jovens, nas quais e mais difícil detectar o câncer de mama por meio de mamografia. A densidade dos seios dificulta a precisão do exame.

Diante disso, a recomendação é se familiarizar com a aparência dos seios e relatar quaisquer alterações ao médico.

Segundo o Inca, os principais sinais e sintomas da doença são caroço (nódulo), geralmente endurecido, fixo e indolor; pele da mama avermelhada ou parecida com casca de laranja, alterações no bico do peito (mamilo); saída espontânea de líquido de um dos mamilos; e pequenos nódulos no pescoço ou na região embaixo dos braços (axilas).

Homens

O câncer de mama em homens representa 1% dos casos, mas eles costumam ser mais agressivos. Segundo o Inca, em 2017, a doença matou 16,7 mil mulheres e 203 homens no Brasil.

Em 2019, a estimativa do instituto é que 600 novos casos de câncer de mama sejam diagnosticados em homens.

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