Desertores norte-coreanos relatam perseguições a cristãos no país

Fieis sofreram fortes agressões físicas apenas por carregarem a Bíblia consigo

(Foto: Sempre Família - Gazeta do Povo)

Um relatório publicado pela ONG Korea Future no último dia 27 de outubro revela casos de detenção e de tortura de cristãos na Coreia do Norte durante a década passada. As entrevistas foram feitas com desertores norte-coreanos entre novembro de 2019 e agosto de 2021. Ex-detentos, carcereiros e testemunhas oculares foram ouvidas nessa pesquisa.

Numa ocasião, um prisioneiro notou um padrão de comportamento entre seus colegas de cela que se diziam cristãos: “eles iam rezar num canto da cela escondido da câmera de vigilância”. Os fieis presidiários “escapariam de uma surra se não fossem pegos pelos carcereiros, mas seriam espancados se pegos”, segundo o relator.

Essa mesma pessoa informou que viu pessoas sendo espancadas por 20 dias consecutivos após terem sido pegas rezando.

Castigados por portarem a Bíblia

A ONG ainda revela diversos casos de cristãos que sofreram fortes agressões físicas apenas por carregarem a Bíblia consigo. Por esse motivo, uma jovem foi presa e golpeada com um pedaço de madeira até que seus gritos a salvaram, chamando a atenção de um superior do oficial agressor. Esse fato ocorreu enquanto ela estava em custódia do Ministério de Segurança do Estado da Coréia do Norte.

Alguns números consideráveis contidos no relatório: em meio a 456 violações dos direitos humanos por perseguição a xamanistas e cristãos, 34 pessoas foram detidas por posse de itens religiosos, 23 por terem praticado atividades religiosas na China e 21 por práticas religiosas dentro da Coreia do Norte.

A pesquisa aponta que vários dos fieis foram expostos ao cristianismo pela primeira vez enquanto estavam na China, como o norte-coreano Kim Gap-ji. Ele foi preso no país junto com um pastor cristão. Kim foi repatriado para a Coreia do Norte e, lá, foi investigado por quase cinco meses, sofrendo cruéis torturas, além de tratamento desumano.

Depois, recebeu a pena de permanecer por três anos no campo de reeducação de Chongori. Quando saiu, começou a pregar o Evangelho secretamente na Coreia do Norte. Em 2017, conseguiu escapar depois de saber que uma das pessoas para quem havia pregado era um informante do Ministério de Segurança do Estado.

O texto mostra que as vítimas eram sujeitas a chutes, socos e espancamentos com objetos, além de ingestão de comida estragada e privação do sono. Várias dessas crueldades eram cometidas por agentes do Ministério de Segurança do Estado e do Ministério de Segurança Popular contra cristãos.

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