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Desembargador nega liberdade também ao cabo Gérson

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Redação

Com os mesmos argumentos que utilizou para manter a prisão do coronel Zaqueu Barbosa, o desembargador Paulo da Cunha manteve preso o cabo Gérson Luiz Ferreira Correa Júnior. Em decisão proferida também nesta terça-feira (30), o magistrado entendeu que havia razões para a prisão preventiva e negou o habeas corpus que pedia a soltura do cabo. Ele é apontado como o responsável por assinar os pedidos de escutas telefônicas ilegais e por produzir os relatórios de inteligência a partir dos grampos. O cabo está detido no batalhão da unidade da Ronda Ostensiva Tático Metropolitana (Rotam).

O juiz Marcos Faleiros determinou a prisão de ambos no dia 23 em uma chamada “decisão de ofício”, quando um juiz age sem ser provocado por outro órgão competente, como o Ministério Público ou a Polícia Civil. As defesas dos militares alegavam que, por não existir uma investigação em andamento, as prisões preventivas seriam ilegais. Como prova, foi anexado nas duas petições um despacho do dia 24, no qual o juiz solicitou que fosse instaurada a diligência e fosse nomeado um policial encarregado para conduzir a investigação.

O desembargador defendeu a decisão de Faleiros e entendeu que havia indícios dos supostos crimes e também de autoria dos dois policias militares. O coronel Zaqueu está detido no Batalhão de Operações Especiais (Bope).

Gcom-MT

Coronel PM Zaqueu Barbosa

Foto de arquivo do coronel Zaqueu Barbosa, à época comandante da PM no Estado

Interceptações ilegais
A Procuradoria-Geral da República (PGR) investiga o caso. Também foram abertos um Inquérito Policial Militar (IPM), além de investigações internas no Tribunal de Justiça. O caso dos grampos foi denunciado pelos promotores de Justiça Mauro Zaque e Fábio Galindo enquanto ambos respondiam pela pasta de Segurança Pública, em 2015. Os crimes vieram à tona no dia 11 de maio, quando uma reportagem do Fantástico esteve em Cuiabá realizando entrevistas sobre o caso. No mesmo dia, o então secretário-chefe da Casa Civil e primo do governador, Paulo Taques, deixou o cargo –  o telefone de uma ex-amante dele aparece na lista de números grampeados.

Segundo a denúncia, uma investigação de tráfico de drogas em Cáceres foi usada para o esquema conhecido como “barriga de aluguel”: foram incluídos nas escutas os telefones de pessoas que não tinham ligação com os crimes. Números da deputada estadual Janaína Riva (PMDB), do ex-vereador Clovito Hugueney (falecido), do desembargador aposentado José Ferreira Leite, do jornalista José Marcondes “Muvuca”, do advogado eleitoral ligado ao PMDB José do Patrocínio, médicos e outros profissionais aparecem na lista.

Um telefone que pertencia a uma policial da inteligência do Grupo Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) também teria sido interceptado ilegalmente. À época, o MP investigava as operações Metástase, Chacal, Seven e Rêmora.

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26 de abril de 2026 12:16