Desembargador diz que irmãos Taques se valeram de parentesco com o governador

As informações constam da decisão do desembargador José Zuquim Nogueira, que determinou a prisão de supostos envolvidos no esquema de corrução no Detran

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

O parentesco com o governador Pedro Taques (PSDB) e o conhecimento jurídico privilegiado teriam favorecido a participação do ex-chefe da Casa Civil, Paulo César Zamar Taques e de seu irmão, Pedro Zamar Taques, na organização criminosa que resultou na deflagração da segunda fase da operação Bereré, batizada de “Bônus”, na manhã desta quarta-feira (09).

As informações constam da decisão do desembargador José Zuquim Nogueira, obtida com exclusividade pelo LIVRE, que determinou a prisão de seis supostos envolvidos no esquema de desvios de dinheiro operado dentro do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso (Detran-MT).

Conforme o magistrado, Paulo Taques, Pedro Zamar Taques e o empresário Valter Kobori, valendo-se do conhecimento jurídico que detêm, atuavam na organização criminosa “criando engenhosas artimanhas para maquiar o recebimento de propina”.

“Ficou evidenciado que tendo conhecimento da existência da organização criminosa e do esquema ilícito operado dentro do Detran, os dois primeiros primos do atual governador e amigos de longa data do terceiro (Kobori), tomaram parte da organização e iniciaram a solicitação e recebimento de propina em razão do cargo público que futuramente Paulo Taques viria a ocupar, qual seja o de secretário-chefe da casa civil”, diz trecho da decisão.

Ainda conforme o desembargador, Paulo Taques recebeu um total de R$ 2,6 milhões em propina em nome de Kobori. O primeiro pagamento teria sido no valor de R$ 1,4 milhão e o segundo de mais R$ 1,2 milhão. “O período de analise bancaria empreendido do relatório da Polícia Civil alcançou as movimentações bancarias até o mês de fevereiro de 2016, tendo sido constatadas estas transferências”.

Além disso, conversa do ex-secretário, datada do último dia 16 de abril, teria deixado clara a tentativa de “maquiar” o envolvimento no esquema, quando disse que, em virtude dos “últimos acontecimentos”, teria sido obrigado a recolher impostos dos valores recebidos. “Sobre esses últimos acontecimentos a que ele se refere, o Ministério Público ressalta que dizem respeito a presente investigação, ou seja, pelo fato de estar sendo investigado”.

“Dessa forma, Paulo Taques, Pedro Zamar Taques e Valter Kobori também tem por natural em sua atuação a turbação da verdade dos fatos, na medida em que suas atividades se desenvolvem pelo forjamento de documentos inverídicos, seja pelo substabelecimento que justificaria serviços advocatícios que não seriam prestados ou seriam faturados, seja pela criação de verba trabalhista pautada em fato gerador inexistente, tudo com a finalidade de impedir a descoberta da verdade sobre os fatos, ou seja, prejudicarem a investigação criminal e a instrução processual”, argumentou o desembargador para embasar o pedido de prisão.

“Mudos”

O advogado e ex-chefe da Casa Civil Paulo Taques e o deputado estadual Mauro Savi (DEM), também preso na manhã desta quarta-feira, saíram da sedo do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (GAECO) sem falaram com a imprensa. Ambos passarão por audiência de custódia na 11° Vara Criminal do Tribunal de Justiça nesta tarde.

Confira o vídeo:

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