Depressão: saiba como ajudar quem está passando por esse problema

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), apontam que 90% dos suicídios poderiam ser evitados com uma conversa

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O assunto ainda é muito delicado e os índices que crescem silenciosamente são alarmantes. Cada vez mais pessoas são diagnosticadas com sintomas de depressão. Entre a população adulta, 1 a cada 15 indivíduos tem a doença no país.

Para especialistas, mais assustador que as estatísticas, no entanto, é a dificuldade da sociedade em perceber esses sintomas e ajudar alguém que passa pelo problema. É que, ao contrário do que se pensa, a depressão nem sempre vem acompanhada de tristeza e desanimo.

A máscara, em muitos casos, tem motivo: o medo de quem sofre de ser taxado como “dramático”. E a dor de suportar tudo sozinho leva muitos a tentar tirar a própria vida.

“É muito comum ouvirmos comentários do tipo: ‘nossa, mas fulano parece tão feliz. Se dá bem com todos, tem tudo para viver bem. É uma pessoa saudável. Como pode estar com depressão?’”, confidenciou ao LIVRE uma paciente diagnosticada e em tratamento há alguns meses.

De acordo com um cálculo da Organização Mundial de Saúde (OMS), a porcentagem de casos de suicídio que poderiam ser evitados com uma conversa e acolhimento chega a 90%. 

O mesmo levantamento apontou que, a cada ano, são registrados mais de 800 mil suicídios. Isso representa uma morte a cada 40 segundos. Só no Brasil são mais de 11 mil casos anualmente.

Um pedido de socorro

Em 2019, o Corpo de Bombeiros de Mato Grosso atendeu em todo o Estado 280 ocorrências de tentativas de suicídio das mais variadas formas.

Diante dos dados preocupantes, até os responsáveis pela saúde pública e instituições de apoio emocional, bem como profissionais da área, fazem um tipo de “pedido de socorro” em busca de alternativas para reverter esse quadro.

A dica principal é: se você não se sente preparado para oferecer aquele ombro amigo, pode ajudar, ao menos, a pessoa em sofrimento a encontrar apoio profissional. Há tratamento gratuito.

 

Para a psicóloga Sílvia Pilon – especialista em família, indivíduos e terapia de casal –  abordar esse tema em forma de prevenção já é um bom começo. “Essas estratégias podem ser desenvolvidas com a comunidade e nas escolas. Todo gesto de luta pela vida é válido”.

O Portão do Inferno é um dos locais com maior índice de suicídios em Mato Grosso (Foto: Reprodução)

Pilon apoia atitudes independentes da sociedade, mas ressalta que campanhas públicas também são necessárias.

Sobre iniciativas como a do grupo religioso que, recentemente, colocou uma faixa no Portão do Inferno – ponto turístico na estrada para Chapada dos Guimarães em que muitos casos de suicídio são registrados -, a psicóloga afirma que até podem surtir um impacto momentâneo, mas não podem ser adotadas como a única solução para o problema.

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Afinal, como ajudar?

Segundo a psicóloga Sílvia Pilon, algumas atitudes relativamente simples podem ajudar a salvar vidas.

“Se você estiver diante de alguém que apresente um comportamento suicida, primeiramente, é preciso se despir de qualquer tipo de preconceito”, ela pontua.

Entender que a pessoa não quer tirar a própria vida é o primeiro passado. Na realidade, conforme a psicóloga, ela quer “se livrar da dor que a atormenta”.

Diante disso, a profissional listou um passo a passo.

1. Tenha paciência

Pode ser que haja necessidade de fazer várias tentativas até que a pessoa esteja pronta para se abrir.

2. Faça perguntas abertas

Questionamentos que precisam de respostas mais amplas vão fazer a pessoa falar mais sobre seus sentimentos.

3. Não tente preencher os silêncios

Esses são momentos que devem ser respeitados. É mais importante mostrar que você está disposto a ouvir, sem julgamento, do que a dar “conselhos”.

4. Jamais interrompa

Nunca ofereça “soluções” para os problemas de alguém com pensamento suicida. O ideal é fazer com que o outro perceba que você está atento plenamente aos seus sentimentos de dor.

5. Pergunte sobre a família e amigos

Questione se a pessoa tem alguém em que ela confia ou se ela quer que você entre em contato com a família.

6. Ame e demonstre isso!

Diga a pessoa o quanto é importante que ela procure um profissional e que você mesmo pode ajudá-la a fazer isso.

Seja um voluntário do CVV

O Centro de Valorização da Vida (CVV) é um dos canais aos quais que pessoas em depressão podem recorrer em momentos agudos da doença. Também é, portanto, uma das formas que você pode colaborar para reduzir os índices de suicídio.

Para ser um plantonista, é preciso ter mais de 18 anos e, pelo menos, quatro horas disponíveis por semana. E, claro, vontade de ajudar o próximo.

As principais frentes de atuação do plantonista são o atendimento por telefone, voip e chat.

O curso de preparação de voluntários é gratuito. Saiba mais acessando o link do CVV.

Quem tem tempo, pode oferecer carinho por telefone a quem precisa (Foto: Reprodução)

Projeto Resgate de Vida – Wantuil de Freitas

O projeto visa atender pessoas que precisem resgatar a autoestima e vencer a apatia e desinteresse em trabalhar, por exemplo, um dos sintomas da depressão. Ele reintegra essa pessoa ao convívio social e familiar.

O lar modelo oferece tratamento gratuito e é mantido com auxilio de doações e trabalho voluntário. Atualmente, tem capacidade para abrigar 30 pacientes por mês.

As triagens para internação são feitas às segundas-feiras, a partir das 19h30.

Entre as atividades realizadas no lar estão: aulas e estudo em grupo, apoio fraterno, laborterapia e musicoterapia.

Informações podem ser obtidas pelo telefone (65) 3649-5851 ou pelo site www.wantuildefeeitas.com.br.

Instagram

Desde março de 2019, a rede social vem se mobilizando para ajudar pessoas com transtornos emocionais. Foi criada uma aba de ajuda para quem digita nas buscas as palavras “depressão” e “ansiedade”.

Com o “podemos ajudar?” do Instagram oferece várias opções para o usuário que esteja passando por um momento difícil.

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1 COMENTÁRIO

  1. Triste demais!

    Eu cheguei a tomar muitos remédios e tal, mas o que realmente me livrou foi exercícios, Yoga, acupuntura e Deus.

    Melhorando o sono, muita coisa já se encaixa; também é preciso melhorar a alimentação e se livrar de pensamentos negativos – aí aconselho um psicólogo.

    Enfim, o problema do sono deu uma melhorada depois que adquiri esse produto que ajuda a estimular o relaxamento e tal… é bastante prazeroso

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