Depois de duas semanas, autoridades desembarcam na 163

Ednilson Aguiar/O Livre

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A carreta do seu Ney José ficou atolada num dos trechos críticos e precisou ser guinchada. Ele saiu de Maravilha (SC) e está há semanas na 163

Para acompanhar a situação caótica da BR 163, a equipe de reportagem do LIVRE saiu de Cuiabá na última quinta-feira (02) em um voo com destino a Sinop (distante 477 km da Capital). De lá, percorreu de carro os 840 quilômetros entre Sinop e Trairão (PA). Até o município de Novo Progresso (PA), a BR-163 está em boas condições e asfaltada. Os problemas mais sérios se concentram nos 140 km que separam o distrito de Moraes de Almeida e o município de Trairão.

Ministério dos Transportes

Mapa

Foi neste trecho que a reportagem encontrou o diretor geral do DNIT nacional, Valter Casemiro. Ao LIVRE, ele afirmou que pelo menos 60 quilômetros do trecho deverão ser pavimentados até o final de 2017. “Essa é a previsão que temos”. Ele disse ainda que a visita in loco tem por finalidade verificar se a empresa responsável pela conservação da via tem equipamentos suficientes para garantir a manutenção e trafegabilidade do trecho.

O tempo colaborou durante quase toda viagem, mas minutos antes da chegada do diretor do DNIT, uma chuva rápida deixou a pista “um sabão”. A carreta do seu Ney José não conseguiu passar e precisou ser guinchada por uma esteira. Ele está na BR-163 há 18 dias, veio de Maravilha (SC) e carregou com soja em Alta Floresta (MT). “Estamos aqui sofrendo, ninguém fala em diária. Olha o tipo de estrada que nós temos”, disse ao LIVRE, enquanto aguardava a ajuda dos demais caminhoneiros que procuravam um cabo de aço.

“A nossa intenção aqui é essa: verificar se o trânsito está fluindo e se há maquinário suficiente para atender a demanda”, explica o diretor do DNIT. Entre os equipamentos postos nos trechos mais complicados estão duas retroescavadeiras, um trator de esteira, quatro caminhões basculantes que depositam pedras nos atoleiros e outros oito veículos.

Casemiro faz parte do Comitê Gestor, que foi criado pelo ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Maurício Quintella, para atuar nas áreas críticas. Fazem parte dele técnicos dos ministérios dos Transportes (DNIT), Agricultura, Justiça (PRF), Defesa, e Integração Nacional e Casa Civil.

Mais adiante, a equipe de reportagem encontrou o secretário de Infraestrutura do Pará, Kleber Menezes e o secretário de Infraestrutura de Mato Grosso, Marcelo Duarte. Diferentemente do diretor nacional do DNIT, Duarte e Menezes utilizaram um helicóptero para chegar ao distrito de Bela Vista do Caracol. Nesta localidade, o Exército e PRF fazem uma barreira de contenção segurando o tráfego.

Para Menezes, o que ocorreu foi a falta de uma atuação sistêmica dos responsáveis pela rodovia. “Mas, nesse momento crítico, o que precisamos é viver essa safra e trazer um pouco de tranquilidade para os transportadores de cargas e ao cidadão que usa essa via”. À reportagem, disse crer que a situação caótica servirá para dar celeridade a processos. “Sobretudo a concretização da rodovia”.

Ele cita ainda que a capacidade de escoamento da produção brasileira no estado mais que triplicou com a conclusão de terminais portuários. “Nós temos cinco terminais. Obviamente que existe fluxo o ano inteiro, mas neste ciclo de safra é intenso”.

Engrossando o coro, o secretário mato-grossense disse que o momento é de unir forças para sensibilizar o governo federal para terminar a obra. “O que aconteceu este ano tem que ter sido o fundo do poço”.

A expectativa, segundo ele, é que no máximo em um ano e meio toda a rodovia esteja pavimentada. “São 94 km, a estrada não é simples, é uma transamazônica, mas não estamos longe. Basta focar os trabalhos”, destaca.

Com chegada dos secretários no local, houve gritos de protestos e palavras de ordem dos caminhoneiros presos no bloqueio. “Queremos asfalto e não cesta básica”, era o principal pedido. Alguns mais exaltados foram contidos pela PRF. “A situação é complicada, os ânimos estão exaltados. Quando chegamos aqui ouvimos relatos de gente armada que levantava a arma para passar. Uma confusão generalizada”, afirma o agente da PRF, Ítalo Carneiro.

Duarte e Menezes ficaram poucos minutos no local e seguiram rumo a Itaituba (PA), onde na noite de ontem se encontraram com representantes do Comitê Gestor.

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