Depois de descarte por falta de eventos, mercado de flores tropicais retoma otimismo em MT

Produtores não desanimaram e estão otimistas com as perspectivas da retomada da economia e das possibilidades que as flores tropicais oferecem

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

A pandemia de coronavírus afetou um mercado que estava em plena ascensão em Mato Grosso, o de produção de flores tropicais. Com o cancelamento de eventos, que é o principal mercado consumidor deste produto, muitas flores tiveram que ser descartadas nos últimos seis meses.

Mas os produtores que se dedicam a este tipo de flores não desanimaram e estão otimistas com as perspectivas da retomada da economia e das possibilidades que as flores tropicais oferecem.

A reportagem do LIVRE foi até a uma chácara na zona rural de Cuiabá conhecer a Cassel Flores e Frutos [@cassel_floresefrutos]. O local já produz flores há quase 10 anos e é o mais antigo no Estado. Há menos de um ano está sob nova direção.

Gladis Cassel, 55, e Edson Cassel, 55, cultivam 23 espécies de flores tropicais e folhagens, além de árvores como açaí, cumbaru e urucu, dos quais também comercializam os frutos que são utilizados em arranjos.

Gladis e Edson Cassel produzem flores tropicais há menos de um ano, mas apesar da pandemia estão otimistas com a expansão do mercado (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

O casal conta que durante a pandemia tiveram que descartar pelo menos duas mil hastes de flores.

O mesmo aconteceu em Tangará da Serra (a 241 km de Cuiabá), na propriedade da família de Jéssica de Almeida Ribas Previzoli, 27, [@imperialflorestropicais] onde existem 3,8 hectares cultivadas com 16 espécies de flores tropicais e que também o descarte de flores foi necessário em razão da queda em 96% nas vendas.

Apesar da crise…

As flores tropicais estão ganhando cada vez mais o gosto de decoradores, design de interiores, arquitetos, floristas, e organizadores de eventos.

Enquanto flores mais conhecidas como rosas, possuem durabilidade de um a três dias, as tropicais duram em média uma semana, e por isso estão cada vez mais presentes na decoração de grandes espaços como shopping centers ou eventos para muitas pessoas em ambientes onde os arranjos causam a sensação de preenchimento.

Para Gladis, a pandemia trouxe uma nova perspectiva. “Queremos que as flores tropicais também enfeitem as casas das pessoas. Além da beleza, o preço acaba sendo mais atrativo por conta da produção ser local”, explica a bancária aposentada, que agora se dedica junto ao marido no cultivo de flores.

Batão do Imperador é uma das espécies de flores tropicais que tem alta demanda em Mato Grosso (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Ela ressalta que não se trata de adquirir flores tropicais em detrimento das flores de clima temperado, como é o caso da rosas, mas sim, que é possível investir neste produto como item de decoração, sem grandes gastos e de uma forma original.

Jéssica também cativou um público diferenciado na pandemia. Assim como Gladis e Edson, que passaram a vender para mais clientes domésticos, Jéssica foi procurada por muitos compradores que queriam arranjos para enfeitar a mesa de jantar para estar com a família, ou o aparador da sala para criar um ambiente aconchegante e harmonioso.

Jéssica de Almeida Ribas Previzoli produz flores tropicais com a família, em Tangará da Serra (Foto: arquivo pessoal)

Festivas flores tropicais

Cultivadas sob o sistema de irrigação, as flores tropicais se adaptaram muito bem ao solo mato-grossense. Verdes folhagens de distintos tamanhos formam verdadeiros tronos para as rainhas que se vestem de tons variados de vermelho, rosa, amarelo e branco. Essa é a cena que se encontra em pelo menos 10 propriedades rurais em Mato Grosso, em uma área que se aproxima de 40 hectares cultivadas no Estado.

Alpinias, bastão do imperador, helicônias, sorvetão, flor de vidro, são algumas das espécies mais cultivadas e consumidas em Mato Grosso.

Do plantio à colheita, transcorrem entre dois anos e meio a três anos. Existem também as folhagens como murta, dracenas e guaimbé, que compõem os arranjos de flores tropicais.

Arranjos de flores tropicais para uso doméstico é o novo nicho explorado pelos produtores mato-grossense (Foto: Divulgação/ Imparial Flores Tropicais)

Vendidas por haste, a unidade das flores tropicais varia de R$ 1,5 a R$ 6, dependendo da espécie.

Mesmo com o descarte de muitas hastes durante a pandemia, e agora o otimismo em torno da possibilidade de retomada do setor de eventos, os preços devem se manter os mesmo, diferente do que acontece com o mercado de flores de clima temperado, cujo preço é influenciado pela lei da oferta e demanda e também pelo dólar, já que parte dos insumos são cotados na moeda norte-americana.

O que esperar do futuro?

Gladis e Edson Cassel avaliam que o futuro do mercado de flores tropicais é promissor. “Agora com a retomada dos eventos, abertura de shopping, grandes lojas, a expectativa é que a gente volte ao que era antes, a venda em grandes lotes. Temos em mente que agora de setembro em diante o setor venda muito, porque todos os eventos que não foram realizados no primeiro semestre, ou foram transferidos para o segundo semestre, ou para o início do ano que vem”.

Produção de alpínias na Cassel Flores e Frutos, onde existem 23 variedades de flores tropicais (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

A família Cassel, diante das possibilidades do mercado, pretende dobrar o tamanho da produção nos próximos dois a três anos. “Vamos fazer isso com bastante cautela em razão da água, que ainda é uma questão deficitária, mas precisamos ter em mente que há também necessidade de uma infraestrutura para viabilizar a produção”.

Camila, Mauricio, Neuza  e Jéssica Trevizoli produzem flores tropicais em família e já estão neste mercado há quatro anos (Foto: Arquivo Pessoal)

Jéssica, por sua vez, aposta na vontade que as pessoas estão em voltar a celebrar em grupo no pós-pandemia. “Acredito que vai melhorar muito este mercado porque as pessoas estão com sede de comemorar a  vida. Após este momento a expectativa não poderia ser melhor. Eu até ampliei o meu plantio. 4,2 hectares produtiva. Ampliei o plantio de espécies rosas e branca”.

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