Dengue: MT registra mais de 100 casos todos os dias

Quadro clínico inicial pode ser confundindo com outras doenças, inclusive, a covid-19

(Foto: Pixabay)

Uma forte dor de cabeça e uma dor no corpo, com uma febre inconstante. Quando apresentou esse mal-estar, a vendedora, Sabrina Alcântara Bosa, teve receio de estar contaminada com o coronavírus, novamente. Porém, o diagnóstico foi outro: dengue. Foi a segunda vez em 4 anos que ela contraiu a doença.

O caso da jovem é um dos 22.399 registrados este ano, até o dia 7 deste mês, de acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES). Esse total indica uma média diária de 102 casos.

Em tempos de pandemia, assim que o organismo apresenta qualquer sinal diferente, o primeiro pensamento vai diretamente para a covid-19. Mas há outras doenças que podem apresentar os mesmos sintomas: febre, dor no corpo e cabeça.

Além da dengue, são exemplo disso a chikungunya e a zika, também transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, alerta o médico infectologista e professor da Universidade de Cuiabá (Unic), Tiago Rodrigues.

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Há ainda a malária, febre amarela, hantavirose, influenza e leptospirose, indica a mestre em epidemiologia e doutora em virologia, Ana Claúdia Pereira Terças Trettel, que é ainda professora do curso de Enfermagem da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat).

A especialista explica que para adiantar o diagnóstico é importante que o paciente informe se esteve em zona rural ou silvestre, ou em área exclusivamente urbana no período de 15 dias anteriores ao surgimento dos sintomas.

“É o que chamamos de comportamento epidemiológico, ou seja, o que a pessoa fez antes de adoecer e que pode estar ligado a um comportamento de risco. Isso ajuda o profissional de saúde a suspeitar de mais de uma doença ou outra”, destaca Trettel.

Não se automedique

Imagem: Freepik

Trettel orienta que as pessoas não se automediquem quando tiverem algum sintoma dessas doenças. Há medicamentos que não trarão influência para o quadro clínico, mas outros podem causar o efeito contrário.

“Como a dengue, há remédios podem facilitar que podem ampliar a chance de desenvolver complicações e até apresentar manifestações hemorrágicas”, reforça a virologista.

Por isso, os especialistas apontam que o uso de medicamentos deve ser feito após a prescrição dos profissionais de saúde.

Efeito cíclico

O total de casos já registrados este ano, representa 47% dos 46.848 contabilizados em 2020. As notificações chamam a atenção, mas não representam o pior cenário já vivido pelo Estado com relação a dengue.

Rodrigues lembra que a doença tem um comportamento cíclico, ou seja, um vírus circula e contamina um determinado grupo que ficará imune, até que venha um novo tipo e reinicie o processo de infecção.

“Mas servem de alerta para manter os cuidados e evitar o adoecimento”, diz Trettel.

O que diz o Estado?

A SES reforça que é o atual número de casos da dengue está dentro do estimado. A Pasta lembra que todos os casos, a partir da suspeita, já é notificado para ser acompanhado até o desfecho.

A coordenadora de Vigilância Epidemiológica, Márcia Aurélia Esser Veloso, afirma ainda que todos os municípios têm um plano de contingência das arboviroses urbanas e a orientação é para que sigam esse plano.

As gestões municipais devem ainda realizar campanhas e ações de conscientização da população.

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