Demora nos testes para covid-19 mantém leitos de UTI vazios, afirma defensora

Pelo menos uma pessoa já morreu enquanto aguardava a confirmação do diagnóstico para, só então, conseguir uma vaga

(Fotos: Marcos Vergueiro/ Secom-MT)

Pelo menos uma pessoa já morreu em Mato Grosso enquanto esperava o exame que comprovaria a contaminação pelo novo coronavírus e serviria de “passaporte” para um leito em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) exclusiva para a covid-19.

O caso foi registado durante o plantão da defensora pública Fernanda Soares, coordenadora do Núcleo Cível de Cuiabá.

Ela afirma que a mulher tinha sintomas de doença respiratória grave e não podia ser internada em um leito comum, já que os protocolos de saúde impedem essa medida por conta do risco de contágio aos demais pacientes.

Sendo assim, a única solução eram as vagas exclusivas para covid-19, mas o exame comprovando a contaminação era exigido antes da internação.

“Enquanto não tem o teste, seja ele positivo ou negativo, as pessoas ficam em uma espécie de limbo”, afirma a defensora.

De acordo com ela, os testes chegam a demorar 72 horas para serem feitos, após a Secretaria de Estado de Saúde (SES) ser acionada, seja na forma administrativa ou judicial. Um tempo é muito longo para quem está com “a vida por um fio”.

“Muita gente recebe o resultado depois de morta. Aí não serve para nada, além de estatística”, desabafa.

Dados irreais

Fernanda Soares analisa que a situação mostra uma fragilidade na interpretação dos dados apresentados pelo governo do Estado, principalmente os que mostram que mais de 80% dos leitos de UTI exclusivos para covid-19 estão desocupados.

Na opinião dela, o fato de pessoas estarem precisando das vagas, mas não conseguirem o acesso, mostra que a situação da proliferação do vírus pode estar mais grave do que se apresenta. E, por outro lado, não há como se mensurar os dados reais, porque nem todos os prejudicados procuram a Defensoria Pública ou os meios legais quando são impedidos de serem internados.

“E tem a questão de que os leitos, unificados em um sistema de regulação nacional, podem até servir para atendimento de pessoas de outros Estados, enquanto as pessoas da região padecem sem a internação”.

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O que diz a SES?

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde negou a denúncia feita pela defensora pública. Segundo a Pasta, o resultado dos exames é aguardado com o paciente já internado.

“A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), por meio da Secretaria Adjunta de Regulação, Controle e Avaliação, esclarece que não houve recusa de pacientes com a suspeita da Covid-19, pois esta não é uma conduta prevista nas atividades da Regulação – setor que é responsável por registrar a solicitação e direcionar o caso clínico de acordo com o perfil assistencial de cada unidade hospitalar. A área técnica explica que questiona se o caso é confirmado ou suspeito como forma de transferir o paciente para o setor ideal das unidades hospitalares.

A SES ainda informa que há alas para casos suspeitos nas unidades hospitalares do Estado; fato que justifica os questionamentos da Regulação ao abrir um boletim de transferência. Uma considerável parte dos pacientes aguardam o resultado do exame para Covid-19 já em internação. Portanto, não procede a informação de que o Complexo Regulador só considera pacientes com o diagnóstico de coronavírus.”

Como posso ser atendido pela Defensoria?

O atendimento presencial está suspenso por conta de recomendações dos órgãos de saúde, contudo, as pessoas podem buscar o serviço por telefone, e-mail e até WhatsApp.

Clique aqui para ter acesso ao atendimento on line.

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