Demanda por alimentos contribui para crescimento do agronegócio na pandemia

Mudança na rotina e as pessoas passando a comer menos fora de casa influenciou na corrida por alimentos nos supermercados

Enquanto alguns setores ainda tentam se recuperar da crise econômica causada pela pandemia, o agronegócio registra crescimento de receita, impulsionado pela alta demanda por produtos, principalmente grãos.

Segundo o professor Lucílio Alves, pesquisador da equipe de grãos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP, durante a pandemia houve aumento da demanda por alimentos no Brasil e no mundo. A mudança ocorreu justamente por conta da alteração de rotina, já que as pessoas passaram a comer menos fora de casa.

A alta, segundo os especialista tem origem internacional, com a restrição de alguns países sobre importação e exportação, o que fez com que os preços internacionais subissem. No mesmo passo, cresceu a demanda dos alimentos, de modo a impactar positivamente as vendas do Brasil para o exterior.

“No caso de grãos, é importante lembrar que temos as cotações formadas em contexto internacional. Há uma forte integração entre os países para que a oferta e a demanda prevaleçam na formação dos preços. Isso traz, consequentemente, aumento de preços no varejo, no atacado, nas unidades beneficiadoras e chega aos produtos”, explica o professor.

2020 e 2021

Apesar de problemas climáticos no primeiro semestre do ano, principalmente na região Sul do País, que sofreu com secas, o campo teve boa produtividade de maneira geral. O câmbio, a alta demanda e o fortalecimento das exportações de grãos tiveram papel fundamental para o crescimento do agronegócio durante a pandemia.

Em 2020, Mato Grosso liderou como maior produtor nacional de grãos, com uma participação de 28,9%, seguido pelo Paraná (16,0%), Rio Grande do Sul (10,5%), Goiás (10,3%), Mato Grosso do Sul (8,0%) e Minas Gerais (6,3%), que, somados, representaram 80,0% do total nacional.

A expectativa agora é que a colheita das safras de verão de 2021 possa contribuir para o ajuste de preços em contexto nacional. “Espera-se que no primeiro trimestre de 2021 nós tenhamos um ajustamento de preços, uma pressão sobre essas cotações e que a população possa sentir menos”, finaliza.

A primeira estimativa da produção nacional de grãos do IBGE para 2021 prevê uma safra de 253,2 milhões de toneladas, com alta de 0,5% (ou mais 1,248 milhão de toneladas) em relação a 2020.

(Com Jornal da USP)

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