Delegado pede ajuda da população e diz que “muita gente morreu por falta de atendimento”

Investigação aponta que empresas se organizavam para se manter no controle da saúde municipal

Delegado Lindomar Tofoli teria sido transferido após denúncia (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

A população mato-grossense pode ajudar a Polícia Civil a acabar com um esquema criminoso envolvendo grandes empresas do ramo da saúde, segundo o delegado Lindomar Tófoli. Ele é o responsável pela segunda fase da Operação Sangria, deflagrada na manhã desta terça-feira (18), que resultou na prisão de oito pessoas, incluindo o ex-secretário de saúde de Cuiabá, Huark Douglas Correia, apontado como líder da organização.

De acordo com o delegado, o esquema entre as empresas Proclin, da qual Huark fez parte, Qualycare e Prox Participações, se dava por meio de diversas frentes. Entre as apuradas estão ações para impedir que licitações não tivessem andamento, interferindo diretamente na Secretaria Municipal de Saúde, além de fraudes na Pasta.

Indignado, Lindomar pediu que a população procure as delegacias de polícia para denunciar qualquer caso de falta de atendimento médico, resultando em morte, pelas quais parentes possam ter passado. Para ele, a situação mais grave não se trata dos valores que foram pagos às empresas, mas, sim, dos serviços que não foram prestados à população.

[featured_paragraph]“Nós sabemos que muita gente chegou a falecer, morrer por falta de atendimento médico, e tem muita gente na fila sem receber atendimento. Eu peço, como representante da Polícia Civil do Estado, como cidadão, principalmente, que colaborem. Isso é inaceitável”, disse. [/featured_paragraph]

De acordo com o delegado, qualquer pessoa da família que tenha perdido algum parente por falhas no atendimento público de saúde pode procurar as delegacias para denunciar. “É de fundamental importância para que a gente enriqueça a investigação e leve ao Judiciário a prova mais próxima possível do que é que realmente aconteceu”, finalizou.

Investigações

Além do ex-secretário, também foram alvos da operação desta terça-feira médicos, servidores e o ex-secretário-adjunto Flávio Taques, que é, até o momento, considerado foragido pela polícia.

Segundo o delegado, a equipe atua na investigação de esquemas desde a gestão passada, usando como margem de tempo os últimos seis anos. No entanto, até o momento, não há indícios que liguem nem o ex-prefeito e governador eleito, Mauro Mendes, e nem o atual prefeito Emanuel Pinheiro, aos esquemas.

Depois da deflagração da operação, o prefeito Emanuel Pinheiro determinou que o atual secretário de Saúde, Luiz Antônio Possas de Carvalho, e servidores colaborem com as investigações.

Para subsidiar as investigações, a equipe também contou com o relatório emitido pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, que apurava denúncias de gestão temerária e fraudes na Secretaria Municipal de Saúde. A medida foi movida na Câmara Municipal e teve o relatório encaminhado ao Ministério Público do Estado (MPE).

Posteriormente, o Ministério Público Federal (MPF) recomendou o afastamento do médico da Prefeitura. Ele pediu exoneração no dia seguinte.

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