Delação de Alan Malouf: Brustolin e Modesto exigiram quase R$ 2 milhões para assumir secretarias

A suposta cobrança de propina foi citada na delação do empresário Alan Ayoub Malouf obtida com exclusividade pelo LIVRE

Os ex-secretários estaduais do governo Pedro Taques (PSDB) Paulo Brustolin e Júlio Modesto teriam recebido quase R$ 2 milhões em “propina” paga por empresários, a pedido do governador, ao longo de 2015.

De acordo com a delação premiada do empresário Alan Ayoub Malouf, na Operação Rêmora, obtida com exclusividade pelo LIVRE, só para assumir o cargo de secretário de Fazenda, Brustolin teria exigido o montante de R$ 500 mil, além de um complemento salarial de R$ 80 mil, que teria sido pago entre janeiro e dezembro de 2015.

Com uma renda mensal de cerca de R$ 60 mil como executivo da Unimed Cuiabá, o ex-secretário teria condicionado sua saída da iniciativa privado ao complemento salarial. Já Modesto, teria recebido, no mesmo período, R$ 25 mil por mês para assumir a Secretaria de Gestão.

Os pagamentos, segundo a delação, foram feitos por Alan Malouf, Marcelo Malouf, Erivelton Gasques e Juliano Bortoloto, a pedido do próprio Taques. O grupo de amigos/empresários do governador teria resolvido ratear os valores, que se daria a título de empréstimo, também a pedido do gestor do Executivo.

[related_news ids=”95005,108510″][/related_news]

O ressarcimento desse empréstimo seria feito por meio de esquemas de desvio de dinheiro público, como o que desencadeou a Operação Rêmora, deflagrada pelo Ministério Público Estadual (MPE), após flagrar um cartel de empresas que superfaturava obras de construção e reforma de escolas na Secretaria de Estado de Educação (Seduc).

Em dezembro de 2015, porém, o grupo ainda não teria recebido o empréstimo contraído durante a campanha e decidiu cessar os pagamentos. Alan Malouf diz ter procurado o governador e informado sobre a decisão. Ele teria concordado e dito que encontraria uma “solução para o problema”.

A delação tem 20 anexos, cada um relatando um suposto episódio do esquema fraudulento que resultou na deflagração da operação, que investiga um esquema de fraudes em licitações de obras de escolas em Mato Grosso, na gestão do ex-secretário estadual de Educação Permínio Pinto (PSDB). O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo da delação nesta sexta-feira (19).

Outro lado

A defesa do ex-secretário Paulo Brustolin informou, por meio de nota, que a citação de seu nome na delação do empresário causou estranheza e indignação, uma vez que jamais teria feito qualquer pedido para assumir a posta ou cometido qualquer irregularidade e que tomará as medidas cabíveis.

Confira a nota na íntegra:

O advogado do ex-secretário Paulo Brustolin, Vinicius Segatto, vem a público informar que causou enorme estranheza e indignação ao seu cliente o surgimento de seu nome ligado a uma delação premiada firmada pelo empresário Alan Malouf.

Segatto afirma que Brustolin jamais fez qualquer pedido para assumir a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz/MT), ao qual ficou a frente durante 18 meses e se dedicou integralmente, jamais cometendo qualquer tipo de irregularidade, tendo pautado sua atuação pelos princípios da ética, transparência e legalidade que inclusive o norteiam ao longo dos últimos 20 anos em que atua na iniciativa privada, para onde retornou após dar sua contribuição à administração pública.

Quanto à sua postura e seus princípios morais não há razões para questionamentos, pois, sempre atuou com lisura e honestidade e, por esse motivo, qualquer afirmação contrária é vil e leviana.

Por fim, Segatto lembra que ao longo do período em que seu cliente esteve na Sefaz, todos os trabalhos desenvolvidos em prol de Mato Grosso contaram com o conhecimento, a participação e a chancela dos órgãos de controle.

No intuito de elucidar os fatos e restabelecer a verdade, a defesa informa que tomará as medidas cabíveis.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros





Aceito que meu nome seja creditado em possíveis erratas.

1 COMENTÁRIO

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigo anteriorCampanha eleitoral é dominada por troca de acusações sobre fake news
Próximo artigoDelação de Alan Malouf: empresário vai pagar R$ 5,5 milhões, em 10 vezes, por acordo