Defensoria cita centralização de UTIs e pede que governo atualize plano contra covid-19

Estudo mostrou que, enquanto região de Cuiabá tem 4 leitos a cada 10 mil pessoas, 340 mil habitantes têm que "dividir" quatro vagas

Imagem Ilustrativa (Foto: Freepik)

A Defensoria Pública de Mato Grosso quer que o governo do Estado esclareça como vão funcionar os 326 leitos específicos para pacientes do novo coronavírus. A preocupação é com a centralização da assistência médica.

Uma ação civil pública foi protocolada, solicitando com urgência a atualização do Plano Estadual de Contingência para combater a covid-19.

“Nosso pedido principal é que o Estado demonstre, por meio de documentos, a operacionalização e o efetivo funcionamento desses 326 leitos para todo o Estado, principalmente para os municípios com pacientes críticos e que não têm leitos de UTI”, destacou o defensor Jardel Marquez.

Um estudo da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), divulgado no último dia 17, apontou que o Estado até atende a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) quando se trata de quantidade de leitos de UTI. O problema é a desigualdade entre as regiões.

Segundo a OMS, é preciso haver de 1 a 3 leitos de UTI para cada grupo de 10 mil habitantes. Mato Grosso tem 2,16.

Desigualdade regional

Mas enquanto em Cuiabá a relação é de 4,16 leitos para cada grupo de 10 mil pessoas, na região de Porto Alegre do Norte (que fica a mais de 1,1 mil km da Capital) a proporção é de 0,22.

O estudo da UFMT mostrou ainda que duas regiões do Estado – os entornos de Água Boa e São Félix do Araguaia – não têm um leito de UTI sequer. São 13 municípios, que totalizam mais de 120 mil pessoas, completamente desassistidos.

E como se já não fosse o bastante, essa área ainda está compreendida entre a região de Porto Alegre do Norte e Barra do Garças (516 km de Cuiabá) – conhecida como Vale do Araguaia -, onde a taxa de leitos de UTI é baixíssima.

Em Barra do Garças, o indicador é de 1,1 leito a cada 10 mil habitantes.

Conforme a UFMT, somados todos os leitos de UTI disponíveis nesses municípios, há 16 vagas de internação para tratamento de casos graves da covid-19 para uma população de quase 340 mil pessoas.

Novos leitos

Desde que a pandemia do coronavírus foi oficializada, o governo de Mato Grosso vem anunciando a criação de novos leitos, tanto de enfermaria, quanto de UTI. Em meados de abril, o governador Mauro Mendes (DEM) disse que seriam mais de 1 mil só para pacientes da covid-19.

A principal ação nesse sentido tem sido a construção de uma nova ala no Hospital Metropolitano de Várzea Grande – vizinho de Cuiabá. Lá, o governo deve implantar 30 novas UTIs e 180 leitos clínicos.

Para o defensor público Jardel Marquez o principal questionamento é como será o transporte de pacientes em estado grave do Vale do Araguaia, por exemplo, para a Capital.

“O Estado tem que esclarecer como esse cidadão será atendido, por qual meio de transporte, em qual leito de UTI, onde esses leitos vão estar disponíveis para todo o Estado”.⠀⠀
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(Com Assessoria)⠀⠀⠀⠀⠀⠀

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