De médico a “farmacêutico”: cubano que ficou em MT após o fim de programa quer voltar a atuar

A pandemia do novo coronavírus fez crescerem as chances de profissionais do Mais Médicos voltarem à ativa

Imagem ilustrativa

Há mais de um ano, o cubano Jandry Torres Morales deixou de atuar como médico em um posto de saúde de Rondonópolis (218 km de Cuiabá). Ele era vinculado ao Programa Mais Médico, criado para resolver o déficit de profissionais da saúde nos municípios brasileiros, em especial os do interior. Com o fim da parceria entre o país dele o Brasil, Jandry se tornou auxiliar de farmacêutico.

Agora, com a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, ele pode ser convocado para o combate à doença.

“Decidi ficar no Brasil porque vi um país em desenvolvimento, com grandes perspectivas para o futuro. Acho que, apesar de todos os acontecimentos e todas a dificuldades, a escolha foi a certa”, afirma.

Assim como outros profissionais cubanos, Jandry decidiu ficar no Brasil na esperança de fazer o Revalida (Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituições de Educação Superior Estrangeiras).

No final de março, o Ministério da Saúde publicou um edital de chamamento dos profissionais médicos cubanos que permaneceram no Brasil após o rompimento da cooperação entre os países.

O prazo da reincorporação é de dois anos improrrogáveis.

O sonho de voltar a trabalhar como médico é uma certeza para Jandry. “A minha missão na vida é ajudar as pessoas”, diz. Por enquanto, ele segue estudando.

Em Mato Grosso, o projeto de reincorporação dos cubanos oferta cinco vagas. Elas estão distribuídas nos municípios de Araputanga, Barra do Garças, Colíder, Juara e Tangará da Serra.

A ideia de Jandry é se inscrever, mas de cara a burocracia o impede.

Segundo ele, uma lista divulgado pelo Ministério da Saúde contemplava médicos estrangeiros que não moram mais no Brasil.

“O que acontece são países clamando por ajuda. O Brasil tem essa ajuda e não aproveita”, pontua.

(Foto: Arquivo Pessoal)

Chegada no Brasil

Jandry é clínico geral e se formou em 2006. O cubano, com especialização em Saúde Familiar e pós-graduação em Doenças Sexualmente Transmissíveis, chegou no Brasil em 2014. Na época, começou a trabalhar no PSF Vila Mamed.

Aos poucos, os desafios foram sendo vencidos. Entre eles: acostumar ao jeito de trabalhar dos profissionais brasileiros e a língua diferente.

“No início, era tudo muito incerto, não sabia como ia ser o trabalho, mas pouco a pouco fui conquistando o carinho de cada membro da equipe e das pessoas da comunidade”, lembra.

Jandry não chegou a passar dificuldades após deixar o programa Mais Médicos. A rotina mudou, mas as amizades feitas na comunidade o ampararam.

“Arrumei emprego em uma farmácia. Me adotaram como família e foi de grande ajuda”.

Outros profissionais não tiveram a mesma sorte. Após deixarem o programa, muitos foram trabalhar como pedreiro, vendedor de espetos e alguns chegaram a viver em situação de rua.

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