De Cuiabá ao Alasca de carona, viajante pede ajuda “para não morrer de frio”

Há dois anos, Gabriel Dias não esperou o réveillon para colocar um sonho em prática. Conheça a incrível jornada de 70 mil km

De carona, Gabriel vive uma saga rumo ao Alasca; imagens são inspiradoras

Ele está acostumado a passar calor. Ficar exposto a um frio de 40 graus negativos – cuja sensação térmica de -53° C -, é a primeira vez. De carona, o jovem Gabriel Dias saiu de Cuiabá rumo ao Alasca, nos Estados Unidos, para viver um sonho: ficar de frente à Aurora Boreal.

Já com as finanças limitadas, por conta da longa jornada por 22 países, nesta semana, ele deu início a uma “missão” para não morrer de frio: criou uma campanha no site de financiamento colaborativo, Vakinha.

O dinheiro é para comprar roupas e equipamentos especiais para vencer as baixíssimas temperaturas.

Viajando desde agosto de 2017, na primeira fase passou por cidades de mais de 20 estados brasileiros e de 13 países da América do Sul.

Pelos seus cálculos, em dois anos, Gabriel percorreu mais de 70 mil km de bicicleta e carona.

Atraído pelo mapa

A história é longa. Em 2017, Gabriel estava no escritório em que trabalhava em Cuiabá e começou a olhar o mapa mundial. Foi atraído pelo Alasca.

“Lá na ponta. E ficou na minha cabeça: ‘eu tenho que ir para lᔑ.

Mas sobrevoar o longo trajeto não era bem o que ele esperava. Gabriel queria também pisar por todos os países que estão na rota até chegar lá.

“Tentei fazer de carro, mas não deu muito certo por conta de problemas financeiros com a minha empresa. Muitas coisas deram errado e acabei indo de carona”, ele conta.

“Na primeira [etapa da jornada] passei por 13 países da América do Sul. Depois voltei para Mato Grosso, peguei uma bicicleta e fui até Venezuela. Fui surpreendido com a crise política, corri risco de vida. Voltei de novo e fiquei muito frustrado, porque meu objetivo era ir de bicicleta até o Alasca”, relembra.

Depois de dias difíceis, Gabriel sentiu-se impotente e triste. Mas decidiu que não recuaria do desejo de realizar o sonho de ir até o extremo Norte do mundo.

“Meu pai mora em um sítio em Brasnorte (a 580 km de Cuiabá). Fui até a porteira, levantei o polegar e peguei a primeira carona até Sapezal”.

(Foto: Arquivo Pessoal)

Só mais 3,5 mil km…

Depois disso, Gabriel foi até Rondônia, Acre, Peru, Equador, Colômbia, Panamá, Costa Rica…

“Depois Nicarágua, Honduras, El Salvador, Guatemala, México”, ele enumera. “Atravessei os Estados Unidos de carona até com a polícia. Agora cheguei ao Canadá”.

Cada dia mais perto de seu objetivo inicial, ele diz que só tem um problema: “estou muito perto do Alasca, mas não tenho como ir mais para o Norte. Enquanto aqui no Canadá está 6° C, lá e está -40°”.

Apesar do “contratempo”, Gabriel permanece empolgado. Diz que quer explorar cada pedacinho de seu destino final. Com otimismo, lembra que, dos mais de 16 mil km que tinha pela frente em 2017, só faltam uns 3,5 mil km. Nas contas dele, “mais quatro dias pegando carona”.

Por lá, ele planeja ficar uns seis meses, o tempo permitido pelo visto.

Mais de 10,6 mil seguidores acompanham a saga em sua conta no Instagram (@GabrielViajou). E ele acaba de criar um canal no YouTube para mostrar imagens da grande aventura que está vivendo.

Em 2016, nascia o mochileiro

“Com toda a ansiedade que estou sentindo, lá se vão três dias sem dormir, já fico pensando no que vai ser depois que isso acontecer”.

É que em 2016, o jovem empreendedor – à época, já à frente do próprio negócio – vendeu um apartamento e trocou a comissão em uma caminhonete.

“Eu a troquei em 3 mil sacos de milho. Isso era março de 2016. Mas como ele [o comprador] só ia me entregar em setembro, comecei a pesquisar possíveis compradores, até que chegou uma hora que eu tinha mais comprador do que milho”.

Foi assim que Gabriel começou o negócio de comprar e vender milho. E também como ele descobriu que o que ele queria mesmo era viajar. “Viajei por 20 Estados procurando os clientes”.

Nesse meio tempo, ele começou um relacionamento, foi morar em São Paulo e começou a planejar a viagem (aquele momento em que estava observando o mapa-múndi na parede).

“Viajando tanto eu percebi tanta coisa diferente, que comecei a pensar: ‘se no Brasil tem tanta diversidade cultural, imagina por esse mundo afora. E isso despertou em mim a vontade de conhecer mais”.

Eis uma certeza: Gabriel só está começando.

Quer ajudá-lo? Clique aqui e faça sua colaboração no site Vakinha.

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