Sem internet, sem auxílio: como alunos da rede pública estudam durante a pandemia?

Guilherme, 17 anos, divide o único celular da casa com as duas irmãs. Ludmila preferiu se virar sozinha, com a amiga a depender do governo

(Foto: Reprodução)

Guilherme tem 17 anos. Cursa o terceiro ano do ensino médio na Escola Estadual José Magno, no Bairro Duque de Caxias, em Cuiabá. Em 2020, deve fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para tentar ingressar em uma universidade.

Seu sonho é cursar Teologia e se tornar padre. Mas acessar o conteúdo que a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) disponibilizou para os estudantes enquanto as escolas permanecem fechadas só é possível quando a família tem dinheiro para colocar crédito no único celular da casa.

Um aparelho que Guilherme divide com as duas irmãs – uma de 7 anos e outra de 11 – que também não podem ir à escola.

A mãe deles, Mirian – 37 anos – está desempregada e vive de bicos.

“É meio difícil ter que ficar sempre colocando crédito no celular. Não é toda hora que a gente tem dinheiro”, ela conta. A cada recarrega, são gastos entre R$ 15 e R$ 20 que duram pouco para os três filhos.

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Guilherme começa a rotina de estudos adaptada às 7h da manhã e segue até às 11h – mesmo período que a irmã mais nova. Durante a manhã, os dois revezam o celular. Já de tarde, o aparelho é ocupado pela outra irmã.

Preocupada com o futuro dos filhos, Mirian espera ações mais efetivas dos governantes.

“Espero que o governo crie ações para facilitar para gente. Não penso só em mim. Conheço outras mães que estão na mesma situação”, ela sustenta.

O que diz a Seduc?

O governo de Mato Grosso afirma quem tem disponibilizado ferramentas para que os alunos do ensino médio continuem estudando durante o isolamento social.

Entre as ferramentas está o aplicativo Pré Enem Digital. Um App que permite a organização de um plano de estudos das diversas áreas de conhecimento.

Ludmila – outra estudante do 3º ano do ensino médio com quem o LIVRE teve contato – afirma ter dificuldades com o material disponibilizado por lá. E o problema dela, ao contrário do de Guilherme, não é falta de dinheiro.

“É muito confuso. Toda vez que entro, não tem nenhum material, por isso, deixei de acessar”, ela afirma.

Agora, por conta própria, Ludmila e uma colega criaram o próprio cronograma de estudo e, juntas, procuram videoaulas na internet.

Por causa da dificuldade, a expectativa com o Enem deste ano é baixa. A pretensão dela é fazer uma graduação em logística.

Para os alunos que não têm acesso à internet, as unidades escolares deveriam oferecer apostilas impressas. Ludmila afirma que procurou a Escola Estadual João Brienne de Camargo, onde estuda, mas não pode pegar o material impresso. E o motivo foi o fato de ela ter acesso à internet.

Ofício da Defensoria

Em ofício encaminhado à Seduc, a Defensoria Pública de Mato Grosso solicitou informações sobre a continuidade das aulas no período da pandemia de coronavírus.

O governo do Estado deve responder como estão sendo realizadas as atividades pedagógicas durante o período de isolamento.

O plano de retorno às aulas presenciais também deve ser encaminhado.

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