|terça, 22 maio 2018

    “Dário Matador de Taxistas”, o serial killer que foi morto pelo DOPS

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    Francisco Chagas Rocha/Arquivo Pessoal

    Dario Matador de Taxista

    Recorte de jornal da época cedido pelo colecionador e pesquisador autodidata Francisco Chagas Rocha

    Naquele domingo do mês de dezembro de 1977, o taxista Juraci Ferreira pegou uma corrida inusitada. Uma mulher jovem, que se identificou apenas como “Edna Fátima”, pediu que ele a levasse para um clube na estrada que liga Cuiabá ao município de Santo Antônio de Leverger.

    Depois de alguns quilômetros rodados, Juraci parou o táxi a pedido da mulher desconhecida. Fátima saiu do veículo com a justificativa de que iria urinar em uma das margens da estrada. Dois bandidos que estavam na beira da via saltaram no táxi logo em seguida. Juraci ainda resistiu e lutou, só sucumbiu depois dos tiros.

    “Os caras estavam no mato esperando. Moacir e o Dário. Eles não roubaram nada. Só mataram. Meu pai lutou, ele era um baixinho forte e resistiu bastante, mas eles estavam em três. Ele morreu com um tiro na nuca e outro no rosto”, contou Alcy Martins Ferreira, que tinha 16 anos quando viu o pai ser morto.

    O taxista tornava-se a última vítima de Dario Ferreira de Amorim, conhecido popularmente como “Dario, Matador de Taxistas”. O serial killer fez cerca de três mortes entre dezembro de 1977 e fevereiro de 1978 em Cuiabá.

    Busca desesperada

    Fátima e Moacir – que eram irmãos – foram os primeiros a serem presos pela polícia. Mas Dario resistia às constantes investigadas dos agentes. Apesar do contingente debilitado, os policiais se deslocavam ao interior do estado na tentativa de capturar o assassino.

    As mortes também causaram alvoroço na população cuiabana, o que confundiu ainda mais a polícia. Ligações de gente que dizia ter visto o assassino em cada canto cidade acabavam de forma tragicômica, como no caso relatado pelo jornal Diário de Cuiabá:

    “Uma [denúncia] quase envolve fatalmente um investigador da Central de Polícia que se encontrava dando serviço na redondeza do bairro Ribeirão quando alguns populares o confundiram com Dario e chamaram a RP [Rota Policial] que de chofre cercou o local, terminando por dar voz de prisão ao investigador, que depois de identificado ficou tudo esclarecido não se tratar de Dario”, conta trecho de uma reportagem. 

    Vingativo ou maníaco?

    A família de Dario veio da zona rural do município de Jangada. Olga Bernardino, que o conheceu na infância, diz que o pai de Dario era seringueiro e a mãe cozinheira. Ambos trabalhavam na fazenda dos pais de Olga, que hoje tem 67 anos. Ela diz não se lembrar de que Dario fosse cruel ou maldoso quando pequeno como mais tarde se revelaria.

    “O pai dele trabalhava no seringal da fazenda e a mãe dele cozinhava, eles estavam sempre lá em casa. Mais tarde é que o pai morreu e eles se mudaram para Cuiabá. Era um menino normal”, relembra. 

    A relação de Dario com a criminalidade começa em Cuiabá, quando ele, a mãe e a irmã se estabeleceram nas proximidades Palácio das Águias, um prostíbulo localizado no Morro da Luz, demolido apenas no final da década de 1970.

    A partir daí duas explicações se seguem sobre a vocação do criminoso para matar. Enquanto uns dizem que ele só se tornou assassino depois que a irmã foi violentada por um taxista, outros argumentam que Dario sofria de transtornos mentais.

    A segunda hipótese era a mais defendida pela polícia. Não à toa, os policiais contaram a imprensa que quando Dario foi capturado e interrogado sobre a razão dos homicídios ele teria explicado as mortes com a seguinte frase: “Eu só mato quando me dá na cabeça”.

    Morto pelo DOPS

    O medo aumentava na cidade e a cada novo taxista morto maior era o número de veículos e profissionais que se aglomeravam para velar o corpo do colega e jurar morte a Dario. O sentimento também se repetia entre os familiares dos mortos.

    “Tenho tanta saudade do meu pai quanto vontade de matar aquele vagabundo pela segunda vez. Eu tinha 14 anos na época e saía na rua jurando morte e querendo encontra-lo para matar”, conta Alcy, que se tornou policial depois do assassinato do pai taxista.

    Foram mais de dois meses de perseguição até que os policiais do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) conseguiram capturar Dario. Um comparsa teria indicado que o assassino estava em um sítio no município de Nossa Senhora do Livramento. A versão oficial da época foi a de que ele foi morto depois de reagir à prisão.

    “Dario após vestir-se estava sendo conduzido para a Veraneio do DOPS, quando num gesto rápido mostrando toda sua astúcia e habilidade para o crime […] deu dois tiros que por felicidade atingiram apenas a viatura, não tendo então, os policias, outra alternativa, senão trocar tiros com o famigerado assassino que mortalmente ferido tombou na terra dura”, diz trecho da edição do dia 24 de fevereiro de 1978 do Diário de Cuiabá.

    Segundo Alcy, que diz ter acompanhado de perto as investigações do assassino do pai, o serial killer foi realmente baleado em Livramento, mas especificamente na Fazenda Maracanã. Mas de acordo com ele não houve qualquer reação de Dario. 

    “A polícia naquela época não era técnica. Era faro, não tinha recursos. Ele deu muito baile nos policiais e quando o pegaram ele foi metralhado dormindo na rede, na chácara”, contou ele.

    O corpo de Dario foi velado na Delegacia do Porto, sob os protestos de taxistas que ameaçavam queimar o morto. Às 10 da manhã daquele domingo, o morto foi levado e enterrado no Cemitério do Cristo Rei, em Várzea Grande. 

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