Cuiabanos sofrem com os efeitos da chuva forte

Enquanto contabilizam os prejuízos e pensam no que fazer daqui para frente, os moradores de áreas de risco cobram providências do poder público

Silvia Cléia da Silva e o filho Rodrigo Ezequiel Nonato da Silva mostram a altura que a inundação na casa atingiu na noite de sexta-feira (Natália Araújo / O LIVRE)

A marca de água na parede e os objetos molhados amontoados no meio da sala, com os traços de lama em parte do quintal, denunciam como foi a noite dessa sexta-feira (25) para os moradores de áreas de risco em Cuiabá. O Corpo de Bombeiros contabilizou 10 ocorrências, sendo a maioria delas relacionada a enchentes. Agora, após a forte chuva que assolou a Capital, as famílias contabilizam os prejuízos e cobram providências urgentes do poder público.

A chuva começou a cair por volta das 19 horas e Silvia Cléia da Silva, de 42 anos, viu a água do córrego nas proximidades entrar em casa, na rua Q, antiga Canta Galo, no bairro Planalto. Em certo momento, a enchente recuou, mas, depois, voltou com força total e aí não teve como segurar.

“Minha preocupação foi só tirar a minha mãe, de 83 anos, e minha neta, de dois, daqui. Elas foram para a igreja aqui perto. Depois, eu deixei a casa aberta e a água tomou conta de tudo”, relata. “Chegou até aqui”, mostra, apontando a marca na parede. “Aqui na parte mais baixa e também na rua chegava na cintura, foi assustador”, comenta.

Na manhã deste sábado (26), Silvia, junto com o filho Rodrigo Ezequiel Nonato da Silva, de 20 anos, contabilizava o prejuízo de mais uma enchente. A dona de casa conta que, no ano passado, teve uma outra enchente e a família perdeu muitas coisas. Agora, lá se vão mais outros tantos pertences.

“Meu fogão, por exemplo, eu ainda estava pagando. Aqui é complicado, não podemos comprar nada porque acabamos perdendo”, diz.

Promessas antigas

Rua Q, antiga Canta Galo nunca recebeu asfalto e, durante a chuva, ficou tomada pelas águas do córrego da região (Foto: Natália Araújo / O LIVRE)

Silvia cresceu no bairro e desde cedo ouve as promessas de benfeitorias, mas os compromissos anunciados em época de campanha política nunca foram cumpridos. A antiga rua do Canta Galo não tem asfalto e o córrego ali perto é marcado pelo mau cheiro e lixo nas encostas.

“Na hora da eleição tem um monte de gente aqui, mas na hora de sofrer é na solidão”, pontua a dona de casa. “Ninguém veio aqui até agora [na manhã de sábado] e não podemos ficar assim mais, não temos como sair daqui, da nossa casa”, reforça preocupada.

Apreensão como companheira

O tempo fechado e a previsão de novas chuvas para o final de semana deixam Manoel Soares dos Santos, de 49 anos, apreensivo. Morador da rua Leopoldino Marques do Amaral, no 3 Barras, em 18 anos, relata nunca ter passado por uma situação semelhante.

“A Prefeitura está fazendo uma obra aqui perto [na rua Um], foi aberto um buraco ali e água agora pode descer com tudo”, conta.

Na rua Leopoldina Marques do Amaral, no bairro 3 Barras, os efeitos da chuva ainda eram visíveis (Fonte: Natália Araújo / O LIVRE)

A expectativa é por uma estrutura melhor no bairro, que ganhou obras de galerias fluviais na região próxima de onde Manoel reside. Porém, o projeto não contemplou a rua Leopoldino, que aguarda também o asfalto, que pode ser visto ali perto, na avenida principal do bairro.

O resultado disso foi a casa tomada por água e lama. No momento mais crítico, um rio se formou dentro do imóvel. Ainda de manhã, os pés eram cobertos pela água suja. “Perdemos tudo o que tínhamos”, frisa.

Na casa de Manoel Soares dos Santos, ainda nesta manhã de sábado, a água não tinha escoado completamente (Foto: Natália Araújo / O LIVRE)

Ocorrências registradas

O Corpo de Bombeiros contabilizou, nesta sexta-feira, 10 ocorrências, sendo duas no Dr Fábio e o restante no 1º de Março, Jardim Imperial, Carumbé, Morada da Serra, Planalto e 3 Barras.

Em um dos registros no Doutor Fábio, a casa foi tomada pela água e no imóvel tinham crianças pequenas, sendo uma delas um bebê de colo recém-nascido. Os militares foram até o local para resgatar as pessoas e levá-las para um lugar seguro.

No bairro Morada da Serra, os bombeiros resgataram ocupantes de um veículo.

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Previsão de novas chuvas

No córrego da região do 3 Barras, as águas estão com uma correnteza forte, e o mau cheiro toma conta do ar e o lixo, das margens (Foto: Natália Araújo / O LIVRE)

A Defesa Civil do Estado emitiu um alerta de risco de chuvas para Mato Grosso. Conforme o aviso, poderá chover entre 30 e 60 milímetros por hora e 50 a 100 mm por dia. Os ventos poderão alcançar velocidade de 60 a 100 km/h.

Em caso de emergência, os telefones de contato são 193 e 199.

O que diz a Prefeitura de Cuiabá?

Por meio de nota, a Prefeitura de Cuiabá informa que designou equipes técnicas para irem até os locais apontados.

Além disso, equipes da Defesa Civil atuam em conjunto com os Bombeiros no monitoramento e atendimento às famílias de áreas de risco. O poder público estima que 7 mil famílias vivem nesses pontos de risco.

O Município afirma que foram realizadas limpezas nos córregos dos bairros Dr Fábio e 3 Barras. As ações resultaram em coleta de 10 toneladas de lixo.

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Confira a nota na íntegra:

A Prefeitura Municipal de Cuiabá esclarece que:

– Em relação às manifestações de moradores sobre pontos de alagamento durante o período de chuvas, a Secretaria Municipal de Obras Públicas esclarece que após ter conhecimento, designou uma equipe técnica para comparecer aos locais informados.

– Informa também que Empresa Cuiabana de Zeladoria e Serviços Urbanos (Limpurb) já realizou a limpeza do córrego do bairro Dr. Fábio neste ano. O córrego do Bairro Três Barras também já recebeu ação de limpeza da empresa. Na ocasião, foram retiradas aproximadamente 10 toneladas de lixo de dentro do córrego. Entretanto, devido grande ao volume de chuva registrado nesta sexta-feira (25), houve menor vazão da água dos córregos.

– A Limpurb reitera que o trabalho de limpeza do Município é realizado de forma contínua a fim de evitar maiores prejuízos à população, mas durante a temporada de chuva ocorre um aumento considerável no número de demandas;
– Com o período de chuvas intensas, a Defesa Civil de Cuiabá intensificou o monitoramento das áreas de risco para alagamentos e inundações;

– No total, 11 brigadistas atuam em conjunto com equipes do Corpo de Bombeiros Militar no monitoramento e atendimento as cerca de 7 mil famílias que vivem em uma área de aproximadamente 1.300 ha, na sua grande maioria, nas proximidades de córregos e margens de rios.

– As equipes realizam o acompanhamento de vários pontos da Capital, como a região do Ribeirão do Lipa, São Gonçalo, Barbado, Bairro São Mateus, Altos da Serra, Dr. Fábio.
– Em caso de emergência, a Defesa Civil disponibiliza para atendimento à população o telefone 3623 9633 ou WhatsApp 99310-8810, ou ainda o 193 para o Corpo de Bombeiros Militar.

– A Gestão Emanuel Pinheiro reitera que não tem medido esforços para amenizar os prejuízos causados à população no decorrer da temporada de chuvas, no entanto, a demanda tem sido superior a oferta de serviços. O Executivo Municipal reforça que após término das chuvas, as ações preventivas nos pontos de alagamentos serão intensificadas por toda a cidade.”

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