Cuiabanos que moram fora do Brasil contam como o coronavírus mudou a rotina deles

Alguns deles têm enfrentado desafios já que os países onde moram hoje, foram fortemente atingidos pela crise do coronavírus

Cuiabanos que vivem em outros países contaram à viajante Talita, sobre suas experiências (Reprodução/Instagram)

Muitos cuiabanos que moram no exterior têm vivenciado situações diferentes em seu cotidiano diante das medidas adotadas em cada um dos países em que estão. Três deles compartilharam suas experiências com Talita Meurer*, que viaja em tempo integral a bordo de um motorhome pela Europa.

Ela mantém o instagram @LiloMochileira, onde conta sobre seus dias e personagens que encontra pela jornada de viagem ao lado do marido e a golden retriever, Lilo.

Ao compartilhar com Talita sua experiência em tempos de coronavírus, a jovem Luciana Akemi que mora hoje em Lisboa, contou que graças a restrições severas no início da pandemia, o país tem registrado baixos índices de casos.

Segundo Luciana, um decreto de estado de emergência, fechou todo o comércio não essencial, em 18 de março. Mas as escolas já haviam fechado antes e o governo já incentivava o teletrabalho.

Ela informa que as pessoas por lá “em sua grande maioria tem respeitado o pedido das autoridades e graças a esse fator, é permitido, por exemplo, ir à praia ou ao parque, mas sem aglomerações. Como tem funcionado de forma eficiente e com bom senso, não apertaram mais as restrições como ocorreram em alguns outros países”.

Luciana é estudante e a situação econômica da sua família não foi grandemente afetada, devido ao tipo de trabalho do marido, que é da área de T.I., no entanto, ela buscava emprego no momento que começou a pandemia e várias das empresas com as quais conversava adiaram o processo. “Estamos focando em um dia de cada vez”, diz ela.

Portugal teve cerca de 20 mil pessoas infectadas e 700 mortos, o que corresponde a 0,2% da população infectada e 3,5% dos infectados foram a óbito. Os governantes ainda não deram previsão para retornar à normalidade.

Personal trainer na Suíça

Na Suíça, o cuiabano Felippe Acosta afirma que a quarentena começou em 16 de março quando tudo fechou: escolas, academias e o comércio.

Além disso, “ficaram proibidas reuniões com mais de 5 pessoas e lugares como supermercados, conveniências e farmácias possuem um limite de acesso”.

“Todos respeitam muito as regras e tentam evitar aglomerações, porém não é proibido sair de casa e por isso é comum ver muitas pessoas nas ruas correndo, pedalando e brincando com os filhos”, afirma.

80% do salário pago

Felippe, que é personal trainer e trabalha em uma academia não teve desespero com as finanças, pois “na Suíça o emprego é garantido e todos os empregadores podem aderir ao ‘Kurzarbeit’, no qual o governo paga 80% do salário dos empregados”, relata.

O personal trabalha remotamente agora, criando treinos e transmitindo aulas por chamadas de vídeo. O que ele mais lamenta é o prejuízo maior no aprendizado da filha, Luísa, que está no primeiro ano da escola e aprendendo uma língua nova. “Essa pausa prejudica um pouco”.

A Suíça anunciou na semana passada o retorno progressivo à normalidade, sendo este realizado em três etapas: em 27 de abril serão liberados pequenos comércios, em 11 de maio serão as escolas e grandes empresas e a última, em 6 de junho, para os demais.

A Suíça teve cerca de 27 mil pessoas infectadas, o que corresponde a 0,32% da população, e, destes, 1,4 mil morreram.

Felippe afirma que “a curva de contaminação na Suíça tem diminuído muito. O número de novos contagiados diminuiu, assim como o número de mortes por dia e o número de curados está altíssimo”.

Crise na Espanha

Na Espanha, a situação foi bem mais crítica. O país é o segundo no mundo com maior número de casos, ultrapassando inclusive a Itália.

A psicóloga Adriane Marinho, que reside em Alicante, conta que “desde o dia 13 de março a circulação nas ruas está proibida. Para transitar é preciso portar também uma carta que explique o motivo do deslocamento, que só deve acontecer para acesso a serviços essenciais e só uma pessoa pode sair”.

As autoridades tiveram que multar e/ou deter diversos cidadãos que não respeitaram as restrições. Há, inclusive, uma linha governo para receber denúncias.

Segundo Adriane, as pessoas, receosas com o futuro, tentam poupar o máximo que conseguem e um dos serviços que acabam retirando do orçamento é a terapia. E isso a afeta diretamente.

Há a esperança que o país comece a retornar à normalidade a partir do dia 9 de maio.

“As autoridades afirmam que o pico de contágio já passou e que a tendência agora é irem liberando as pessoas aos poucos”, afirma Adriane. A Espanha teve cerca de 213 mil pessoas infectadas (0,43% da população) e mais de 22 mil mortos (10% do total de infectados).

No Brasil temos 45.757 casos confirmados e 2.906 mortes decorrentes de covid-19.

*Talita Meurer é viajante em tempo integral. Em 2019 largou tudo para viajar o mundo com o marido e sua golden retriever. Ela mantém o instagram @lilomochileira onde relata o dia a dia da viagem 

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