Cuiabá tem apenas 50% dos agentes comunitários necessários e eles estão mal utilizados

Capital de MT já sai atrás na política de saúde que o governo federal quer implantar para mapear o novo coronavírus

(Foto: Reprodução)

A utilização de agentes comunitários para controle da pandemia do novo coronavírus passará ser nó de importância na rede de saúde pública. Nessa segunda-feira (1º), o governo federal anunciou a criação dos centros comunitários de referência para mapear a circulação do contágio. 

Mas Cuiabá terá dificuldade para cumprir a tarefa. O número de agentes no quadro do Sistema Único de Saúde (SUS) está bem abaixo do necessário e os que estão disponíveis, são mal utilizados. 

“O número de agentes necessários para cobrir toda a população de Cuiabá está bem abaixo do ideal. Mas os que existem, estão dispostos a trabalhar. Eles poderiam estar sendo utilizados para fazer alguma coisa, principalmente com os idosos”, explica a presidente do sindicato dos agentes, Dinorá Magalhães Arcanjo. 

Ela diz que o sindicato apresentou, em janeiro deste ano, um plano de ação para cobrir alguns bairros na Capital, cujo trabalho coincide com o modelo de mapeamento do novo coronavírus. Porém, não houve retorno por parte da Prefeitura de Cuiabá. 

“Os agentes comunitários são profissionais mal entendidos, não se sabe direito para que eles podem ser usados e isso é um grande erro”, afirma. 

Setenta agentes passaram por formação técnica em Enfermagem para fazer coleta de sangue, medir pressão e temperatura. Eles aguardam as ferramentas para colocar em prática o serviço, como aferidor de pressão, glicêmicos, álcool em gel e algodão. 

(Foto: Freepik)

Contingente escasso 

Conforme o sindicato, Cuiabá tem hoje 615 agentes comunitários na rede municipal. Esse número é somente a metade da quantidade ideal para cobrir o atendimento na Capital. 

Eles trabalham em paralelo com outros dois profissionais, também em quantidade bem longe do necessário.

Os agentes endêmicos, responsáveis pela avaliação de imóveis – e que atuam, por exemplo, no combate a foco de dengue – somam 380, quando o suficiente seriam cerca de 500, ou seja, 34% a mais. 

E os técnicos enfermagem, que vão à coleta de material orgânico das pessoas. Uma categoria reduzia a apenas 70 profissionais.  

Dinorá Magalhães afirma que o Ministério da Saúde indica um agente comunitário para cada grupo de 750 habitantes. 

Centros de referência

O Ministério da Saúde instituiu os Centros Comunitários de Referência para testagem e identificação precoce de casos de síndrome gripal ou covid-19.  

Os espaços deverão custar cerca de R$ 300 milhões ao governo federal. Deverão ser estruturados pelos municípios e Distrito Federal em áreas de comunidades e favelas. 

A portaria que regulamenta as atividades diz que os centros deverão atuar de modo complementar às equipes que já trabalham na atenção primária à saúde e funcionar em locais de fácil acesso à população, mas que tenham condições sanitárias adequadas. 

As equipes farão ainda o monitoramento de pessoas que estão em grupos de risco, acompanhamento dos casos suspeitos ou confirmados, atendimento aos casos leves e encaminhamento dos casos graves, além de manter a população informada sobre medidas de prevenção. 

O incentivo financeiro mensal para o Distrito Federal e os municípios que implantarem os centros de referência será de R$ 60 mil para centros em localidades com população entre 4 mil e 20 mil pessoas e de R$ 80 mil para centros em comunidades com mais de 20 mil pessoas. 

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