Justiça

Cuiabá: Polícia indicia médicos por morte após cirurgia plástica

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Natália Araújo

A investigação da morte de Keitiane Eliza da Silva, de 27 anos, foi concluída pela Polícia Judiciária Civil (PJC) e resultou no indiciamento, ou seja, responsabilização de 3 médicos por homicídio culposo, aquele quando não tem a intenção de matar. Responderão pelo crime o cirurgião plástico Alexandre Rezende Veloso e os anestesistas Klayne Moura Teixeira e Cristhiano Camargo Prado.

A vendedora morreu no dia 14 de abril de 2021, em Cuiabá. No dia anterior, a mulher fez uma abdominoplastia, lipoaspiração, enxerto nos glúteos e correção de uma cicatriz em uma das mamas. A operação foi realizada em uma clínica particular da cidade, mas devido a gravidade do caso, Keitiane foi transferida para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em um outro hospital privado. Essa internação, inclusive, foi paga pelo médico Alexandre.

Segundo o laudo técnico do Instituto Médico Legal (IML), a causa da morte foi hemorragia por coagulopatia intravascular disseminada. Isso quer dizer que Keitiane não parava de sangrar. Um quadro que seria resultado da covid-19, afinal, a vendedora recebeu o diagnóstico positivo para a doença, menos de um mês antes da cirurgia.

Procedimento deveria esperar

Heliodorio Santos Nery e Marciano Nogueira representam a família de Keitiane(Foto: Divulgação /Marcus Ferrari)

Os advogados Heliodorio Santos Nery e Marciano Nogueira Silva, que representam a família da vendedora, explicam que, conforme as investigações, a cirurgia de Keitiane não poderia ter sido feita naquele momento.

O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT), inclusive, fez a recomendação pela suspensão desse tipo de cirurgia por conta da pandemia.

A orientação da Associação Brasileira de Anestesiologia (ABA) era de que pacientes com covid-19 deveriam ser observados por um intervalo, que variava a depender do grau manifestação da doença. No caso de Keitiane, a recomendação seria pela espera de 6 semanas.

Até mesmo os exames pré-operatórios indicaram que a vendedora estava com broncopneumonia. Mais um ponto a ser considerado para que a cirurgia não fosse feita. Mas não foi isso que aconteceu.

“Mesmo assim, eles (os médicos) correram o risco de realizar o procedimento, mesmo sabendo sobre a escassez de vagas de UTIs naquele momento, que poderia ter alguma complicação por se tratar de um procedimento extenso. A clínica não contava com uma unidade intensiva. Quando houve a transferência, o quadro já era irreversível, infelizmente”, explica Marciano.

Próximos passos

O inquérito policial foi concluído nesta semana e segue para o Ministério Público de Mato Grosso. A Promotoria deve oferecer a denúncia por homicídio culposo ou pode fazer alguma modificação.

“Esperamos que o Ministério Público possa acolher esse relatório policial e ofertar uma denúncia criminal nos mesmos termos da conclusão do inquérito. E também, que o Conselho Regional de Medicina também possa aplicar a devida penalidade disciplinar para cada um dos profissionais na medida de sua culpabilidade”, diz Marciano.

A espera pela Justiça

Fábio Gabriel, marido de Keitiane (à esq), os advogados e Ana Perpétua, mãe da jovem (Foto: Assessoria / Sandra Costa)

Fábio Gabriel Rodrigues, marido de Keitiane, conta que não concordava com a ideia da mulher realizar a plástica, que custou R$ 50 mil. Mas ela estava decidida. Não pensou em desistir nem mesmo ao descobrir que Alexandre estava sendo processado em Rio Preto (SP), por um suposto erro médico. O processo ainda está em andamento.

“Ela viu uma facilidade e quis fazer. Foi ela quem descobriu o processo, isso até foi um motivo de um desentendimento nosso, mas ela estava encantada. Confiou nos médicos e acabou assim”, comenta o marido.

O casal estava junto há 15 anos e tinha duas filhas.

“Nós estamos em busca de Justiça para que outras mães não chorem a falta de suas filhas, como eu estou chorando, e outras filhas não sofram com a falta da mãe, como as minhas netas”, desabafa Ana Perpétua Bochnia.

O que dizem os médicos?

A reportagem do LIVRE tentou contato com os médicos indiciados. Alexandre e Klayne preferiram não dar declarações, conforme recado repassado por telefone. Cristhiano não tinha nenhum contato disponível.

O espaço segue aberto para os profissionais  se manifestarem.

O CRM também foi procurado, mas as chamadas não foram atendidas.

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