Cuiabá é a terceira cidade que mais empregou imigrantes refugiados da Venezuela

Dos 83 venezuelanos acolhidos em Cuiabá (MT), com mais de 18 anos, 41 conseguiram emprego

Ilustração / Foto: Ednilson Aguiar

Uma das primeiras a acolher os refugiados da Venezuela, Cuiabá é a terceira cidade brasileira que mais empregou venezuelanos interiorizados. Dos 83 acolhidos, com mais de 18 anos, 41 conseguiram emprego.

O levantamento é do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), obtido pelo Estadão/Broadcast. A reportagem do jornal mostra que entre os empregados em Cuiabá está Denis Chiguinguira Gonzalez Fernandez, de 39 anos.

Ela é uma das centenas de mães venezuelanas que saíram do seu país para evitar que os filhos morressem de fome. No mapa, ela mostra o percurso que percorreu com o marido. Saíram de Maracaibo, de carona, e foram até a Caracas, depois até Boa Vista (RR). Em abril deste ano eles vieram de avião da Forca Aérea Brasileira (FAB) para Cuiabá.

Denis contou que está trabalhando de auxiliar de limpeza no Colégio Notre Dame de Lourdes, que já acolheu cinco venezuelanos. “Fomos procurados com três dias que eles estavam aqui”, contou a diretora, irmã Marluce Almeida, à jornalista Fátima Lessa, do Estadão.

Ela veio com o marido, Israel Ugas, de 38 anos. “Preferimos vir só nos dois, pois tínhamos consciência das dificuldades que iríamos passar. Deixamos nossos quatro filhos com minha irmã, que tem também quatro filhos. Mando dinheiro para ajudar todos”, disse. O próximo passo, aliás, é trazer os filhos.

No mesmo colégio, Jesus Dias, de 30 anos, trabalha na jardinagem. Ele veio ao País com a mulher, grávida. “Gosto muito do povo brasileiro, fui recebido com muito carinho, mas se a situação do meu país melhorar, eu volto”, detalhou ao Estadão.

Ainda de acordo com o levantamento, 43,4% dos venezuelanos transferidos de Roraima para outros Estados desde abril têm ocupação. São 245 dos 564 imigrantes com mais de 18 anos.

De acordo com Paulo Sérgio de Almeida, oficial de meios de vida da Agência da ONU para refugiados, existe maior demanda de empregos no setor da construção civil e para prestação de serviços gerais e comércio.

“Algumas empresas têm política de diversidade no seu quadro de profissionais. E há também as que se sensibilizam”. Entre sete Estados que passaram pelo processo de interiorização, São Paulo é o que mais apresenta empregados em números absolutos. Foram 125 de um total de 266.

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