Crise na Bolívia não afetou e não deve afetar fornecimento de gás a MT

Afirmação é presidente da Associação das Empresas do Distrito Industrial de Cuiabá, que vê inclusive uma oportunidade de potencializar o setor

Margareth Buzetti pondera, entretanto, que empresários querem mais garantias antes de investir em conversões (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

A crise no governo boliviano não afetou e provavelmente não vai afetar o fornecimento de gás natural para Mato Grosso, recentemente restabelecido. A avaliação é da presidente da Associação das Empresas do Distrito Industrial de Cuiabá, Margareth Buzetti.

“Acredito, inclusive, que pode afetar positivamente. Porque a Bolívia vai ter que vender o gás. Ela vai precisar de recursos. Eles vão vender para quem? A gente é a opção mais próxima”, afirmou a empresária.

Apesar disso, ela sustenta que entre os representantes das indústrias do Estado ainda pairam dúvidas sobre as vantagens (ou não) de investir na readequação de suas empresas para usar o gás – e não a eletricidade – como fonte de energia.

O assunto foi tema de uma reunião entre os empresários do Distrito Industrial de Cuiabá e o presidente da Companhia Mato-grossense de Gás (MT Gás), Rafael Reis, na noite de terça-feira (12).

Segundo Buzetti, o objetivo do encontro – por parte do governo do Estado – foi “buscar clientes” que consumam o 1,5 milhão de m³ de gás natural que Mato Grosso se comprometeu a comprar da Bolívia todos os meses – pelos próximos 10 anos – no dia 26 de setembro.

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O contrato, de acordo com Buzetti, prevê que o gás não consumido de imediato até pode ser armazenado na Bolívia, mas precisa ser retirado de lá num prazo de dois anos.

Como os maiores consumidores desse produto são as indústrias, o governo do Estado agora tem feito esforços para convencer os empresários do setor a fazer a conversão. A maioria, no entanto, quer ter mais certeza antes de investir dinheiro nisso.

“Se você perguntar para os industriais se eles querem aderir ao gás, eles vão dizer que querem regularidade no fornecimento por um bom tempo para eles poderem aderir. As pessoas ficam com o pé atrás”, diz Buzetti.

Na avaliação dela, o novo contrato é bem melhor que o anterior, mas “garantias, garantias ninguém tem com o governo de outro país”, ela pondera, destacando que a crise política na Bolívia não é o problema.

Gás veicular

Para tentar amenizar essa situação de descrença, Rafael Reis anunciou aos empresários que o governo de Mato Grosso tem trabalhado para lançar, já no ano que vem, a licitação para construção de um gasoduto até a região do Distrito Industrial de Cuiabá, o que facilitaria o abastecimento.

A intenção anunciada é dar todas as condições para o crescimento da cadeia do gás no Estado. Um produto que pode ser usado para gerar energia para a indústria e, também, como combustível para veículos.

“O empresário precisa de estabilidade, precisa ter certeza de que o fornecimento será contínuo por um longo período, sem interrupções. Fazer a conversão para o uso do gás é um processo caro e a indústria só pode fazer isso se tiver estabilidade no fornecimento”, destacou a presidente da Associação.

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