Um grupo especializado em crimes cibernéticos conseguiu invadir o sistema interno da Polícia Civil de Mato Grosso após obter a senha de acesso de um servidor público, que teve suas credenciais vazadas sem envolvimento direto com o esquema. Com os dados, os criminosos consultavam informações de veículos roubados ou furtados, clonavam números de chassi e falsificavam documentos para revender automóveis de forma ilegal.
Segundo as investigações, o grupo também utilizou sistemas de outros estados para ampliar o alcance das fraudes. O acesso indevido foi identificado pelo setor de tecnologia da corporação, que bloqueou as credenciais comprometidas logo após detectar o uso irregular.
“O sistema identificou os acessos e fez o bloqueio automático. Esses criminosos se aproveitaram de senhas que não foram devidamente protegidas”, explicou o delegado Gustavo Godoy Alevado, responsável pelo caso.
A partir dessa descoberta, a Delegacia de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI) desencadeou uma série de operações que revelou uma rede complexa de fraudes digitais, que incluía uso de robôs automatizados, venda de dados sigilosos, sites falsos e golpes financeiros com cartões clonados, criptomoedas e apostas esportivas para lavar dinheiro.
Com base nas provas, a Justiça expediu 48 ordens judiciais, entre elas sete prisões, 15 buscas e apreensões, bloqueio de R$ 5,9 milhões em bens, além da remoção de sites e canais usados pelo grupo. Os mandados foram cumpridos em 10 estados brasileiros, incluindo Mato Grosso, São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Bahia.
De acordo com o delegado Guilherme Fachinelli, titular da DRCI, a chamada “Operação Código Seguro” marca um avanço no combate aos crimes cibernéticos em larga escala.
“Essa operação mostra a capacidade técnica da Polícia Civil em rastrear e desmantelar organizações que atuam pela internet, protegendo dados sensíveis e garantindo a segurança das instituições e da população”, afirmou o delegado.





