Covid-19: três cuidados no atendimento em casos suspeitos

No final de 2019, foi detectado na China um novo coronavírus: o SARS-Cov-2 (que nos remete ao significado de “Síndrome Respiratória Aguda Grave – Coronavírus 2”); já no primeiro trimestre de 2020, o vírus e a doença advinda do mesmo (Covid-19), já estavam presentes em quase todo o mundo, caracterizando estado de Pandemia. De qualquer forma, vamos focar um pouco no Brasil…

Conforme transitam as fases epidemiológicas Brasil adentro, de casos importados para a transmissão comunitária (já vigente em São Paulo e Rio de Janeiro), fica mandatório você, médico ou profissional da saúde, saber os principais cuidados e se atentar na hora de atender um paciente com suspeita de COVID-19.

Nesse artigo serão abordados 3 pontos importantes para que você possa, no decorrer dos seus atendimentos em meio à pandemia, conter o máximo de riscos, tanto para você, quanto para o resto da população, minimizando assim a propagação do novo coronavírus e a sobrecarga do sistema de saúde como um todo.

1. Utilização de EPIs

A melhor maneira de prevenir a infecção pelo vírus, é evitar ser exposto a ele! E como você, médico/profissional da saúde que está na linha de frente, consegue isso? Utilizando os Equipamentos de Proteção Individual disponíveis, e de forma correta.

EPIs consistem em máscaras, óculos, luvas, gorro, capote/avental e tudo no que tange à sua proteção individual, criando uma barreira entre você e o possível contaminante; é sabido que a transmissão da doença ocorre pelo contato com o ar ou com as secreções contaminadas, por meio de gotículas de tosse, espirros, catarro, contato pessoal próximo como toques e cumprimentos, ou mesmo a exposição à objetos previamente contaminados, seguido de contato com olhos, boca ou nariz.

Portanto, é prudente saber qual o nível de atendimento em que você se encontra e fazer a paramentação adequada. Lembrando que um dos maiores cuidados a se ter, é na hora de desparamentar, ou seja, na retirada dos equipamentos de proteção, pois por descuido ou mesmo ansiedade de tirar todo aquele aparato, a contaminação acaba por acontecer nesse momento.

Em última instância, caso você esteja ou se sinta realmente exposto, sem a proteção e os EPIs adequados, recorra à gestão do seu serviço, seja ela pública ou privada, para que os providencie e oriente o quanto antes.

2. Higienização adequada de mãos, instrumentos e ambientes

Provavelmente você viu nos últimos dias uma corrida em busca de álcool gel, resultado de uma forte propaganda gratuita devido à atual pandemia da COVID-19. O profissional da saúde bem informado, deve atentar-se e saber de antemão, que “passar” álcool gel nas mãos não é o suficiente. Deve-se seguir toda uma rotina de higiene própria e também limpeza do ambiente e instrumentos médicos.

A lavagem de mãos deve ser obrigatória em basicamente todos os momentos, antes e depois do contato com o paciente, antes e depois de tocar ou utilizar algum instrumento, antes e depois de sair da sala de atendimento, ou seja, não dá para deixar lacuna alguma sem preencher em se tratando de uma doença altamente contagiosa. Lembrando que uma lavagem bem feita contempla todas as regiões e extremidades, do punho aos dedos, dorso e palma da mão, como também região das unhas.

Recorde-se também de higienizar o ambiente e os instrumentos médicos, por exemplo a maca em que o paciente se deita, e o estetoscópio utilizado para ausculta, tanto antes quanto após o contato com o paciente que carrega consigo a suspeita do diagnóstico de COVID-19.

3. Limitar movimentação de paciente suspeito

O paciente, a partir do momento em que ele se enquadra como suspeito para a COVID-19, deve ser isolado da melhor forma possível. É preciso ter a noção de que, no Brasil todo, teremos médicos trabalhando em diversas e diferentes condições, desde a mais precária Unidade Básica de Saúde, fazendo o primeiro contato com um possível caso, até o mais complexo Centro de Tratamento Intensivo, com doente confirmado e internado.

Independente do local e da condição, da suspeita ou confirmação, uma coisa é fato: esse paciente deve ficar isolado das outras pessoas, principalmente na falta de EPIs (realidade em parte do Brasil); no caso do ambiente hospitalar, o controle tende a ser menos difícil, ficando o paciente monitorado em isolamento (reservado para os casos moderados a graves), com os cuidados protocolares pertinentes em relação a higiene e cuidados.

Nos casos do paciente que chega em uma Unidade de Saúde da Família ou Unidade de Pronto Atendimento com poucos recursos, e que na triagem é levantada a suspeita da COVID-19, deve-se procurar mantê-lo isolado, fornecendo ao mesmo uma máscara para evitar a propagação de gotículas no ambiente; o médico ou profissional da saúde pode prestar o atendimento médico nessa mesma sala se o ambiente permitir, definindo sua conduta e orientando ali mesmo, ou tomando as medidas para retenção/encaminhamento do paciente.

Independente da forma que o caso seja conduzido, deve haver a higienização de todos os equipamentos utilizados nos atendimentos e também dos ambientes em que esse paciente entrou em contato.

Concluindo…

A Pandemia já está em curso, e nós, profissionais brasileiros, temos o dever de agir diante dessa situação; é necessário ter em mente que o termo pandemia se refere à extensão territorial, e não gravidade da doença em si, nesse caso agir com sabedoria e aplicar com eficácia todos os pontos evidenciados neste artigo, ajudará tanto no desaceleramento da propagação da doença, quanto na maior confiança no serviço que se faz, evitando a sobrecarga dos serviços de saúde neste momento tão delicado para todos.

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Fabrício Mateus é médico, atualmente cursando Programa de Residência Médica em Medicina de Família e Comunidade no Hospital Geral Universitário (Universidade de Cuiabá). Instagram: @DrFabricioMateus

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