Covid-19: pânico da pandemia pode estar ligado ao aumento de casos graves

A demora - devido ao medo - em procurar um hospital pode ser o motivo de tantos casos graves serem notificados em Mato Grosso

Infectologistas apontam que uma estratégia de testes para identificar pessoas mais expostas ao contágio é necessário para o controle da pandemia (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

O pânico gerado pela pandemia do novo coronavírus pode estar causando efeito reverso nos cuidados de prevenção. O medo da população e o clima de insegurança estariam impedido que as pessoas com sintomas da covid-19 saiam de casa para ir ao hospital.  

A avaliação é do professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o infectologista Germano Augusto Alves Pacheco. Ela é feita com base na evolução da doença em Mato Grosso nas últimas semanas e características clínicas comuns de comorbidade das pessoas que adquirem o modo severo da covid-19. 

“Está acontecendo que as pessoas estão com sintomas gripais e estão ficando em casa por medo de ir ao hospital. Só estão indo para o hospital no momento em que a situação já está descontrolada, ou seja, estão confundindo os sintomas gripais com os sintomas causada pelo novo coronavírus”, explica. 

O infectologista afirma que não vê um aumento isolado no número de casos graves da covid-19, mas uma evolução proporcional aos modos médio e leve. O que não altera o comportamento do vírus em Mato Grosso. 

Acontece que a gente não tem testado as pessoas com modos leve e médio da covid. Se faz pouco teste para saber como está o andando do quadro para esses grupos. Mas estamos vendo que estão entrando mais casos graves no sistema de saúde”, disse. 

De acordo com médico, as pessoas estão confundido os sintomas da covid com os de uma gripe comum (Foto: Freepik)

Em entrevista na última terça-feira (9), o secretário estadual de Saúde, Gilberto Figueiredo, disse que houve aumento de pessoas que chegam aos hospitais já em situação crítica da covid-19. 

Contudo, a orientação passada por autoridades públicas em saúde é que a procura por hospitais portas abertas, como UPAs e policlínicas, seja feita somente por pessoas com sintomas já agravados.

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Envoltos em fragilidade 

O professor afirma que pesquisadores ainda estudam por que as pessoas com comorbidades representam a maioria dos óbitos por covid-19. A explicação conclusiva para esse fenômeno ainda não chegou. 

Contudo, as hipóteses apontam para “uma explosão inflamatória” no organismo das pessoas com morte confirmada pelo vírus. 

“As pessoas que morrem com a covid têm como uma explosão súbita e rápida de inflamação no organismo. É como se fosse uma descarga inflamatória muito rápida, uma tempestade desse fenômeno”, explica. 

Segundo o infectologista, esse quadro pode ser associado ao quadro clínico de pessoas diabéticas ou com obesidade. São pacientes que ficam “envoltos em quadro inflamatório crônico”. 

“A covid está aumentando em todas as classes sociais de uma maneira assustadora e os números mostram que os pacientes mais graves e com pior desfecho contemplam o grupo dos cardiopatas, hipertensos, diabéticos e obesos”, disse e infectologista Zamara Brandão. 

Chefe do departamento de infectologista no Hospital Santa Rosa, em Cuiabá, a médica também aponta para a “evolução rápida” do coronavírus e a insegurança na procura de ajuda médica. 

“As pessoas que chegam em situação grave, ou já têm situação de comorbidade ou ficam titubeando para procurar ajuda”, comenta. 

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