Secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo afirmou nesta quarta-feira (13) que a instalação do regime de bloqueio total – o lockdown – para conter o avanço da covid-19 em Mato Grosso só deve passar a ser considerado se o sistema de saúde se aproximar dos 80% de ocupação dos leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) disponíveis.
Segundo ele, a taxa de internação de pacientes graves com a doença é referência padrão, já adotada por outros países e Estados e municípios brasileiros, como Pernambuco e Manaus, Capital do Amazonas.
“Todos municípios, todos Estados que chegarem a 80% da capacidade de atendimento hospital, e isso está ligado diretamente à UTI, terão a necessidade de adotar essa medida. Não é questão de eu ser a favor ou não. Quando chegarmos a esse número, estaremos praticamente perto do colapso [do sistema de saúde]”, disse.
O secretário ressaltou que a medida é a alternativa mais drástica na linha de combate ao novo coronavírus. O histórico recente da doença mostra que ela foi adotada em lugares em que a taxa de letalidade é alta.
O caso brasileiro é Pernambuco e São Paulo, que ainda estudam a implantação do lockdown. Fora do país, os exemplos são a Itália e a própria China, onde a pandemia teve início.
“É preciso analisar gradativamente os números [do contágio] por município, por região. Se ocorrer o colapso e não houver lockdown, os médicos terão que escolher quem vive e quem morre. Não esperamos isso”, pontuou.
Capacidade hospitalar
Conforme o boletim informativo divulgado nessa terça-feira (12) pela SES, a taxa de ocupação dos leitos de UTI em Mato Grosso está na casa de 10%.
Conforme a Secretaria, Mato Grosso conta com 235 leitos de UTI para o tratamento dos pacientes com casos graves do novo coronavírus pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Desses, 24 leitos estão ocupados (10,2%).
O número dos leitos de enfermaria, também pelo SUS, está em 654, com 10 ocupados (1,5%).
Segundo o secretário Gilberto Figueiredo, a quantidade de vagas para internação de pacientes deve aumentar até o dia 4 de junho. Os leitos de UTI devem subir para 337 e os de enfermaria para 925.