Covid-19: Governo e prefeitura divergem sobre quantos leitos pediátricos existem em MT

Enquanto isso, notícias supostamente falsas dão conta de que o quadro de contágio entre crianças estaria piorando

(Foto: Suellen Pessetto/ O Livre)

As Secretarias de Saúde de Mato Grosso e de Cuiabá têm dados divergentes sobre o número de leitos pediátricos em enfermaria e Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) para pacientes exclusivos da covid-19. 

O painel epidemiológico divulgado na noite dessa terça-feira (16) pela SES aponta 12 leitos para crianças em UTI na rede estadual, com ocupação de 83%. Mas Cuiabá diz ter 15 leitos no mesmo departamento no Hospital Referência (antigo pronto-socorro) com taxa de 40% de ocupação. 

O município também teria outros 25 leitos infantis em enfermarias para tratamento exclusivo da covid-19. E havia somente dois pacientes internados até a manhã desta quarta-feira (17), período da última atualização. 

No caso das enfermarias, a SES não especifica a quantidade de leitos disponíveis. Informa somente que número geral – adulto e pediátrico – é de 1.209 vagas das quais 66% estão ocupadas. 

Contágio intensificado? 

A médica pediatra Paula Bumlai diz que o número de crianças diagnosticada com a covid-19 neste momento de intensificação da pandemia já é maior que observada em julho de 2020, quando a primeira onda do contágio entrava no pico. 

Contudo, o contato delas com o vírus continua sendo intermediado pelos pais ou algum adulto com quem convivem na mesma casa.

“Nós não temos ainda a situação da criança ser transmissora do vírus. O que acontece é que os pais ou outro adulto na mesma casa têm diagnóstico positivo e aí as crianças passam por exame por precaução ou por apresentar sintomas gripais”, disse. 

(Foto: Freepik)

Segundo a médica, nos casos de diagnóstico positivo para os filhos, eles passavam pela quarentena dentro casa, sem a necessidade de internação. O modo severo da doença teria ocorrência incomum nessa faixa etária. 

“Não estou dizendo que não ocorrem casos graves, eles ocorrem e estão ligados a casos de crianças que já estavam fragilizada por alguma outra doença, como a comorbidade nos adultos”, acrescenta. 

Brecha para fake news

Enquanto governo e prefeitura não se entendem sobre os números de crianças que são pacientes da covid-19, mensagens circulam nas redes sociais, tanto afirmando que a situação é preocupante, quanto acusando o poder público de desperdiçar dinheiro com leitos infantis.

Um áudio recebido pelo LIVRE no fim da tarde de ontem relata uma suposta reunião de urgência convocada pela direção do Hospital Estadual Santa Casa para readaptar a unidade para recebimento de crianças pacientes da covid-19. 

A SES negou a reunião e qualquer trabalho para readequar a Santa Casa à demanda de pacientes. 

A reportagem do LIVRE também teve acesso a um texto supostamente escrito por uma médica que afirma que as UTIs pediátricas estão praticamente vazias. Segundo o relato, as crianças seriam internadas somente nos casos em que é preciso tratar outra enfermidade, além da covid-19.

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