Coronavírus: testes rápidos podem gerar falsa sensação de segurança

Assim como aconteceu com outros produtos relacionados ao cenário de pandemia, os testes rápidos viram objeto alvo das pessoas, mas especialista faz recomendações sobre o uso aleatório

A pandemia do novo coronavírus tem gerado algumas corridas da população na busca de produtos que possam prevenir ou demonstrar o contágio da covid-19.  

Já aconteceu com máscaras faciais e o álcool em gel, no início do contágio no Brasil. E mais recentemente, a compra desenfreada de cloroquina ou hidroxicloroquina, após o anúncio pelo governo dos Estados Unidos de testes com esses medicamentos no tratamento de pacientes. 

O objeto alvo da vez são testes rápidos, que os governos brasileiros estão disponibilizando no momento apenas para pacientes hospitalizados e profissionais da saúde, em hospitais estratégicos das redes de atendimento aos casos da pandemia. 

Assim como o medicamento e o uso do álcool em geral de modo aleatório, o uso de teste rápido também pode gerar efeitos colaterais, principalmente com danos psicológicos. 

O LIVRE foi atrás de informações sobre os testes rápidos disponíveis no Brasil para saber os benefícios e os riscos deles e se é recomendável usá-los em casa. 

Produtos 

Conforme a chefe de Pesquisa e Inovação Tecnológica do Hospital Júlio Müller, doutora Rosane Hahn, há hoje no mercado 19 testes rápidos para testar o novo coronavírus no organismo, autorizados no Braisl.  

Esse número foi verificado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que aponta para a tendência de aumento de novos produtos no mercado nos próximos dias por causa da estimativa de pico de contágio. 

Eles cobrem três técnicas de coleta de material genético para análise, com os níveis variados de eficácia.  

“A RT-PCR é mais específica e exige profissionais treinados e qualificados, e material importado, além de estrutura laboratorial adequada. Outra detectada anticorpos e outra detecta antígenos. A RT-PCR é teste de referência, é mais confiável. O teste de antígenos é o mais rápido (15 minutos) e não demanda grande recursos técnicos e humanos, mas a sua sensibilidade é baixa: entre 30% e 40% nos primeiros dias da infecção. O de anticorpos tem sensibilidade maior (80%), mas apenas devem realizados seis a sete dias após os primeiros sintomas”, explica. 

(Foto: Reprodução/RDNews) Pesquisadora diz que testes, apesar de indicar anticorpos, não demonstra imunização de ex-paciente da covid-19

Contudo, afirma a pesquisadora, o que vem ganhando força no quadro do novo coronavírus nos países asiáticos são os kits para teste rápido. A preferência pelos kits vem da menor complexidade de coleta para o teste e pela possibilidade de verificação de criação de anticorpos no organismo, o que, em tese, cria imunidade para as pessoas já infectadas. 

“Diferentemente do RT-PCR, que busca o material genético do vírus nas células dos pacientes, a maioria dos testes rápidos utiliza o sangue para procurar por anticorpos produzidos pelo organismo após o contato com o vírus. Estes testes servem para saber quantas pessoas já foram infectadas e também quais estão teoricamente imunes a ele”, comenta. 

Resultados 

Mas a variação na eficácia dos testes rápidos pode levar a resultados negativos e positivos falsos. A recomendação para os modelos de antígenos, que exige menos estrutura de laboratório e preparo clínico, apesar de resultado mais rápido, é que se faça outro exame para averiguar o resultado. 

“Os riscos são a [obtenção de resultados falso-negativos a partir da realização de teste por leigos, sem seguir os protocolos laboratoriais definidos. Alguns laboratórios brasileiros já testaram o desempenho desses testes utilizando apenas gotas de sangue e verificaram que há melhor desempenho quando o teste é realizado com o soro do paciente”, disse a médica. 

Tempo de avaliação e riscos 

A pesquisadora disse que para um resultado mais eficaz dos testes rápidos, a coleta para análise deve ser realizada a partir do sétimo dia dos sintomas de contágio e numa expansão mais ideal, no décimo dia de sintomas.  

Esse seria o prazo necessário para o organismo reagir ao vírus produzir sua defesa a ele. Contudo, esse tem o complicador de desenvolvimento da doença, entre 14 e 21 dias. 

“Por isso, acaba sendo não indicado para diagnosticar a doença precocemente. E se o teste for realizado antes desse prazo é grande possibilidade de o resultado dar negativo, mesmo que a pessoa esteja contaminada”, explica.   

Segundo a pesquisadora, não há benefícios de realização do teste rápido em casa, e num cenário de maior preocupação com o contágio pelo coronavírus, o resultado incerto dos testes rápidos pode gerar perturbação psicológica. 

 “É natural que as pessoas fiquem ansiosas e queiram saber se estão com o vírus ou não, mas fazer o teste antes da hora pode dar uma falsa sensação de segurança, ou seja, que a pessoa não está doença, quando na verdade está”, complementa. 

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