Coronavírus suspende cirurgias e 224 pacientes aguardam por uma bariátrica em MT

No total, eles estão há sete anos na fila e 25 não aguentaram esperar: morreram antes de serem atendidos

(Foto: Pixabay)

A pandemia de coronavírus paralisou todas as cirurgias eletivas – aquelas que não demandam urgência – em Mato Grosso e na lista de quem aguarda um procedimento desse tipo estão 224 pacientes que precisam de cirurgia bariátrica.

Até o início de março, 113 cirurgias dessa natureza foram realizadas no Hospital Metropolitano de Várzea Grande. É a única no Estado a fazer esse tipo de procedimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). E foi também o hospital escolhido pelo governo do Estado para ser referência no atendimento a pacientes graves da covid-19.

A estimativa de número de pacientes na fila de espera é da Associação Mato-grossense de Obesos. Presidente da organização, Jovelina de Campos Nunes avalia que a situação é crítica em razão da pandemia.

“Desde 2013, existem pelo menos 224 pacientes que esperam para fazer a cirurgia e mais 100 pessoas que precisam fazer a cirurgia para retirar o excesso de pele, que faz parte do tratamento”.

Segundo Jovelina, havia um grupo de 250 pessoas que, em 2013, conseguiu uma sentença judicial para que todos fossem operados pelo SUS. A causa já transitou em julgado, mas o grupo ainda espera que os procedimentos sejam realizados.

O problema é que depois que o Estado passou a concentrar as cirurgias bariátricas no Hospital Metropolitano, outros pacientes foram incluídos na fila, o que prejudicou aquele grupo inicial que já estava se preparando para a cirurgia desde quando o procedimento era feito no Hospital Geral Universitário.

Neste período de oito anos de espera, pelo menos 25 pessoas morreram, segundo Jovelina.

Hospital Metropolitano de Várzea Grande era o único a realizar as cirurgias bariátricas pelo SUS em Mato Grosso (Foto: Mayke Toscano/Secom-MT)

Cirurgia em Mato Grosso

Nos últimos 10 anos, foram operados 791 pacientes pelo SUS, no Estado. A maior quantidade de procedimentos foi realizada em 2018 e 2019, quando 250 e 292 pacientes foram operados, respectivamente.

A maioria dessas pessoas passaram pela gastroplastia com derivação intestinal, que consiste em cortar o estômago transformando-o em uma pequena bolsa de apenas 50 ml.

O procedimento foi realizado em 691 pacientes de 2009 até agora, conforme dados disponibilizados pela Secretaria Estadual de Saúde.

Tempo de espera

O tratamento até à cirurgia dura cerca de um ano. Neste período, os pacientes passam por acompanhamento psicológico, nutricional e clínico. Depois deste processo, a cirurgia ocorre, em até 46 dias após a autorização médica.

Mas o tratamento não termina aí. Passados dois anos, ou até que o peso do paciente esteja estabilizado, outro procedimento é realizado: a cirurgia plástica para retirar excesso de pele.

Segundo a SES, em Cuiabá, existem 17 pacientes aguardando por esse tipo de cirurgia. A secretaria não informou quantos são em todo Mato Grosso.

Preços

Na tabela SUS, a cirurgia bariátrica por videolaparoscopia custa R$ 6.145, enquanto que a gastroplasia com derivação intestinal custa R$ 4.350.

Já as cirurgias reparadoras para retirar excesso de pele do abdômen, dos braços e pernas custam aproximadamente R$ 860, cada.

Já a dermolipectomia abdominal circunferencial – que é ao redor da cintura – custa R$ 1.052,20 pelo SUS.

Nas clínicas e hospitais privados os mesmos procedimentos podem variar de R$ 10 mil a R$ 25 mil. E as cirurgias plásticas ficam entre R$ 10 mil e R$ 22 mil.

Remover o excesso de pele após o emagrecimento é mais uma etapa do tratamento que precisa de cirurgia (Foto: Freepik)

O que diz a Secretaria de Saúde?

Por meio de nota, a SES informou que existem apenas 83 pacientes na fila de espera para realizar a redução de estômago.

A Secretaria também ressaltou que a suspensão das cirurgias eletivas foi motivada para evitar um fluxo maior de pacientes em hospitais públicos em meio à pandemia do coronavírus.

“Dessa forma, os pacientes que aguardam por estes procedimentos em Mato Grosso continuam na fila da regulação para realizar o procedimento. É importante frisar que todo e qualquer procedimento tido como de urgência será realizado”.

A secretaria assegura que, ao fim da pandemia, os pacientes voltarão a ser atendidos conforme posição na fila de regulação e liberação médica para realizar os procedimentos.

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