Coronavírus: motoristas de aplicativo relatam medo, cuidados e impossibilidade de parar de trabalhar

Eles continuam nas ruas e não pretendem parar, apesar do medo de contaminação

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

A pandemia de coronavírus chegou a Cuiabá trazendo medidas especiais para diversos setores, mas os motoristas de aplicativo, pelo menos por enquanto, continuam nas ruas, afinal, em maioria, eles dependem de grande quantidade de corridas para fazer um salário.

O LIVRE foi às ruas e conversou com quatro motoristas de aplicativo, que relataram os cuidados que estão tomando e a impossibilidade de parar de trabalhar mesmo em meio ao medo da contaminação.

Carlos Augusto Misael, de 23 anos, trabalha há seis meses como motorista de aplicativo e essa é sua única renda. Ele relatou que já está preocupado por perceber que o fluxo de corridas começou a diminuir.

Como não tem opção, Carlos pretende continuar trabalhando mesmo se a situação agravar, mas ele acredita que se a pandemia piorar no Brasil, o próprio aplicativo bloqueará a possibilidade dos motoristas trabalharem.

“Eu não tenho essa opção de parar, mas o aplicativo em si deve dar uma pausa, os gestores do aplicativo estão atentos, tenho certeza que se for necessário eles vão bloquear por um tempo, para obrigar os motoristas a parar”, afirmou.

Nessa quarta-feira (18), inclusive, o 99 Pop enviou uma notificação aos motoristas informando que a sede do aplicativo ficaria fechada temporariamente e que a única forma de entrar em contato com a central, por enquanto, seria por telefone, ou pela própria plataforma.

Enquanto ainda precisam trabalhar, os motoristas estão buscando formas de prevenir uma possível contaminação. O aliado mais procurado? O álcool em gel, que já está em falta em todas as farmácias e mercados da Capital.

“Meus pais compraram álcool em gel e tem em casa. Eu procurei um para deixar no carro, mas nas farmácias e mercados que eu fui está em falta. Eu deixei até meu nome em uma lista de espera que está tendo e eles falaram que vão ligar assim que chegar, ai eu vou comprar pra deixar no carro”, disse Bruno Almeida, 25 anos, que trabalha há três meses como motorista de aplicativo.

O álcool em gel tem sido o maior aliado dos motoristas de aplicativo (Foto: O Livre)

Ele contou que tem se prevenido mantendo os vidros abertos caso o passageiro esteja tossindo, para ter circulação de ar. Ideia também seguida pela colega de profissão Euilson de Almeida, 47 anos.

Euilson afirmou que por estar em Cuiabá está tranquilo quanto a si, mas a preocupação está com os filhos.

“Eu sou tranquilo. Se tiver que acontecer algo vai acontecer. Estou preocupado sim com a minha filha [22 anos], que está em São Paulo, o lugar que está mais afetado no Brasil. E o meu filho [14 anos], que está em Portugal, está lá parado, sem poder sair para lugar nenhum. Só eu estou em Cuiabá. Minha esposa está em Tocantins, lá tem oito ou nove casos ainda não confirmados. A preocupação maior são meus filhos”, contou.

Já o motorista Eduardo de Amorim Manfrin, 32 anos, não teme apenas ser contaminado, mas também transmitir e se tornar um vetor na propagação do coronavírus. Ele já tinha como hábito o uso de álcool em gel diariamente e agora tem pensado em lançar mão de uma nova aliada.

“Minha preparação para trabalhar não mudou muito, eu sempre tive o costume de usar o álcool em gel no carro, porque a gente mexe muito com dinheiro e moeda, pessoas entrando e saindo, aqueles passageiros mais cordiais que gostam de cumprimentar, apertar a mão, essas coisas, então sempre andei com álcool em gel no carro, talvez isso não tenha mudado tanto. A máscara que eu to pensando em passar a usar agora, a partir dessa semana”, contou Eduardo.

O que um de nossos entrevistados, Carlos Augusto, notou foi a mudança no comportamento dos próprios passageiros nos últimos dias, que, na opinião dele, até dentro dos veículos estão mais reclusos.

“Eles ficaram mais quietos. Os passageiros antes conversavam durante a viagem, mas a maioria fica mais em silêncio agora, fica só no bom dia, boa tarde, boa noite”.

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