Contrabando avança na fronteira ao Norte e pode chegar mais forte em Mato Grosso

Pressão de postos de fiscalização no Paraná e no Mato Grosso do Sul obriga contrabandistas a procurarem novas rotas

Enviado Especial a Foz do Iguaçú (PR)

Foi-se o tempo em que a única preocupação das autoridades com a fronteira Mato Grosso-Bolívia era o tráfico de drogas e armas. Com o endurecimento da fiscalização em regiões da fronteira do Paraná e de Mato Grosso do Sul, a tendência é que os contrabandistas procurem outras rotas mais ao Norte para trazer mercadorias ilegais ao Brasil.

Pelo menos é assim que pensa parte dos palestrantes do Encontro Nacional de Editores, Colunistas, Repórteres e Blogueiros (Enecob), realizado nos últimos dias 15, 16 e 17 em Foz do Iguaçu, no Paraná. Representantes da Polícia e da Receita Federal dizem que, apesar de Mato Grosso não fazer fronteira com o Paraguai – principal fonte de mercadoria ilegal –, existe uma ameaça do estado ser usado como rota alternativa pelos contrabandistas.

“Quando nós fechamos uma porteira outras ficam abertas”, analisou o assessor da diretoria da alfândega em Foz do Iguaçu, Neri Parcianello. Segundo ele, as apreensões ainda são altas – somente no ano passado 222 milhões de maços de cigarros contrabandeados foram apreendidos, mercadoria cujo ultrapassa R$ 1 bilhão.

“Eu acredito que a maior parte da mercadoria ilegal já passa por Mato Grosso do Sul. Até porque hoje nós temos aqui a maior alfândega e o maior posto de fiscalização do Brasil, apreendemos mil caixas de cigarro por dia e ainda assim a Receita trabalha com só 30% do seu efetivo na fronteira e a maior parte atua aqui”, reiterou Parcianello.

Segundo ele, o aumento das apreensões tem obrigado os criminosos a procurarem rotas menos óbvias.  A tendência natural, conforme ele, é que rotas como Ponta Porã (MS) também se tornem alvo de maior preocupação das autoridades, empurrando o contrabando cada vez mais para o norte.

Exemplo disso é que com a criação de um posto náutico da Polícia Federal no município, em 2016, os contrabandistas deixaram de atravessar os cigarros pelo rio, nas proximidades da ponte da Amizade, que liga Foz à Ciudad Del Leste, no Paraguai. A linha de distribuição começou a utilizar com maior frequência as estradas vicinais, já usadas pelos traficantes.

“O crime organizado vai se reorganizando, vai se readaptando. Existe uma cadeia de transporte com pessoas que estão prontas para atravessar o que quer que seja. Por isso é que nós temos visto recentemente que no mesmo caminhão que vai a droga vai a mercadoria ilegal”, analisou o responsável pelo posto às margens do Rio Paraná, Augusto da Cruz Rodrigues.

Se a expertise do tráfico de cocaína na Bolívia somar-se ao conhecimento dos paraguaios no que se refere ao contrabando as autoridades brasileiras terão muito mais dor de cabeça pela frente em regiões como Cáceres, Comodoro e Poconé. Com a morte e a prisão de traficantes como Jorge Rafaat e o Cabeça Branca, respectivamente, a tendência é que outros líderes tomem a frente do tráfico e liderem também o contrabando da região.

“Existem cargas de cigarros que chegam até o Ceará. Apenas aqui em Foz nós um total de apenas 20 policiais para fiscalizar 170 quilômetros de fronteira em outras regiões o efetivo pode ser até menor”, disse Rodrigues.

 

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