Contágio entre profissionais da saúde está subnotificado e eles estão em retirada

Sindicato estima que a "linha de frente" contra a pandemia tem 50% a menos de profissionais do que seria necessário

Imagem ilustrativa (Foto: Freepik)

O número de casos confirmados para a covid-19 entre profissionais da saúde em Mato Grosso pode estar subnotificado e eles estão em retirada de seus postos de trabalho. 

Dados cruzados do Conselho Regional de Medicina em Mato Grosso (CRM-MT) e do Sindicato dos Profissionais da Saúde (Sinpen) indicam que as informações coletadas até o momento não correspondem às estimativas de contágio para médicos, enfermeiros e técnicos em enfermagem. 

Há quase dois meses, o CRM-MT pediu a cerca de 5 mil médicos que informassem dados específicos sobre a contaminação. Os números atualizados esta semana pela entidade somam 89 casos de covid confirmados, uma morte e duas pessoas em observação na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) 

“Mas existe subnotificação. Não conseguimos estimar ainda a quanto elas correspondem, mas é evidente que há mais casos do que temos informações”, disse a presidente do Conselho, Hildenete Monteiro Fortes. 

O Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso (Coren-MT), por sua vez, contabilizou até o momento 363 casos, entre suspeitos e confirmados, para a covid-19 entre cerca de 30 mil enfermeiros e técnicos. Também, cinco mortes. 

Os números estão disponíveis em compilado divulgado pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). Eles mostram que houve uma guinada de incidência entre enfermeiros e técnicos desde o início de maio. Os casos notificados saíram de 115 e chegaram aos atuais 363. 

Tem muita gente que está infectada e a gente não está sabendo. Primeiro porque há subnotificação e segundo porque os médicos não gostam de expor”, afirma o presidente do Sinpen, Dejamir Soares. 

Imagem ilustrativa (Foto: Freepik)

Pressão do risco 

Dejamir Soares estima uma proporção bem maior dos casos positivos entre os enfermeiros. Estaria na casa dos 60% para um total de 35 mil profissionais. E essa exposição tem levado estes trabalhadores a pedir afastamento. 

Nesta sexta-feira (26), a Secretaria de Estado de Saúde (SES) reconheceu, em nota, que tem encontrado dificuldade para contratar profissionais, em especial para atuar nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Este seria um dos motivos que fez o governo admitir que Mato Grosso chegou a uma situação crítica.

“Estava, ontem, em unidade de saúde com alguns colegas e outro colega chegou e disse para um de nós que estava com resultado positivo. O restante se afastou dele como se estivesse com uma doença venérea”, comentou. 

Segundo Dejamir Soares, a “linha de frente” da pandemia estaria, hoje, com 50% a menos da quantidade de profissionais necessária. O medo contágio e a falta de proteção estão empurrando estes trabalhadores para fora dos postos de saúde. 

Enfermeiros e técnicos estão tendo que fazer até 15 plantões por mês, em situação precária, sem EPI (equipamento de proteção individual) e sem teste. Só agora se começou a fazer o teste, mas já era pra ter começado lá atrás”, disse. 

Os sentimentos próximos à paranoia teriam entrado no cotidiano de médicos, enfermeiros e técnicos. E o risco à saúde não valeria a pena, na avaliação de muitos, dado o retorno financeiro. 

“Têm pessoas que estão quase tomando banho com álcool por medo de pegar. Elas estão se arriscando para receber R$ 2,3 mil, R$ 1,8 mil por mês, para trabalhar num ambiente altamente perigoso”, ressalta.

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