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Consumo consciente, do hábito à cultura

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William Figueiredo

Por William Figueiredo

Temos visto a natureza se manifestando, dia após dia, contra às agressões sofridas. Frio e calor desmedidos, fora das características naturais, estiagem prolongada em diversas regiões, excesso de chuva em tantas outras. Em meio ao desequilíbrio evidente, soam os alertas ambientais, pedindo bom senso e respeito à natureza. A realidade que a TV mostra às vezes está longe – mas nem sempre. Aqui perto da gente, na região de Poconé, o Pantanal volta a pegar fogo. As cenas de sofrimento que vimos – e cuja fumaça respiramos – no ano passado ameaçam se repetir. Neste cenário, qual o nosso papel?

Atuo no setor de saneamento básico há mais de uma década e sou convicto de seu grande valor. Tanto o esgotamento sanitário doméstico quanto o abastecimento de água tratada trazem mais saúde e qualidade de vida. Ambos ajudam a conservar os recursos naturais. São serviços que, de fato, merecem o termo que os caracteriza: essenciais. E estão diretamente ligados à sustentabilidade socioambiental.

Neste sentido, muitas são as tarefas de uma operação de saneamento. Seus profissionais, ações e aparelhamento precisam manter-se em sinergia com as melhores práticas disponíveis, a fim de entregar serviços de qualidade e ambientalmente adequados. Mas há um aspecto, relevante e atual, que precisa contar com a iniciativa de todos: o uso da água tratada sem desperdício.

Mesmo em uma cidade de calor forte como a nossa, consumir água de forma moderada é possível. E aqui não nos referimos à hidratação, que deve ser priorizada, atendendo às necessidades de cada organismo, mas sim à utilização cotidiana deste recurso natural. Estamos falando daqueles costumes que ainda mantemos – e que não são benéficos.

Os exemplos destes costumes estão no cotidiano. Lavar as calçadas com mangueira, escovar os dentes, tomar banho e lavar louça com a torneira aberta são exemplos disso. Podemos mencionar, ainda, aquela torneira pingando, dia e noite, meses a fio. Cenas comuns, não é mesmo? Isso sem falar no descarte imediato da água da máquina de lavar roupas – que bem poderia ser reutilizada, na limpeza do chão.

A Iguá Saneamento, empresa da qual faço parte à frente da Águas Cuiabá, tem buscado, em ações voltadas ao público interno e à comunidade, incentivar o consumo de água sem desperdício. O chamamento traz mensagens como “a água desperdiçada por uma pessoa é a água que pode faltar para todo mundo” e convida a população a adotar práticas diferentes das usuais.

Acredito na força de iniciativas como essa, e não apenas por ser parte da organização, mas por saber que uma atitude positiva, ao ser repetida, tem grandes chances de se tornar um hábito, podendo evoluir progressivamente, criando uma cultura. Trazendo essa crença para o nosso tema em questão, de gota em gota, o hábito tende a se tornar a cultura do não desperdício.

Tudo começa com uma decisão, individual, que gera frutos coletivos. Nós sabemos o que fazer. Precisamos dar início, persistir e engajar novas pessoas à causa. Fechar a torneira ao escovar os dentes é um bom início. A água que cada um de nós economiza é a água que chega para todos.

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