Conjunto de obras sacras reforça histórico de fé da primeira paróquia de Sinop

    Inaugurada neste mês de junho, a Igreja de Santo Antônio ganhou arte pelas mãos da conterrânea Mari Bueno

    Pinturas sobre painel, mosaicos e vitrais trabalham as cores quentes e tons terrosos que remetem à flora amazônica que começa na região. Na Igreja de Santo Antônio – inaugurada como Matriz do município de Sinop, durante festa em homenagem ao padroeiro, no 13 de junho – linhas e elementos adotados nas obras sacras também são embasados na cultura e na história local.

    Pelas mãos da artista plástica mato-grossense Mari Bueno, a primeira paróquia de Sinop (500 km de Cuiabá) torna-se fonte histórica, no âmbito da arte sacra a serviço da memória, enchendo os olhos dos que praticam ou admiram o exercício da fé. Há cerca de dois anos ela se dedica à produção do conjunto de obras que integram o projeto Cores de Santo Antônio, viabilizada pela Lei Rouanet, do Ministério da Cultura.

    “A arte sacra é uma área que exige muito estudo, uma vez que está integrada com outras áreas, como a teologia, a filosofia e a história, e isso exige uma amplitude maior para criar. Não é uma arte à gosto do artista, ele não expressa o que está sentindo. São obras baseadas dentro de normativas que têm significados”, explica Mari Bueno.

    Na igreja de Santo Antônio, todos os painéis estão interligados por meio de linhas, cores e temas, como um conjunto de obras permanentes – uma exposição com sequência. Apesar de uma área da arte pouco falada, a artista acredita que seja a mais próxima ao público e presente no cotidiano da cidade, seja nas orações, visitas turísticas ou apreciação artística.

    A colonização do município é retratada através do painel, onde as novas gerações podem voltar no tempo através de imagens de fragmentos da época, refletidos e misturados à história da paróquia. À proposito, a igreja foi erguida no local aonde teria sido realizada a primeira missa da cidade.

    Além disso, a igreja ter feito parte da trajetória da artista contribuiu com mais detalhes no estudo para montagem dos ambientes. “É muito gratificante olhar o local no qual entrei quando era criança, há cerca de 40 anos atrás, e agora realizar um trabalho tão importante nesse mesmo ambiente. Isso é um grande presente para minha vida pessoal e profissional”, conclui.

    As obras

    Os trabalhos de arte sacra na fachada da Igreja de Santo Antônio foram feitos em mosaico, assim como o painel do presbitério, com pigmento sobre textura, e a montagem do altar, do ambão e da sedia. A pia batismal é composta por pedra, madeira e mosaico, sendo uma releitura da pia já existente na Catedral de Lisboa, na qual o santo foi batizado. Na Capela do Santíssimo, pintura sobre painel e mosaico no Sacrário.

    A via sacra foi executada na parte externa, também com técnica em mosaico, composta por 15 placas ao entorno do jardim, onde o visitante pode fazer o caminho, de estação em estação. Na parte interna, ao fundo da igreja, nas paredes das laterais, um espaço com a imagem de Nossa Senhora e Santo Antônio para o qual foi preparado um painel em pintura e mosaico.

    Nas paredes superiores, nas laterais da porta, um painel em pintura da Sagrada Família e outro de Santo Antônio. A história das edificações anteriores da igreja é contada por meio de cinco pinturas na parte interna sobre a porta principal.

    A igreja

    A Igreja Santo Antônio foi a primeira paróquia do município de Sinop, conhecida como a “Capital do Nortão” de Mato Grosso. Em seu contexto histórico, a paróquia, fundada por Ênio Pipino, devoto de Santo Antônio, teve importante papel na vida dos pioneiros e famílias tradicionais da cidade que por lá chegaram no início da colonização, com amparo da comunidade por meio da fé.

    Em junho de 2018, a paróquia inaugura sua nova igreja. Um trabalho que envolveu a doação de toda a comunidade, apoio da Associação dos Produtores Culturais de Mato Grosso e do setor privado e de diversos colaboradores que doaram os recursos necessários ao projeto aprovado pela Lei Rouanet, do Ministério da Cultura.

    A execução das obras de Arte Sacra da igreja tem a frente a renomada artista plástica Mari Bueno, que reside em Sinop desde 1979. O trabalho, além de envolver estudo histórico, cultural e artístico, foi uma experiência diferente para Mari Bueno, por ser a igreja a qual ela frequenta desde que se instalou em Sinop, ainda criança.

    O projeto é proposto e gerenciado pela Ação Cultural: Associação dos Produtores Culturais de Mato Grosso, com apoio de diversos colaboradores, entre eles, empresas jurídicas e pessoas físicas que doaram os recursos necessários.

    A artista

    Artista sacra e muralista, residente em Sinop desde 1979, já realizou exposições e recebeu 26 premiações no Brasil e em outros países, entre eles, Itália, França, Alemanha, Suíça, Inglaterra, EUA, Portugal e Egito. No Museu do Louvre em Paris, na França, participou de três exposições, ganhando menção honrosa por suas obras.

    Em 2012 foi convidada pelo Museu de Chianciano, na Itália, única brasileira entre 140 artistas de 40 países. No mesmo ano também fez parte de duas Bienais na Europa, a Bienal de Londres, onde ganhou menção especial por sua participação e a Bienal de Siena na Itália.

    Em 2014, levou 49 obras sacras para o Museu de Arte Sacra e Etnologia no Santuário de Fátima em Portugal e em seguida esta mesma exposição foi apresentada no Museu Tesouro da Misericórdia na cidade de Viseu, Portugal. E em 2015 na Basílica de Santo Ambrósio em Milão.

    Pós-graduada em Arte Sacra e Espaço Litúrgico Celebrativo também estudou na Itália técnicas de mosaico, pintura, desenho e iconografia. Realizou mais de 1.200 m² de arte sacra em Igrejas, entre elas a obra da Catedral Sagrado Coração de Jesus, em Sinop.

    Associada da Academia Marial de Aparecida, também é pós-graduanda em Mariologia e Teologia.

    (Com informações da assessoria)

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    1 COMENTÁRIO

    1. Mari Bueno é uma das figuras que orgulha todos os sinopenes. Além de ser um ser humano admirável, Mari conseguiu, como poucos, levar a sua arte ao mundo e, com ela, o nome de Sinop. Parabéns! Acompanho de longe o seu trabalho e me sinto feliz de conhecê-la pessoalmente para poder dar esse testemunho.

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