Conheça Dom Wagner: figura ilustre de Poconé e “rei do pacote”

Dono do jargão “Passar bens” que virou febre entre os grupos de WhatsApp da baixada cuiabana, Dom Wagner abriu as portas de sua casa e contou como ficou conhecido como “O rei do pacote” expressão que usa para indicar a vida de Bom Vivant que leva. 

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

Preparar uma picanha na churrasqueira enquanto passa a tarde na piscina ouvindo um bom lambadão em plena segunda-feira pode ser algo distante da realidade dos simples mortais. Esse não é o caso de Dom Wagner, ilustre morador de Poconé (a 104 km de Cuiabá) e figura icônica que transita pelas ruas da cidade que tem pouco mais de 30 mil habitantes.

Suas frases de efeito e seu estilo “ostentação“ caíram na graça dos grupos de WhatsApp e logo ele virou assunto em mesas de bar. As expressões, como “rei do pacote”, “meu bebê” e “passar bens” são marcas registradas do excêntrico poconeano de 39 anos. Bem-humorado, Dom, como prefere ser chamado, recebeu a equipe do LIVRE em sua casa, em plena tarde de segunda-feira (1º). E como não podia deixar de ser: assando uma picanha.

Fazendo jus à fama, caprichou no figurino. Com regata verde neon e correntes de ouro no braço e pescoço, Dom nos encontrou em um posto de gasolina na cidade de Poconé. Ele chegou em uma Hillux branca com rodas rebaixadas, brilhando! “Oi, meu bebê! Segue meu carro”, disse Dom Wagner fazendo gesto com o braço.

E lá vamos nós, conhecer o famoso “castelo” de Dom Wagner. Esse é o apelido que ele deu à casa onde mora com a esposa Mara e os três filhos: Wesley, Wellington e Fabrício de 19, 16 e 12 anos, respectivamente.

Aliás, apelidar coisas é outra mania de Dom. Ele gosta de dar seu toque pessoal em tudo que o rodeia. A moto de 700 cilindradas, por exemplo, recebeu o nome de “Boneca”, e a Hillux passou a se chamar “Pancadão” devido ao potente som na carroceria. Para deixá-la turbinada, o “rei do pacote” diz que desembolsou R$ 30 mil.

 

Uma tarde com Dom Wagner

A churrasqueira já estava acesa e, em uma enorme bacia, estavam reservadas peças de picanha temperadas, apenas aguardando. Começaria então um dia normal a la Dom Wagner. Enquanto isso, na cozinha, Mara preparava os pratos preferidos do marido. Fomos invadindo a cozinha para descobrir qual seria o cardápio daquela segunda atípica. Maionese, vinagrete, mandioca cozida, arroz e feijão.

“Meu bem não gosta de comida requentada. Todos os dias a comida é fresquinha. O que servimos no almoço não se repete no jantar”, explica a mulher.

“Tô de férias desde que nasci bebê”, diz aos risos Dom Wagner. No quintal, uma caixa de som enorme e colorida toca muito sertanejo e lambadão – só as preferidas do Dom.

O clima de um almoço de domingo logo invade o ambiente. Uma enorme mesa de madeira no quintal sob a sombra do pé de manga se torna o lugar ideal para o nosso bate papo.

Ele inicia contando como o seu sucesso nas redes sociais começou. “A brincadeira do WhatsApp não foi intencional. Pra mim foi como um dia qualquer, gravei um vídeo e mandei para um grupo de amigos. Não sabia que daria todo esse barulho. Eu sou um cara simples. Isso tudo é uma grande brincadeira. Eu me sinto sim um rei do pacote porque tenho tudo que quero. Se eu quiser ficar branco, eu vou lá e pinto meu corpo todinho bebê”, dando gargalhada da própria piada.

“Sou um cara que gosta de coisa boa, mas aprecia momentos simples também como jogar bola e sinuca com os amigos. Foi desse jeito que nasceu o apelido de Dom. Quando acertava bola na caçapa eu dizia: aqui é Dom Wagner, o rei do pacote”, completa.

Ele conta que é parado na rua e as pessoas pedem para tirar foto com ele, repetem os bordões e dão boas risadas. Apesar da fama local, Dom diz que não tem interesse em ficar famoso. “Não vou fazer igual esses caras, que querem fama por dinheiro. Não preciso. Tenho meus lucros com compra e venda de carros e motos e vivo bem”, disse.

[featured_paragraph] Dom faz questão de ressaltar que não bebe, não fuma e não faz uso de drogas. “Meu bebê, meu único vício é Coca-Cola. Galera acha que sou traficante. Agora onde? Gosto das coisas certas. Não mexo com coisa errada. Já levei a fama de traficante e te digo: é ilusão. Pensam que por eu mostrar uma vida bacana eu mexo com coisa errada”, se defende. [/featured_paragraph]

Quando questionado se teme ser assaltado por ostentar suas correntes e bens, Dom conta que passou por uma situação difícil recentemente em sua casa. Dois homens armados invadiram a residência em uma manhã, rendendo a esposa e o filho caçula. Dom, que estava no quarto, viu tudo pelas câmeras de segurança e pegou sua arma reagindo contra os assaltantes.

“Era eu ou ele entende, bebê? Eu estava no sossego do meu lar. Sou trabalhador e não gosto de vagabundo. Dei um tiro no malandro e ele saiu correndo para o quintal. O filho da mãe tentou escapar e caiu baleado dentro da minha piscina. Um quintal deste tamanho e ele vai e me cai dentro da minha piscina de golfinho! Aí não dá né bebê?”, contou Dom enquanto mostrava a marca de tiro na parede da sala e a cerca elétrica que precisou ser reforçada depois do ocorrido.

Dom diz ter porte de arma e ao menos onze câmeras de monitoramento espalhadas pela casa. “Não tenho passagem [pela polícia]. Sou correto. Vou responder pela morte do bandido que invadiu minha casa, mas foi em legítima defesa e estou respondendo por isso na Justiça”. Rapidamente, tratou de mudar o tom da conversa.

Almoço farto e muita picanha

“Já vou servir um tira gosto porque aqui você está na casa de Dom Wagner, o rei do pacote! A picanha que vou te servir é a mais top de Mato Grosso. Está fresquinha. Não mexo com carne congelada, nem mesmo quando era quebrado”, contou. Tranquilamente, entre uma tira e outra de carne que vai comendo, ele começa a lembrar das dificuldades que já viveu.

“Eu comprava itens no camelô em Cuiabá para revender em Poconé. Bota, chinelo, celulares. E hoje que posso ter um pouco de conforto eu vou aproveitar. Gosto de acordar às 10h e para dormir desligo celular porque não gosto que tirem minha paz na hora do descanso. Estudei só até a segunda série, mas sou inteligente. Vejo gente formada aí que é burra e tem olho gordo. Não podemos crescer o olho em nada nessa vida. O que é seu está guardado, bebê”.

Do outro lado, Mara prepara a mesa. A quantidade de comida impressiona. Tudo em exagero assim como Dom Wagner. Vendo nossa expressão de surpresa ele cai na risada e se justifica. “Aqui na minha casa é fartura. Ninguém vê o fundo da panela. Já pensou, meu bebê, eu te recebo aqui e você começa a raspar a panela de arroz? Não pode. Da até vergonha. Não existe lei que proíbe de comer picanha na segunda-feira”.

“E digo mais, quando estou enjoado de picanha pego minha mulher e digo: vai minha nega, veste um shortinho curto, fica bonita, top de linha e vamos lá no Choppão comer um peixe. Me dou ao luxo de sair daqui de Poconé e ir até Cuiabá matar minha vontade”. Nesse momento, a esposa interrompe: “quando vamos para Cuiabá tem que ser no carro pequeno para não chamar tanta atenção. As pessoas já conhecem até o carro dele. Começam a buzinar e querem tirar fotos gritando ‘Rei do Pacote’. Já compararam ele ao Mr. Catra. Nossos passeios no shopping agora são sempre agitados”, revela Mara com riso tímido.

O almoço segue animado e Dom revela que tem em casa uma churrasqueira “inteligente”. “Só acende com picanha entendeu? Aqui é Waguinho do São Benedito”, fala se referindo ao santo de devoção. Dom é religioso. A imagem de São Benedito se destaca na sala, em um altar logo na entrada. “Tudo que peço ele me atende. Pode pedir aí que esse santo é milagroso”, sugere.

Seus gestos atenciosos provam a fama na redondeza de bom anfitrião, como revelaram as vizinhas e a amiga Ariana. “As festas que ele dá em volta da piscina são sempre alegres. Amamos ter ele como vizinho”.

E já que o assunto é popularidade, perguntamos a Dom se ele se arriscaria na política. Ele conta que já foi convidado, mas por enquanto não tem intenção. “Mas também não digo dessa água não beberei”.

Mestre em mudar de assunto, ele oferece a sobremesa. “Agora se preparem para provar o pavê feito pela minha mãe. Na moral, aqui está o mel. É meu doce preferido”, conta enquanto coloca generosas colheradas na boca.

Logo em seguida, aponta o dedo para a piscina e solta: “olha aqui meus queridos, agora que almocei, vou tomar um bronze porque o golfinho tá me chamando”, e vai caminhando em direção à piscina enquanto os cachorros Berimbau, BOPE e Princesa o acompanham.

Já dentro da piscina Dom mostra o muro no fim do quintal. “Não desejo prédios à beira da praia, nem grandes mansões. Melhor lugar do mundo é Poconé. Aqui no fundo vou fazer uma edícula com uma cozinha top, com direito a fogão de lenha, meus bebês. Queridos, tem segunda melhor que essa? Não tem!”

E fomos nos despedindo, agradecendo pela carinhosa recepção. Dom Wagner, por sua vez, nos fez um novo convite e finalizou com uma das suas frases mais famosas: “passar bens”.

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