Conheça a universitária que conseguiu vaga em curso da Nasa e ajude-a a conquistar um sonho

Maria já participou de outro curso há alguns anos e encontrou astronauta Marcos Pontes

Foto: Arquivo Pessoal

Muitos, quando ainda crianças, sonham em ser astronautas, ver as estrelas de perto e descobrir cada canto do espaço. Conforme passa o tempo, algumas vão abandonando o sonho, trocando-o por outros. Outras pessoas, entretanto, persistem ainda que o objetivo pareça impossível para os demais. É o caso da universitária Maria Gisllanny Bezerra Silva, de 20 anos.

Maria nasceu na pequena cidade de Serra Talhada, no interior de Pernambuco, e mudou-se para Mato Grosso ainda bebê, vindo a morar boa parte da sua vida em Tangará da Serra, onde seu pai trabalha em uma usina hidrelétrica.

Segundo Maria, a família nem sempre teve muitas condições e, por isso, até os 10 anos, ela não tinha acesso à internet ou a computadores. Se engana quem pensa que isso possa ter uma desvantagem para a futura astronauta. Pelo contrário, foi um dos motores que a levaram a se dedicar aos estudos e questionar a imensidão do espaço.

Para conseguir estudar e conhecer as mais diferentes áreas, Maria recorria à biblioteca da escola. Como sabia que não poderia permanecer muito tempo com os livros que emprestava, ela copiava o conteúdo em cadernos para ler depois – esses, revelou ao LIVRE, ela guarda até hoje.

O sonho

Segundo a jovem, a curiosidade pelas estrelas e o espaço a acompanha desde criança, quando teve a oportunidade de acompanhar a queda de um meteoro, quando tinha cerca de oito anos. Na mesma época, Maria também assistiu a transmissão da chegada do tenente-coronel da Força Aérea Brasileira e astronauta, Marcos Pontes, no espaço. Ela ficou encantada com o momento e a sensação que tomou conta da nação.

Foto: Arquivo Pessoal

“Eu tinha oito anos quando o Marcos chegou no espaço. Meu pai me chamou para ver. Eu não consigo lembrar da imagem, mas lembro da espaçonave e do verde e amarelo. Depois que eu fui entender o porque que ele entrou com a bandeira nacional na frente. Aquela imagem ficou registrada na minha memória e desde então eu fui crescendo e acompanhando ele na TV, depois no Orkut, por livros também”, contou à reportagem.

Segundo ela, conforme pesquisava, ficou cada vez mais motivada com a história de vida do astronauta. “Ele sempre enfatizou a importância dos sonhos, de se acreditar nos sonhos”, disse.

A paixão pelo espaço e a vontade de chegar até lá sempre estiveram acompanhados por desestímulos dos colegas, que, por vezes, eram piadas e até agressões físicas.

Mesmo que tudo caminhasse para que ela desistisse do sonho, a história da menina que deseja ser astronauta tomou um rumo diferente.

Foi em 2015, quando a jovem esteve em Cuiabá para uma palestra do astronauta Marcos Pontes, durante um evento de Ciência, Tecnologia e Inovação. Lá, encontrou-se com sua inspiração. Deu-lhe um abraço e fez perguntas. Fascinada, quis saber os caminhos que a levarão até a Nasa (Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço, em inglês).

“Muito estudo”, foi o que lhe respondeu. Naquele dia, o astronauta, além de dar dicas de matérias importantes e tê-la motivado a persistir, ele também lhe abriu portas: apresentou-a a um colega, professor universitário, físico e astrônomo Marcelo Souza.

Daquela conversa saiu mais um passo para Maria seguir rumo à agência americana. No ano seguinte, o professor a convidou para participar do projeto Missão X, promovido pela Nasa, sendo que aquela seria a primeira turma a executá-lo no Brasil. Em Mato Grosso, o Missão X foi replicado em Tangará da Serra, na escola onde Maria estudava. Em paralelo, a jovem também participou de um concurso da agência espacial americana, no qual deveria fazer uma redação.

Conforme a universitária, ainda naquele ano, 2016, ela esteve no Rio de Janeiro, para uma reunião entre os participantes do projeto e o gerente da Nasa. Lá, ela falou sobre a participação mato-grossense no Missão X. Quando estava no aeroporto, de retorno para casa, recebeu por email o comunicado de sua aprovação no concurso de redação. Além de ter o texto aprovado, e depois publicado no site da agência, Maria conquistou, uma vaga para visitar e estudar com os astronautas. Foi mais um passo rumo ao seu sonho.

A universitária, então, fez uma visita técnica em Houston, no estado do Texas, e participou de um curso de radioastronomia, no estado da Virgínia. Na mesma viagem, ela também ganhou uma visita ao museu de Ar e Espaço, em Washington D.C. “Foi tudo por meio do professor Marcelo, que assinou a carta-convite e me convidou para uma reunião nos Estados Unidos”, explicou.

Depois que voltou, o sonho parecia cada vez mais próximo, ainda que alguns colegas não acreditassem. “Não foi fácil. Eu acho que tudo começou a melhorar só depois da redação e da ida à Nasa, porque depois até o projeto foi mais divulgado”, contou a universitária.

Desde então, Maria tem seguido os conselhos que recebeu e se mantido como uma estudante aplicada em sua faculdade. Além de estudar as matérias específicas, como astrofísica, ela também desenvolve trabalho social promovendo o conhecimento.

Para entender melhor o caminho que deve seguir, a jovem chegou a pesquisar o currículo de cada astronauta da agência americana para traçar a formação ideal para que possa disputar uma vaga na Nasa daqui a alguns anos. À reportagem, ela explicou cada um dos passos, faculdades e especializações que deve fazer para conseguir sua vaga e, assim, poder ficar mais perto do espaço.

Um passo a mais

Hoje, Maria estuda Física na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), sendo esta apenas a primeira faculdade que ela deverá fazer para entrar na agência americana. Para conquistar o sonho de ser astronauta, ela quer começar como engenheira, adquirir experiência e conhecimento sobre a Nasa, para, então, seguir rumo ao espaço.

Apesar de parecer um caminho distante, a determinação da estudante faz parecer fácil. Além disso, ela se agarra a todas as oportunidades para que consiga estar sempre um passo à frente em direção à agência americana. E a próxima etapa já está marcada.

No próximo ano, a agência americana vai realizar um curso completo, com duas semanas de duração, que é intercambiado por uma agência particular de Pernambuco, estado onde Maria nasceu. Conforme a estudante, no curso devem ser abordadas temáticas como mergulho, astronomia, robótica e engenharia com astronautas da Nasa.

Foto: Arquivo Pessoal

“São disciplinas que todo astronauta precisa. Eu acredito que esse curso será fundamental para minha formação”, disse ao LIVRE.

Inicialmente, o curso tem o custo de R$ 17 mil e vai ser ministrado por astronautas e engenheiros da agência americana. No entanto, a universitária não tem condições de arcar com as despesas do estudo e mais os gastos no país estrangeiro. Por isso, ela decidiu colocar a mão na massa.

Experiente em compartilhar suas ideias e vivências, a estudante ofereceu, para escolas e empresas, palestras, contando tudo o que sabe sobre o espaço e outras temáticas. Assim, ela espera conseguir arrecadar parte do valor necessário para a viagem.

No entanto, ela também divide o sonho com a população brasileira, a quem ela deseja representar na agência americana. Assim, ela pede que, quem puder, ajude-a depositando qualquer valor em sua conta bancária.

Segundo ela, o depósito foi escolhido porque, por meio de vaquinha online, os doadores também teriam que pagar uma taxa para as empresas e teriam valores mínimos para serem transferidos. Já da maneira como escolheu, as pessoas estariam à vontade para depositar quanto pudessem, sem ter que pagar para ajudá-la.

Ajuda

Para quem puder ajudá-la, os dados bancários foram disponibilizados abaixo:

Caixa Econômica Federal
Maria Gisllanny Bezerra Silva
CPF: 056.135.781-17
Agência: 1695
Conta poupança: 050450-0

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1 COMENTÁRIO

  1. Maria Gisllanny Bezerra Silva é minha aluna no Curso de Bacharelado em Física da UFMT. Como seu professor, pude observar sua dedicação pela Astronomia e pela Astronáutica. Pude também observar sua dedicação na conquista deste sonho. Por isso, acredito que essa é uma causa que vale a pena apoiar.

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