Taques, Maggi, Caixa 2, Teologia: confira o que pensa Silval Barbosa

Ex-governador depôs à CGE nesta terça-feira e disse que ajudou a eleger Pedro Taques

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

O ex-governador e delator Silval Barbosa falou com a imprensa por quase meia hora nesta terça-feira (3), depois de prestar depoimento à Controladoria Geral do Estado (CGE). Em prisão domiciliar desde junho de 2017, quando negociava acordo de delação premiada com a Procuradoria Geral da República (PGR), Silval já tem duas condenações que somam 27 anos de prisão. Ele está afastado da vida pública desde setembro de 2015, quando foi preso pela Polícia Civil na Operação Sodoma.

Confira o que Silval falou sobre os principais temas abordados na entrevista:

Governo Taques na delação de Silval

“Tive oportunidade de colaborar com a Justiça e relatar os bastidores do que ocorre na política, não só no meu governo, mas até na composição da chapa do Pedro Taques. Eu colaborei para a eleição dele também, juntamente com Blairo Maggi e Mauro Mendes na época, que me pediram para ajudar, para ele não olhar no retrovisor.”

“A Engeglobal está na minha delação. A Três Irmãos também, paguei contas que eu avalizei, com recursos de incentivos, e até há poucos dias o secretário Carlos Avalone cuidava dos incentivos do Estado. Estava trabalhando no governo normalmente. Ele (Pedro Taques) sabe de tudo isso. É o governo da transformação.”

“A maioria daqueles deputados eu ajudei financeiramente a reeleger. E a maioria dá sustentação [ao governo Taques]. E o governador, como ex-procurador do MPF, como moralizador que é, deve ter lido a minha colaboração, e sabe muito bem disso. Agora, a base na Assembleia tem que ter relação política, relação de governabilidade. Eu tive a minha, infelizmente, de um jeito que eu relatei à Justiça.”

Corrupção no governo Taques

“Eu vejo ainda o governo sustentando a moralização, mas vocês estão divulgando tudo. Processo de grampolândia, de educação, os parentes presos. Vejo na imprensa que há delações de corrupção dentro do governo atual que já foram homologadas.”

“A moralização que ele tanto pregou, perseguiu tanto, disse que era o caçador de corrupção. O que eu fiz, já estou me redimindo e colaborando com a Justiça. O pessoal fala em corrupção no governo passado, enquanto este governo está totalmente enlameado. Olha aí os parentes presos, a corrupção. Eu fui vítima da grampolândia com minha família. A gente espera esclarecimento disso também.”

“Nenhum secretário meu foi preso durante meu governo. É o governador que fez? Eu não sei, a justiça que vai investigar, que sabe. No meu governo não tem presunção de inocência, no dele tem.”

Obras do governo Taques

“Fiz várias obras, e algumas ficaram inacabadas, porque que não depende tudo de você. No governo Pedro Taques, o que tem de obras importantes é o Pronto Socorro, que ele está fazendo em parceria com a prefeitura. Já teve duas ou três datas de entrega e pelo jeito não vai entregar neste governo. Se ele não ganhar, e assume um outro governo, não vai terminar o Pronto Socorro? Tem que fazer. Assim é governo. Eu assumi várias obras que não tinham sido feitas, prometi várias e entreguei a maioria.”

“Nós arrumamos dinheiro para a Salgadeira. Com qual dinheiro está executando as pontes de concreto? Qual dinheiro está sendo investido nas estradas além da contrapartida do Fethab? Tudo convênios que deixamos do MT Integrado. Que obra importante ele está deixando em Cuiabá além do Pronto Socorro? Deixamos R$ 4 bilhões de convênios assinados para o governo executar. Ele está executando obras com dinheiro que deixamos e prega a placa dele.”

Eleições 2018

“Não vou apoiar ninguém, não posso, e não estou em condições de apoiar ninguém. Espero que seja uma eleição limpa e transparente. Que venha o novo, mudanças, os candidatos que realmente têm condições. Vejo vários nomes com qualidade e competência.”

Ele se recusou a citar nomes ou declarar apoio a algum candidato. “Não quero ajudar nem atrapalhar. A sociedade que avalie cada um e vote com consciência.”

Questionado se Mauro Mendes estava certo ao dizer que Taques deixará um governo pior do que o que herdou, ele concordou. “Mauro conhece de administração. Mauro é um empresário. Era aliado dele e acompanhava bem o governo Pedro Taques. Pivetta é um empresário, conhece bem o que é gestão. Era coordenador de campanha. Então eles falam com propriedade.”

Caixa dois e corrupção para pagar dívidas de campanha

“Mato Grosso é um estado rico e pujante, se tirar essa sujeira que tem na composição do processo eleitoral… Quando uma candidatura fala que gastou R$ 25 milhões, na verdade é R$ 70 milhões ou R$ 100 milhões. A Justiça agora tem oportunidade de fiscalizar. A sociedade tem oportunidade de acompanhar. Esperamos que isso sirva pedagogicamente para que as eleições sejam limpas. Nas campanhas majoritárias, é declarado um terço, o restante é caixa dois. A Justiça Eleitoral tem que fiscalizar. Porque candidato com vontade de ganhar a qualquer preço faz de tudo.”

Faculdade de Teologia

Está praticamente concluída. Já fiz os testes, são 365 questões. É um aprendizado. Vou exercer o conhecimento: praticar e colocar Deus acima de tudo na vida, procurar se apegar em Deus e não fazer as coisas erradas.”

Silval, que é evangélico, negou qualquer intenção de se tornar pastor. “Não, não é essa a pretensão. Esse negócio de ser pastor é… Deus é que sabe. Eu quero tocar minha vida, cuidar da minha família.”

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