Confira 10 análises positivas e 10 negativas sobre o mundo pós-coronavírus

Os efeitos que reverberam dos meses da disseminação do coronavírus

Imagem: EPA

Há prós e contras da crise mundial gerada com o surgimento do coronavírus. Especialistas têm versado sobre o tema. Sobre as mudanças comportamentais notadas nas relações humanas e também, na natureza. Mas o coronavírus trouxe medo e impactos na economia.

Compilamos algumas dessas impressões, listando os “prós” e “contras” e assim, traçando uma perspectiva de um mundo “pós-coronavírus”.

Prós

1. Família reunida

O período de quarentena levou de volta à sua casa todos os que saíam diariamente para trabalhar e só voltavam à noite, muitas vezes, não tendo tempo para dividir uma refeição com a família.

O home-office colocou casais dividindo as tarefas domésticas – do trabalho mais simples como arrumar uma cama – ao tempo necessário ao auxílio nas lições de casa do filho e, quando possível, o acompanhamento das aulas que conseguiram ser ministradas à distância.

2. Gastar somente o necessário

Outra descoberta é que se pode fazer economia. Embora todos dentro de casa, com aumento de consumo de gás (que falta em várias cidades do país), eletricidade e água, a alimentação bem feita e os gastos relativos a ela, ficaram bem definidos no orçamento doméstico.

A compra do supermercado, da feira e do açougue se limitaram ao essencial e mesmo com a alta de valores na cesta básica, o excesso – e o desperdício – foi repensado e abandonado. Assim como roupas deixaram de ser compradas e até, passadas.

3. Cuidados à distância com avós e tios na terceira idade

Se os domingos foram reservados durante anos aos almoços em família, ou reuniões com familiares e festas de aniversário, eles passaram a acontecer virtualmente. “Parabéns a Você” cantado à distância pelos parentes e amigos através da tela do computador ou do celular – e a saudade, além da falta do abraço ou beijo do familiar passou a fazer parte da rotina do brasileiro.

Se de um lado apareceu fortemente a solidão, de outro, contatos passaram a ser mais frequentes mesmo que feitos via Facetime e videochamadas por WhatsApp.

4. A natureza respirou

A cor do céu mudou. Principalmente, nas grandes cidades! O entardecer carregado de poluição do outono com faixas cinzas de poluição, deu lugar às tonalidades do sol se pondo. Telas nunca retratadas por pintores foi o que se assistiu. Tons róseos, laranjas, amarelos, azuis pintaram as nuvens, mudando de tons por minuto. Foi impossível captar todas as tonalidades na câmera do celular.

5. Os rios e mares reviveram

Poluídos com a incessante visita de turistas, ou com a descarga máxima de fábricas dos mais diversos tipos, os rios e os mares também tiveram seus dias de descanso.

Em cidades turísticas do exterior – e mesmo as brasileiras – os rios se tornaram mais limpos (em Brotas, os peixes voltaram a pular nadando contra a correnteza). Os mares receberam de volta golfinhos, peixes e até tubarões – vistos em Ilhabela, na Praia do Poço, depois de anos “sumidos”.

6. Habitantes diferentes nas grandes cidades

Os animais aproveitaram o descanso que os homens deram para eles e voltaram às cidades, ocupando suas ruas. Em São Paulo, as capivaras que apareciam vez ou outra nas margens do rio Tietê e Pinheiros, se atreveram a atravessar a pista e ficarem sob a sombra das árvores.

Em prédios da Zona Sul de São Paulo, macacos escalaram varandas e pularam nas piscinas para se refrescarem e gatos e cachorros saíram às ruas com mais tranquilidade, sem serem atropelados por carros, ônibus ou motocicletas.

7. Preocupação com o próximo

Grupos se organizaram, pessoas se uniram a outras e ONGs apareceram para ajudar de forma mais real. Vários pedidos de auxílio com dinheiro para aquisição de cestas de básica a famílias de baixa renda, que se viram sem poder trabalhar temporariamente.

Várias famílias, para não se verem completamente sem dinheiro, buscaram novas formas de trabalho. Assim, costureiras passaram a produzir máscaras de proteção e universidades – e montadoras de veículos que ficaram paradas – passaram a produzir máscaras e respiradores para os hospitais.

Os moradores de rua, em várias cidades, ganharam pias para lavarem as mãos, novos locais para se alimentarem e se banharem foram abertos e a alimentação barata foi colocada à disposição de cada um deles.

O governo voltou os olhos à população que sobrevive criando o subemprego e passou a entregar R$ 600,00 para compras básicas.

Igrejas e templos passaram a fazer transmissões de cultos religiosos pela internet e emissoras de rádio que, em muitas cidades, estavam sendo esquecidos, passaram a demonstrar a importância da fé em tempos de pandemia.

8. Olhar carinhoso a quem cuida de todos

Médicos, biólogos, enfermeiros, farmacêuticos, gestores de hospitais, técnicos de enfermagem, recepcionistas, auxiliares de laboratório, faxineiros, agentes funerários, coveiros, entregadores de produtos e serviços passaram a serem vistos como heróis.

E a verdadeira vocação de cada um deles está sendo compreendida por toda a população.

Assim como os produtores de alimentos, caminhoneiros que cortam esse país para levarem o que é produzido de um estado a outro. Os olhares, para cada profissão, modificaram em questão de meses e hoje, os ídolos não são mais digitais influencers, celebridades ou esportistas.

9. Aprendizado à distância

Com os filhos em casa, os pais passaram a acompanhar o comportamento de seus filhos com os professores e como são ensinadas as matérias nos dias de hoje. O quanto houve de mudança para melhor na educação – ou como os filhos têm razão em reclamar sobre o que aprendem.

As lições de casa tornaram-se tarefas familiares, nas quais pais e filhos trocam experiências e lembranças da sua infância e adolescência. A leitura passou a ser uma das atividades feitas em família e o prazer das brincadeiras infantis do meio do século XX foram retomadas.

10. Novos tempos, novos dias

O importante de se viver o hoje em família tem sido a grande lição dessa pandemia. E, para tanto, haja criatividade. Pais que simulam as emoções de uma montanha russa com uma banheira infantil utilizando imagens do YouTube na televisão, mães que redescobrem as receitas das avós e pedem aos filhos que as auxiliem, filhos adolescentes que chamam a atenção dos pais com a necessidade de estarem proibidos a sair e que pedem soluções positivas e os levam à volta do diálogo.

Quando tudo isso passar, com certeza, o mundo não será mais o mesmo.

Contras

1. Economia retraída

A crise econômica, que já estava instaurada há alguns anos, se aprofundou ainda mais. E esse não é cenário brasileiro. É cenário mundial. O desemprego aumentou e os empresários viram que não há necessidade de aglomeração para que os seus escritórios funcionem. Isso também se aplica às lojas de rua e de vários shoppings já que as compras on line, em vários setores, bateram recorde de vendas.

A carteira assinada – e toda a segurança dada pela CLT ao trabalhador – vem sendo avaliada pelos empregadores e um novo modelo de contrato trabalhista deve viabilizar a mão de obra daqui para frente.

2. A fragilidade do sistema de Saúde brasileiro

Se o Brasil tem o SUS – Sistema Único de Saúde – para todos os brasileiros, a sua fragilidade e má gestão, além de desvio de verbas ficou clara para toda a população. Afinal, a quarentena foi iniciada para que não houvesse colapso total na Saúde dos brasileiros, com UTIs sem todos os equipamentos, equipes médicas desfalcadas, enfermeiros despreparados para atendimento em massa e, pior, falta de máscaras, aventais e luvas de proteção, além de álcool em  gel para a limpeza e manuseio de aparelhos, além do uso da população.

3. O luto

A dor de perder algum familiar é indescritível. Familiares e amigos se unem para se apoiarem, o abraço é uma forma de consolo e orações em grupo, ajudam a família nesse momento difícil.

Pela rapidez com que se propaga, os mortos vítimas de coronavírus, foram enterrados – ou cremados – rapidamente, sem que a família tivesse o seu momento de despedida. Quantos familiares, ao mesmo tempo que choravam seus mortos, estavam isolados em quarentena, enfrentando as dores que o Covid 19 provoca.

4. Testes laboratoriais

O atraso dos exames laboratoriais de coronavírus – e o absurdo em se importar da China insumos infectados – permitiu que a doença ganhasse força no Brasil. Em Manaus, Fortaleza, o sistema de saúde está em colapso e os testes não estão sendo feitos sequer nos estados brasileiros com maior desenvolvimento econômico.

Os dirigentes políticos do mundo todo, incluindo o do Brasil, não estavam preparados para uma pandemia e colocaram à população à mercê de todos os riscos e fatalidades.

5. A sobrevida da pequena e média empresa

Assim como toda a Economia nacional, um país que têm sua arrecadação e empregos baseada na pequena e média empresa, não desenhou – ao menos, até agora – saída aos seus proprietários.

Com juros escorchantes, os empréstimos bancários não são o socorro que o empresário precisa agora e, com o futuro incerto, a demissão de funcionários – muitos pais de família e filhos que sustentam a casa – é uma das saídas mais viáveis. E mais indesejáveis também.

6. Restaurantes, bares e serviços de beleza

Com a crise econômica, os encontros de finais de semana, quando acabar a pandemia, deverá ser totalmente modificado. O happy hour das sextas-feiras ou o almoço do sábado de feijoada com pagode, diminuirão bastante.

Qualquer gasto supérfluo pode refletir no orçamento doméstico e até cabeleireiros – ou massagistas e terapeutas holísticos – serão usados o mínimo possível.

7. Viagens de avião

Reuniões de trabalho em outros estados, em outros países, ou passeios de finais de semana prolongados – esse ano teriam vários – cuja viagem seria feita em avião, foram – e continuarão sendo – deixadas de lado.

As empresas de aviação, com certeza, devem estar procurando saídas para conseguir modificar o sistema de ar condicionado das aeronaves para que todos voltem a utilizar esse meio de transporte.

8. Isolamento social

Nunca a solidão se fez tão presente na vida de todos. A falta de quem conversar, a troca de ideias naturais para o crescimento humano, a afetividade de amigos e namorados, tudo ficou para trás.

A reação à solidão diverge de cada um. Muitos procuram as redes sociais e escrevem enlouquecidamente sobre seus pontos de vista, não aceitando que pensem de forma diferente deles.

Os relacionamentos via Tinder (aplicativo) se desfazem rapidamente. E o Twitter virou palco de agressões. O Instagram mudou completamente. As selfies foram trocadas por fotos de alimentos preparados em casa e as reuniões de família, agora são fotografadas com a TV no fundo, colocando os participantes nela.

Nenhum homem é uma ilha, já dizia John Donne. O que importa, nesse momento, é não deixar se abater. E procurar companhias – e ideias positivas – em séries, filmes e livros. Tudo para que a depressão não tome conta e provoque estrago maior.

9. Violência doméstica

A violência doméstica aumentou exageradamente com a quarentena. Obrigados a conviver as 24 horas do dia, casais brigam em frente aos filhos e companheiros usam da agressão física para dominar a sua mulher e sua família.

Se de um lado, o medo do futuro econômico da mulher com filhos auxilia o companheiro a se sentir dono dela, de outro, as denúncias não são apuradas porque não há segurança pública para todos.

10. Abusos na quarentena

Apesar da mídia avisar incessantemente sobre a necessidade de ficar em casa, muitos abusam e não só saem sem necessidade, como promovem reuniões e pancadões em comunidades.

Vale o último aviso – Não é proibição do ir e vir! É necessidade de não ter aglomerações e o vírus não propagar com  velocidade absurda.

Viver o dia presente é a grande lição dessa pandemia. Portanto, um dia de cada vez!

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