Como podes me amar?

Hoje estou a pensar na Virgem Mãe das Dores...

Hoje estou a pensar na Virgem Mãe das Dores…

Aquela que, quando menina, foi o encanto do Espírito Santo, gerou o Sagrado Coração em seu ventre e o nutriu com seu sangue… Ela que todos os anjos veneram.

Penso na jovem mulher que ensinou a pequena criança, Filha Unigênita do Criador, a dar seus primeiros passos e a pronunciar as primeiras palavras…

A mulher forte e serena, que aceitou o calvário de seu único filho, silente, confiante nas mãos condutoras e promessas do Pai.

A mulher cuja força que emana do Amor que tens pelo Reino a leva a repetir seu Sim diante de tamanho martírio!

Penso naquele mais triste fim de tarde da mais dolorosa sexta-feira que há de existir até os fins dos tempos.

Quando a Mãe recebe em seus braços, dos soldados algozes, o Corpo Santo do Salvador, seu Amado, ainda a sangrar…

Penso nesse instante, em suas lágrimas a deslizar pelo seu rosto maternal, lavando o Corpo do Cordeiro, fruto de seu ventre, sangue de seu sangue, traspassado de chagas…

Penso agora no Filho Morto em seu colo, tão árido, tão pesado…

Mas imagino que lhe venha uma lembrança inevitável, em meio à quase insuportável dor.

Lembra-te do peso tão suave em seu âmago, dos chutes do Menino faceiro, se revirando em seu ventre… Ah! Quão suave aquele peso que carregastes por nove meses.

Mas quão aflito agora é esse abraço, é todo em pranto.

Como dói seu Imaculado Coração, nesse fim de tarde da sexta-feira de derradeira dor.

Penso no seu semblante sofrido ao fitar o rosto desfigurado do Divino Amor, cuspido, desfalecido, ensanguentado… E com tão compadecente amor, o acaricia…

E então revives aquele instante inesquecível de quando pela primeira vez Seus Olhinhos vívidos e faceiros se encontram com seu olhar, enquanto Ele se nutre em teu seio. Ah! Como Deus ama a luz que emana desse olhar maternal…

Quantas vezes Deus lhe pediu esse olhar, esse amor que só tu, entre todas as criaturas, pode dar-Lhe, não consigo imaginar o quanto Deus ama esse olhar…

Te lembras ainda, contemplando o rosto do seu Cristo açoitado e sem vida, da face que na mais tenra idade lhe deu o primeiro sorriso, depois o primeiro beijo de filho amoroso.

E ainda penso na compaixão da sua alma, mesmo confiante nos planos do Pai Criador, na tristeza ao caminhar até o Sepulcro Sagrado para ali guardar seu Jesus Morto.

E nesse caminho dolente, sentes agora o calor da pequena mãozinha tão agarrada à sua, tão confiante Ele segue teus passos, a passear no fim das tardes de domingo…

Mas é preciso continuar o caminho de passos doloridos para guardar seu unigênito…

Porém, antes de avistar o túmulo, já no começo da noite, relembras as lindas cantigas de ninar que ressoam baixinho no quarto, enquanto o Filho de Deus nos seus braços adormece…

E de repente avistas o Sepulcro, mas penso que não ousas chegar tão perto…

E a pedra fecha o túmulo diante de ti. Ah! Nessa hora seu Imaculado Coração não resiste!

Uma ferida se abre em seu peito e como qualquer mãe, santa ou não, aos prantos implora ao Criador que não te abandones!

Em soluço faz uma prece, a mesma de qualquer mãe diante de tamanha dor:
_ Meu Pai, devolva meu Filho!

Óh Virgem Mãe Dolorosa, como podes me amar assim?

A mim que, com meus pecados, feri de morte seu Grande Amor e o preguei numa Cruz?

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