Comércio projeta ano de crescimento, mas crise no governo ainda preocupa

    Presidente da CDL, Nelson Soares diz que "efeito dominó" dos atrasos salariais pode se transformar em um problema não só para o Executivo

    (Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

    Depois de dois anos com a economia se recuperando de uma grave crise financeira, o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Cuiabá, Nelson Soares Júnior, avalia com otimismo o mercado para 2019. Segundo ele, a expectativa é favorável porque Mato Grosso é um Estado considerado “fora da curva”. Nacionalmente, o cenário ainda é de desemprego.

    A crise de caixa enfrentada pelo governo do Estado, no entanto, ainda preocupa. Segundo Nelson, o motivo é que atrasos, escalonamento e, agora, parcelamentos dos salários dos servidores públicos podem afetar o setor. Isso sem falar nas dívidas que o Executivo tem com fornecedores. O chamado “efeito dominó” ocorre porque, além dos 100 mil servidores públicos, funcionários dos prestadores de serviço ao governo também podem ficar sem receber.

    “Por exemplo, as viaturas estão paradas. Se elas estão paradas, os postos de combustíveis não estão vendendo tanto, se não está vendendo, um frentista vai ser mandado embora. O hospital não está atendendo a pleno, a merenda não está chegando na escola… e assim vai”, exemplificou.

    Conforme o dirigente, melhorar a saúde financeira do Estado é ponto crucial para que a alta expectativa do comércio se mantenha viva ao longo de 2019. “Se nós tivermos as propostas macroeconômicas resolvidas, e quando eu falo nisso eu falo sobre as reformas da previdência, passando pela tributária, eu acredito que o horizonte é muito promissor”, observou.

    Industrialização

    Apesar de garantir que Mato Grosso tem mantido uma economia “favorável” graças ao agronegócio, “que traz oxigênio ao mercado”, o presidente da CDL crê que, para resolver a situação financeira, o governo precisa apostar em incentivos para a indústria crescer.

    “A indústria é um grande impulsionador de comércio. Com ela, você aumenta a quantidade de gente e essa população tem uma série de demandas por produtos e serviços. Você acaba aumentando a quantidade de lojas ou de funcionários dentro das lojas, você tem uma necessidade de mais médico, mais cabeleireiros, mais tudo”, frisou.

    Para ele, é necessário atrair os setores considerados “primários”, a fim de suprir as necessidades da produção mato-grossense e agregar valor à economia local.

    “Somos, hoje, campeões nacionais na compra de fertilizantes. Qual é a indústria de fertilizantes que temos aqui? Somos o campeões nacionais na compra de defensivo agrícola, qual é a indústria que temos? Somos os maiores compradores de maquinário para produção agrícola e qual é a indústria de maquinário que temos? Isso são horizontes que a gente visa como norte para o governo, para a gente procurar trazer esse tipo de investimento para cá”.

    Comércio e inadimplência

    Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), ligado ao Ministério do Trabalho, no ano passado, Mato Grosso gerou mais de 36 mil novas vagas de emprego, das quais 49% estavam nos setores do comércio e serviços.

    Nelson Soares diz que falta incentivo e que ainda não é possível afirmar que a “crise financeira” é passado, mesmo assim, pontua que o setor cresceu, ainda que pouco. Hoje, pesquisas encomendadas pelo SPC Brasil apontam que a “lição” levada pelos consumidores dos anos anteriores é a de um consumo mais consciente.

    Pesquisa feita pelo Serasa Experian apontou que houve recorde no número de inadimplentes em 2018. Além disso, a maior incidência é relacionada a pessoas na faixa etária dos 36 a 40 anos (47%), seguida pelos de 31 a 35 anos (46%).

    Mesmo não sendo a com maior número de casos, a faixa dos idosos foi a que mais cresceu nos últimos dois anos. Dos brasileiros com mais de 61 anos, 35% tinham contas atrasadas.

    “Nós queremos um consumidor consciente, que vá lá e consiga pagar. Isso melhorou, tanto que, depois de um bom aumento em 2018, ela [a inadimplência] começou a cair. A pessoa começa a cuidar melhor do dinheiro dela e, quando ela cuida melhor do dinheiro, compra e paga. Com isso, melhoramos nossos índices”, finalizou.

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