Comércio está “às moscas” e CDL propõe novo horário de funcionamento

Novo turno seria das 10h às 18h até o controle da situação

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

A TOP Week, evento cujo objetivo era ampliar as vendas e reviver o comércio no Centro Histórico de Cuiabá, foi “atropelada” pelo anúncio de pandemia do coronavírus. Algumas lojas ainda insistiram em colocar as bancas com produtos em oferta na calçada, bem como balões e cartazes. Contudo, faltou a estrela da festa: o consumidor.

Por este motivo, a Câmara dos Diretores Lojistas de Cuiabá (CDL) propôs a mudança do horário de atendimento para das 10h às 18h, algo que já foi implantado desde semana passada por muitos empreendedores.

Afinal de contas, os trabalhadores ficam por longo tempo de braços cruzados e a redução do tempo não impactará de forma nenhuma no faturamento da empresa.

Nilva Maria diz que é preciso se esforçar para fazer uma venda após o anuncio da pandemia (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Na Cândido Mariano, conhecida como rua das óticas, as vendas são mais para óculos de grau. A vendedora Nilva Maria diz que os clientes já chegam com a receita nas mãos e com a certeza da compra.

Os que vinham com interesse de pesquisar ou comprar óculos de sol e relógios estão escassos.

Pior crise dos últimos 20 anos

Já Rosa Antunes, que é proprietária de uma loja há 18 anos no calçadão da Ricardo Franco, diz que a Covid-19 – doença causada pelo coronavírus – veio no meio da maior crise que a empresa enfrentou.

Ela conta que sempre teve, no mínimo, 7 vendedores, além de gerente de vendas e estrutura administrativa. Hoje, a loja de confecções tem 3 funcionários, contando com ela, que também atua nas vendas.

Rosa Antunes está preocupada com a situação que define como a maior crise vivida por ela (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

“Ontem, eu entrei em pânico com a situação. O fim do mês se aproxima e preciso pagar água, luz e funcionários. E como fazer se não houve vendas. As pessoas desapareceram”, desabafa.

Desde sexta-feira (13), as portas do estabelecimento são levantadas às 9h e, segundo ela, para que isso atrase até às 10h, que é o horário proposto pela CDL, falta muito pouco.

“Eu chegou todos os dias 7h30 e, nas últimas semanas, não tem ninguém nas ruas esse horário”.

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Comes e bebes

O suco mais famoso do centro, que fica ao lado da Igreja Matriz, está às moscas. Há duas semanas, era preciso entrar na fila para comprar um copo. Agora, é só chegar.

A proprietária e presidente da Associação mato-grossense de Artesãos, Tuti Dantas, fala que pela manhã o movimento parou e, no final do dia, há uma pequena recuperação.

“Eu cheguei a pensar em ficar em casa por um tempo. Tenho uma pequena reserva. Mas como ficam meus funcionários? Eles não querem e, se eu falar para eles ficarem meio período em casa, também não aceitam porque precisam de todas as horas trabalhadas para viver”.

Farmácias

O tumulto para a compra de álcool em gel acabou. Depois de vários reportagens mostrarem a escassez do produto no comércio, as pessoas nem o procuram.

Segundo o atendente de farmácia Odir Ferreira, no começo, foi uma correria e a única coisa que sobrou foi ao álcool 70%, que faz o mesmo efeito e continua com o mesmo valor R$ 4 por 50 ml. 

“Atualmente, quem entra na loja está mais interessado em comprar vitamina C ou outras substâncias naturais para prevenir gripes e resfriados”, descreve.

Álcool 70% faz o mesmo efeito que o álcool em gel e ainda está disponível nas farmácias (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Coronavírus no Brasil

Subiu para 291 o número de casos confirmados de coronavírus no Brasil e um óbito foi atestado em São Paulo, de acordo com as informações repassadas pelos Estados ao Ministério da Saúde até 18h desta terça-feira (17).

Em Mato Grosso, são 25 casos tratados como suspeitos.

As ocorrências que levantam a suspeita estão em Lucas do Rio Verde (1), Aripuanã (2), Araputanga (4), Cuiabá (6), Nova Xavantina (2), Rondonópolis (4), São José do Rio Claro (1), Sinop (1), Ipiranga do Norte (1), Campo Verde (1), Campo Novo do Parecis (1) e Cáceres (1).

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