Comércio enfrenta oscilação e ainda desconhece impacto da pandemia

Oscilação vem do receio de demissões e incerteza de como será o cenário pós-crise do coronavírus

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Empresários em Cuiabá ainda estão tateando os efeitos da paralisação econômica pela pandemia do coronavírus. Nas primeiras semanas de retorno do comércio, a movimentação oscilou como pêndulo por causa da incerteza econômica. 

A dificuldade vem da fase ainda gradual da restrição às atividades e do desconhecido sobre o futuro econômico do país. 

“Ainda estamos trabalhando com empresários e consumidores para sabermos como está sendo o comportamento e o que podemos projetar. O quadro não é apenas de saída de um cenário negativo, ainda há medo, insegurança sobre como será a situação daqui para frente”, diz o superintendente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Cuiabá, Fábio Granja. 

Numericamente, já se sabe parte do resultado negativo. As vendas de modo geral caíram em média de 50% ao longo dos 40 dias de isolamento social decretado em Cuiabá. 

Não é o pior cenário para setor no histórico brasileiro, mas chegou ao patamar de 2017 e 2018, anos em que o país engatinhava para fora da recessão econômica iniciada em 2014. 

A queda nas vendas deve gerar outros efeitos, como aumento no número de demissões e o fechamento de empresas. Esses números ainda dependem de órgãos oficiais que medem a situação. 

“Estamos esperando números do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) para sabermos com mais propriedade quantas pessoas perderam seu trabalho durante a pandemia. Mas, o número sobre quantas empresas não vão voltar da pandemia vai levar algum tempo”, comenta Granja. 

Perda do poder de compra 

Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada na semana passada, apontou que quatro em cada 10 brasileiros perderam o poder de comprar por causa da pandemia.

Do total de entrevistados, 23% perderam totalmente a renda e 17% tiveram redução no ganho mensal. 

A CDL avalia que a perda atingiu os mais variados estratos econômicos, seja o trabalhador formal ou informal ou empresários.  

“Mas esse número muda toda semana, a cada notícia nova, a cada novidade. E isso afeta o consumo. Além disso, tem o medo de perder o emprego, receio do que vai acontecer, então, o que se tem, fica aguardado”, diz. 

Os efeitos da pandemia sobre o comércio deverão ser mensurados com a retração do mercado de trabalho e a estimativa de consumo dos brasileiros daqui para frente (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Granja afirma que essa incerteza aparece no cotidiano de retoma do comércio em Cuiabá. A movimentação das vendas tem sido inconstante por causa, segundo ele, do receio do como ficará a situação econômica. 

A pesquisa da CNI mostra que quase metade dos trabalhadores (48%) tem grande medo  de perder o emprego. Somado ao percentual daqueles que têm medo médio (19%) ou pequeno (10%), o índice chega a 77% de pessoas que estão no mercado de trabalho.  

Nove em cada 10 entrevistados consideram grandes os impactos da pandemia de coronavírus na economia brasileira. 

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