“Comer de três em três horas é marketing”, garante especialista

Defensor do jejum intermitente para desintoxicação do corpo, médico especialista em medicina integrativa diz que o corpo precisa de menos alimentação do que se propaga

Promover tentativas rígidas para se manter em uma vida saudável pode ser uma “cilada”, é o que garante o médico especialista em medicina integrativa (ramo voltado à prevenção de doenças), Lucas Salvadori, de Sinop (500km de Cuiabá). Pela mesma lógica, fazer aquelas dietas e jejuns frenéticos não seria tão má ideia assim? Segundo ele, não mesmo!

Apesar de defender que possa ser benéfico realizar alguns novos e polêmicos métodos que estão na moda, como o jejum intermitente (ficar horas sem alimentação), o especialista alerta para os riscos.

“Nem tanto aos céus, nem tanto à terra”, com esse antigo ditado o médico explica que, na verdade, o corpo precisa de muito menos do que oferecemos a ele, porém de mais qualidade.

“Pasmem, comer de três em três horas não é necessário. Isso porque o seu corpo nem sempre necessita de tanta energia com tanta regularidade”, alerta.

A explicação da disseminação dessa informação é fácil – apenas marketing. Isso mesmo, segundo ele, as empresas precisavam vender mais barrinhas de cereais e pronto.

Outra informação que o médico classifica como mito é de que o café da manhã é a principal refeição do dia.

“Isso foi outra ação de marketing, que surgiu quando a indústria precisou vender mais cereais matinais. Na verdade, a principal refeição que temos que fazer é no momento em que teremos maior atividade. Na minha opinião, é o almoço”, explica o especialista.

Ainda em defesa ao método do jejum intermitente, o médico explica que essa prática é utilizada pela raça humana desde a época das cavernas.

“As pessoas sempre estavam em jejum, porque acordavam na caverna e não tinham comida. Tinham que caçar, então faziam esse exercício, muitas vezes intenso, em jejum. Esta prática foi parte da nossa evolução por muito tempo, até a industrialização. Com a industrialização, inclusive, é que conseguimos ter acesso fácil a comida e, consequentemente, começaram a fazer propaganda para obrigar a gente a comer mais vezes”, explica.

O médico lembra ainda que a prática do jejum voltou a ganhar muita força quando ganhou o método ganhou o Prêmio Nobel em autofagia (um processo que ocorre quando nosso corpo está em jejum prolongado). A técnica ganhou destaque porque, com ela, foi comprovada a regeneração da parte celular, ajudando o corpo a se proteger inclusive do câncer.

“Com esses estudos, começaram a perceber que a partir do momento em que o corpo baixa a insulina, ele começa a promover o emagrecimento. Então muita gente está usando essa técnica para emagrecimento, mas a gente tem que ver que é muito mais uma estratégia de saúde e qualidade de vida”, explica.

O especialista lembra também que comer de três em três horas só é justificado para atletas de ponta, que buscam alto rendimento “somente nesses casos pode ser uma estratégia interessante”.

Lucas explica ainda que jejum pode ser usado de 16, 24 e às vezes de 36 horas, dependendo do corpo e dos objetivos do paciente.

“Claro que para uma pessoa que nunca fez jejum não é indicado ficar sem comer 36 horas. Já para qualquer pessoa não é indicado um jejum de 72 horas, após esse período o corpo passa a apresentar efeitos que prejudiciais. Já os métodos que contemplam 16, 18 ou alguns percalços de 21 horas são interessantes, mesmo que praticados uma vez por semana, com benefícios robustos”, garante.

Apesar dos pontos positivos, o especialista alerta que há de se tomar muito cuidado com a alimentação em geral.

“Não é porque você fez jejum que pode comer qualquer coisa. Pelo contrário, tem de ajustar todos os períodos de nutrição dentro da sua janela alimentar”, garante.

Além do acompanhamento médico, o especialista ainda alerta que, em muitos casos, o método não é indicado, como em grávidas, crianças muito pequenas, ou lactantes (mulheres em amamentação).

Sobre a proposta de jejum intermitente ter ficado em alta após a declaração da atriz Débora Secco, que estaria utilizando o método ainda durante a lactação, o médico explica que dá para ser feito, “O problema é que, quando a mulher está em período de amamentação, é importante garantir a qualidade do leite, porque isso faz total diferença para a criança, e nesse contexto o jejum não seria o método ideal para a maioria das mulheres”.

O médico ainda alerta que para o sucesso do jejum sem perda de saúde é necessário um protocolo rigoroso, levando em consideração as taxas hormonais, vitamínicas e condições corporais do paciente, sem falar na necessidade do protocolo de exercícios físicos.

“Não existe fórmula mágica, existem métodos e estudos específicos que garantem melhores desempenhos”, finalizou o especialista.

Medicina integrativa

De acordo com o especialista Lucas Salvadori, medicina integrativa é a especialidade médica que foca na saúde, e visa procurar as causas do processo de adoecimento e tratar as alterações para promover a saúde. “Não focamos necessariamente na cura das doenças, nós ficamos na promoção da saúde. Com isso, checamos a nutrição, a qualidade do sono, estresse, atividade física, entre outras necessidades”, explica.

 

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